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27 janeiro 2011 às 16:00

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Dieta Mediterrânea

Dieta Mediterrânea - Espanha, 09 - Direção de Joaquim Oristell. Com OIivia Molina, Paco Leon, Alfonso Bassave, Carmen Balagué, Roberto Alvarez. Imovision.

Como vocês sabem, eu tenho publicado livros sobre culinária e cinema (com a parceira Nilu Lebert) e por isso tenho especial interesse por filmes sobre comida, ou "food films" como chamam os americanos. Mais uma razão para ter gostado muito deste novo filme espanhol, que celebra a escola de cozinha mais famosa dos anos 2000, que foi a catalã, de Barcelona.

Não tinha ideia de que era tão engraçado e divertido (além de perfeito para entrar num próximo livro da gente, com suas belas e frequentes receitas) porque não prestei atenção no nome do diretor e roteirista, que têm outros filmes já exibidos e consagrados, como Entre as Pernas com Javier Bardem e Victoria Abril, Os Inconscientes (aquele freudiano).

Sempre curto o cinema espanhol porque é atrevido e fora do comum, como esta história que é narrada por uma mulher em voz off, já adulta, que recorda a história de sua mãe, da nascença até a da filha, mostrando como ela é filha de donos de um pequeno restaurante a beira mar, o pai (Alvarez) é bissexual, mas a mãe faz de conta que não vê nada.

A heroína se chama Sofia (vivida por Olivia Molina, que é a cara de sua mãe, a estrela Angela Molina, revelada por Buñuel em seu último filme, O Obscuro Objeto do Desejo, e que fez com Almodóvar, Carne Trêmula e Abraços Partidos). Desde criança só pensa em ser cozinheira, a melhor do mundo e, como um gênio indomável, vai realizado os seus desejos.

dieta ok <i>Dieta Mediterrânea</i>

E é disputada por dois rapazes, Toni (Paco) que é um bem sucedido agente imobiliário, e Frank (Bassave, como o colega vindo de séries de TV), que se especializa em administrar e organizar restaurantes. É esse que se esforça para criar oportunidades para ele, primeiro num hotel nas montanhas, depois numa escola de um mestre francês, onde ela é considerada um milagre.

Ao mesmo tempo, os dois a disputam, até quando ela propõe viverem uma relação a três, numa espécie de Jules e Jim de Truffaut, só que levada às últimas consequências, pra valer. Ainda que meio às escondidas, porque um triângulo desses provoca escândalo na cidade provinciana. Mas é como diz o prático Toni para Frank: “você não quer ser feliz, quer ser normal”.

Essas e outras reflexões nascem de um roteiro inteligente, muito bem armado, que narra a trajetória do trio (a passagem do tempo é muito bem delineada, em poucos detalhes na aparência deles) sempre apimentada pela presença da comida, mesmo com senso de humor, quando Sofia começa a pirar e fazer experiências cada vez mais loucas e exóticas.

Mas no fim, cumpre inteiramente seu papel, saí do cinema morrendo de fome depois de ter me divertido e simpatizado com um triângulo tão inusitado. Sem dúvida, o mais original e moderno dos “food films”.

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