27 janeiro 2011 às 06:00
Estreia – Amor e outras Drogas
O Amor e outras Drogas (Love and Other Drugas), EUA, 10. Direção de Edward Zwick. Com Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Hank Azaria, Judy Greer, George Segal, Jill Clayburgh, Josh Gad e Gabriel Macht.
São dois ou três filmes em um só. Uma comédia sobre vendedores de produtos farmacêuticos, que flerta com a possibilidade de criticar os grandes laboratórios que hoje são vilões numa série de crimes contra a saúde: impor certas drogas que não foram bem testadas, fazer testes em países pobres ou até mesmo não pesquisar remédios que não dão resultado comercial. E usar de lobby para manterem seu status de poderosos.
Há um bom filme aí, mas não chega a ser este, que se fixa apenas no lançamento das primeiras drogas que combatem a impotência masculina. Mostrado através de um rapaz que tem o dom de ser bom vendedor, mas não sabe muito bem o que fazer de sua vida.
O que nos leva ao segundo filme, que é uma comédia romântica, quando ele não sabe se fica ou se foge de uma garota anti-convencional por quem se sente atraído, mas está sempre brigando. E finalmente um terceiro filme que é um drama no estilo Love Story, sobre uma garota que sofre de uma doença sem cura, que eventualmente irá matá-la (no caso, o Mal de Parkinson ).
O problema é que o diretor não conseguiu decidir qual dos três filmes ele queria fazer, alternando momentos de chanchada com outros tristes e outros sensuais (o casal central Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway se apresenta com frequência sem roupa, o que é relativamente raro no cinema americano atual). Mas eles já tinham o precedente juntos de terem feito o casal de O Segredo de Brokeback Mountain. A questão é que ali não se entendiam. Os dois chegaram a ser indicados como atores em comédia no Globo de Ouro, mas foi por falta de alternativas. Embora Anne seja encantadora e uma autentica estrela em ascensão, não consigo gostar de Jake, talvez e, em parte, por seu olhar de peixe morto. Nunca me convence.
Ainda assim está mais exuberante do que de costume, já que o roteiro o pinta como um tipo irresistível (uma das ideias do script do qual fez parte do diretor Zwick é lhe dar um irmão mais novo, gordinho e chato, que é largado pela namorada e passa a morar com ele. O que fornece oportunidade de piadinhas fortes de gosto duvidoso. Também o que você esperava de um filme sobre Viagra?).
O roteiro é baseado num livro de não ficção chamado Hard Sell: A evolução de um vendedor de Viagra, de um certo Jaime Reidy, que era um representante da firma Pfizer. Não tinha nem sequer um interesse romântico, tudo foi criado para o filme.
Finalmente o filme tem que se valer mesmo é na discussão final: deve Jamie (Jake) ficar com a garota que ele gosta, Maggie (Anne), mesmo sabendo que ela tem uma doença progressiva e que eventualmente terá que cuidar dela? Eu preferia que o filme fosse assumidamente isso, mas acharam que era preciso dourar a pílula e transformá-la em comédia também com apelo masculino. Não deu muito certo ( rendeu 31 milhões de dólares para um orçamento de trinta) porque é difícil hoje em dia enganar o público. Nem mesmo usando o apelo da nudez (é triste confirmar isso, mas o espectador virou mais moralista e pudico do que nos anos 70, por exemplo).
No final das contas, o filme é médio, esquizofrênico. Eu o veria apenas por Anne. Detalhe: traz também a última breve aparição no cinema da falecida e querida Jill Clayburgh.
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