17 janeiro 2011 às 09:20
Globo de Ouro
Agora entendo bem a posição da academia do Oscar, que se queixa de ser a última das premiações, ao menos em termos de data. Quando acontece, no fim de fevereiro, tudo que apresenta é velho, repetitivo, igualzinho a todas as outras festas de prêmios.
O que vocês viram ontem é a mesma coisa que irá se repetir no SAG, nas outras festas de sindicato e quando chegar ao Oscar, teremos uma sensação irremediável de já ter visto aqui, de tudo ter ficado velho. Ano passado ainda tentaram ser diferentes, premiando um filme de arte como Guerra ao Terror. Este ano é bem capaz de ser tudo igualzinho ao Globo de Ouro.
Não que o resultado tenha sido ruim. Ao contrário do que pensávamos que 2011 havia sido um ano muito ruim, o problema foi que todos os filmes mais interessantes e talentosos ficaram para o fim do ano (e estranhamente estão indo bem de bilheteria!.).
Não há dúvida, porém, que este é o de A Rede Social e, finalmente, a ocasião de consagrarem o diretor David Fincher. Depois de anos em branco, parece que a Sony Columbia vai levar o Oscar de melhor filme (A Rede Social saiu esta semana nos EUA em DVD e Blu-ray, e, mesmo assim, tentou uma volta aos cinemas, na esperança de que alguém queira vê-lo em tela grande).
Sorte de uns, azar de outros. No caso, A Origem, que no Oscar deverá ter prêmios técnicos (será que não estava na hora de Nolan ganhar algo a mais? Enfim, fica para o ano que vem!).
Assim a atriz do ano é mesmo Natalie Portman para Cisne Negro, o ator é Colin Firth, por O Discurso do Rei e os coadjuvantes Melissa Leo e Christian Bale por O Vencedor.
Minhas Mães e meu Pai deve levar alguma coisa de roteiro (no Globo foi comédia e melhor atriz para Annette Bening). Tomara que o prêmio de melhor ator de comédia ajude Paul Giamatti a ser lembrado (seu filme estreou em branco hoje nos cinemas americanos).
Vocês se deram conta de como foi uma premiação gay? Acho que nem eles perceberam direito, mas, além de Minhas Mães e Meu Pai, houve a premiação maciça de Glee (para o assumido Chris Colfer, para Jane Lynch, que mandou beijos para sua esposa e como série de comédia), de Jim Parsons de Big Bang Theory, de Claire Danes como Temple Grandin (quem viu, não teve dúvidas de que ela é cowboy de verdade).
A verdade é que o Globo de Ouro tem demonstrado mais visão e competência do que o Emmy. Mas não escaparam do inevitável com Al Pacino (melhor ator por seu trabalho incrível em You Don’t Know Jack).
Mas preferiram fugir de The Pacific mesmo com Spielberg e Tom Hanks presentes. A minissérie não é mesmo nenhuma maravilha, não chega aos pés de Band of Brothers, ficando com outra da HBO, que virou série, o Boardwalk Empire (não consigo engolir Steve Buscemi como protagonista. Pra mim, ele não tem carisma e para sempre será coadjuvante).
Bacana mesmo foi dar o prêmio de minissérie para o franco-alemão Carlos. Seis horas que detalham a vida do terrorista mais famoso do mundo, o Chacal (que nunca é chamado com este codinome no filme). As primeiras duas horas são difíceis, mas depois vicia e entra-se no embalo. É um pedaço da história mal lembrado e mal conhecido, que só mesmo votantes estrangeiros teriam o peito de premiar.
Por outro lado, a pior premiação de todas foi para filme estrangeiro. Qualquer um era melhor do que este In a Better World, apenas um razoável drama dinamarquês sobre crianças mal compreendidas, perseguidas por bullies e que acabam recorrendo à violência sem sentido.
Preferia muito mais o italiano Eu Sou o Amor ou o mexicano Biutiful (a ausência maior das indicações foi a de Javier Bardem, magnífico no filme). Outra coisa para comentar e discutir depois: este parece ter sido o ano dos filmes deprimentes e difíceis, e isso é constatado por vários deles: Rabitt Hole, Biutiful, o russo Cisne Negro, Blue Valentine, Crazy Heart.
Será sinal dos tempos difíceis?
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