4 janeiro 2011 às 06:00
Filmes para o Globo de Ouro e Oscar
Nestes próximos dias, vou me dedicar a assistir aos filmes que tiveram indicações (no Globo de Ouro, que já está próximo) ou ainda podem ter (no caso do Oscar, cujos candidatados ainda não foram indicados). Esta semana irei a Los Angeles para checar o que há de inédito e vou reportar minhas impressões para vocês. Farei a transmissão do Globo de Ouro pela TNT, no domingo (16), naquele horário de sempre (21h30, no horário nacional), começando com o tapete vermelho.
Vou começar por dois filmes inéditos aqui:
Casino Jack – Na verdade, foi rodado como Bagman (o homem da bolsa de dinheiro), mas mudaram para este outro que não me parece mais comercial. De qualquer forma, o filme está meio desgovernado porque seu diretor, George Hickenlooper (1963-2010), morreu em 30 de outubro no Colorado, inesperadamente. Mais conhecido por ter feito o documentário Heart of Darkness (Francis Ford Coppola – O Apocalipse de um Cineasta), ele era um daqueles engajados politicamente, já que o filme é uma acusação frontal contra a corrupção dentro do governo republicano de Bush (inclusive falando do próprio presidente).
Acho que é a primeira vez que se fala tão abertamente de uma figura que o sistema americano permite existir (e que nós, logicamente, imitamos como fazemos com tudo o que é ruim que vem de fora): o lobista. Ou seja, aquele cara que ganha (e muito) para fazer negociatas, ser o intermediário entre o empresário e o político. Por exemplo, no caso do mensalão foram lobistas que chegaram até eles e negociaram a quantia e o próprio projeto (eu falo em tese). Já que todo negócio escuso envolve sempre um tipo de lobista, que trabalha sempre fora da lei, ganhando muito dinheiro.
O filme conta a história de um deles, um judeu chamado Jack Abramoff (Kevin Spacey), que se achava o maior de todos, mas deu alguns passos maiores do que as pernas (se envolveu numa compra de cassino daqueles que ficam fora das águas americanas, no largo de Miami, e resolveu abrir uma escola particular de luxo e assim por diante, metendo-se também com reservas indígenas). Suas façanhas são de cair o queixo por seu cinismo e veracidade. Papel em que Spacey brilha (bem envelhecido, até porque o temos visto pouco, já que está radicado na Inglaterra, dirigindo o grupo teatral Old Vic) e usa sua velha técnica de exuberância (o sujeito tinha mania de imitar atores e frases famosas) e ar fatigado.
Barry Pepper faz seu parceiro de crime, e a mulher de John Travolta, Kelly Preston, sua esposa. O filme é bem curioso e recomendado para políticos (para saber o que não devem fazer). Kevin foi indicado como melhor ator em comédia ao Globo de Ouro.
Get Low - Aqui, Robert Duvall é quem foi lembrado como melhor ator em drama para o SAG. Mas o filme teve outras indicações: filme de estreante e coadjuvante para Bill Murray; filme, roteiro, atores (Duvall, Murray) para o Satellite Awards; Duvall para o críticos de Washington.
Sabia muito pouco sobre o filme, que é bem interessante, principalmente por causa da qualidade do elenco. Duvall (que completa 80 anos justamente agora, dia 5 de janeiro) sempre foi um ator austero, competente, ocasionalmente notável (como em Apocalypse Now). Pois pode colocar este entre seus melhores momentos.
Ele faz um velho ermitão que vive recluso em seu rancho, durante 40 anos, sem dar satisfação aos boatos que o cercam. Até quando resolve procurar um pastor para fazer um enterro com ele ainda em vida, ou seja, ele ouviria o que outros têm a contar sobre ele e até sortearia entre os presentes, os direitos a sua terra. Quem o ajuda é o dono da funerária local (que vai mal), feito por Bill Murray a sério (na verdade, o filme não deixa cair na piada, nem na sátira, é quase uma crônica de tempos antigos, com certo humor, mas de forma afetuosa, um trabalho difícil de conseguir, principalmente porque é a estreia de um fotógrafo na direção, Aaron Schneider. Mas Bill merece as indicações que teve.
A história é inspirada em fatos reais, realmente existiu alguém assim no East Tennessee, com um homem chamado Feliz Breazeale, e o roteiro segue mais ou menos fielmente a situação (teve mesmo música, rifa), mas parece que o filme se adéqua ao ator Duvall, preferindo uma solução mais sóbria, que não chega a ser tão romântica quanto se suponha, quase trágica. Tudo não se perde por causa do nível geral do elenco, que traz ainda a eterna Carrie, a Estranha, Sissy Spacek. E outro momento excepcional para o veterano ator.
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