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27 janeiro 2011 às 06:00

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Estreia – Um Lugar Qualquer

Um Lugar Qualquer (Somewhere), EUA, 10. Direção e roteiro de Sofia Coppola. Com Stephen Dorff, Ellen Fanning, Chris Pontius, Michelle Monaghan, Jo Champa, Maurizio Nichetti e Benicio Del Toro.

De todos os filmes considerados para o Oscar em 2011 este é o que menos gosto (apesar de que, até quando escrevo, não tenha sido lembrado pelo Globo de Ouro ou SAG, apenas ganhou Sofia, um prêmio especial do esquisito National Board of Review, que por sinal não é composto por crítico e não foi aprovado justamente por aqueles que são insiders). O fato de ter ganhado o Leão de Ouro no Festival de Veneza ninguém levou a sério já que o júri era presidido por Quentin Tarantino, ex-namorado de Sofia e famoso por proteger seus amigos descaradamente.

Infelizmente para fazer o papel de um astro de cinema é indispensável se ter um star para o papel. Fora disso não tem sentido ou cabimento. Não dá certo. Stephen Dorff pode ser algumas coisas, mas sua carreira longa de 15 anos só demonstra isso: que não tem carisma ou fôlego de estrela. É  baixinho, feioso, junkie, destinado a fazer filmes para vídeo e futuro coadjuvante, na melhor das hipóteses. Nem mesmo aqui na melhor chance de sua carreira saiu de seu estupor e apatia.

sofia 1 Estreia   <i>Um Lugar Qualquer</i>

Foto: Divulgação

O problema é que Dorff interpreta um famoso astro de filme de ação chamado Johnny Marco, que não vive em algum lugar, mas se refugia como fazem muitas celebridades no famoso Hotel Chateau Marmont, que fica na Sunset Strip, muito pertinho do bar de Johnny Depp onde morreu River Phoenix (foi lá que o comediante John Belushi morreu de overdose e onde habitualmente atores de cinema brincam e transam, sexo, drogas e rock n´roll, com relativa discrição). Inclusive a própria Sofia é habitual frequentadora do lugar o que explica o projeto e o fato dele ter sido rodado em locações.

O outro problema é que temos que nos identificar com os problemas de um coitado de um astro de cinema, chafurdando em milhões, mas vivendo infeliz, sem propósito ou sentido, indo de um compromisso para outro (uma estreia, um programa de prêmios na Itália, uma  balada, uma transa – sempre hétero o filme faz questão de frisar). Ou seja, rebelde sem causa, um ator sem método, um ser humano sem conteúdo.

Certamente o mundo tem problemas ou situações mais urgentes e interessantes do que esta (até porque Sofia é muito discreta em revelar qualquer detalhe ou curiosidade do seu meio). Em seu primeiro filme ela revelou a tragédia por trás dos privilegiados (as meninas Virgens Suicidas). Aqui parece que fez um estágio na França, onde estudou a maneira narrativa dos europeus (acho que mais explicitamente Antonioni).

sofia 2 Estreia   <i>Um Lugar Qualquer</i>

Foto: Divulgação

Resolveu então fazer um filme, com longos planos gerais, ritmo mais arrastado, sem diálogos marcantes, sem psicologia (aliás, Maria Antonieta já deixava claro que explicar ou aprofundar coisas não é seu forte). Conseguiu de qualquer forma um certo visual estiloso, como se estivéssemos nos anos 70 e ainda se usasse concluir filmes com corridas sem destino pelo deserto ou ficar dando voltas em círculo.

Não acho nada demais tampouco na presença de Elle Fanning (irmã de Dakota), que faz a filha que ocasionalmente vem fazer companhia ao pai. É quando Johnny dá algum sinal de humanidade, mas também nada de interessante. Talvez ela tente mostrar o vazio existencial daquele mundo com certa poesia, mas o que não falta são filmes sobre esse tipo de vida (que tal a série Entourage?). A mim não atingiu.

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