28 janeiro 2011 às 06:00
Livros sobre humoristas
With Love and Laughter John Ritter, por Amy Yasbeck. Gallery Books, 2010. 250 páginas.
Dick Cavett Talk Show Confrontations, Pointed Commentary and Off-Screen Secrets, 2010. Times Books. 280 páginas.
Growing Up Laughing My Story and the Story of Funny Marlo Thomas. Hyperion Books, 2010. 382 páginas.
O humor tem sido um dos grandes achados do mercado editorial norte-americano, com o sucesso de livros pequenos, com textos bem humorados sobre qualquer coisa, crônicas autobiográficas ou não, que são excelentes leituras de avião ou metrô. Isso tem proporcionado best-sellers para praticamente todos os humoristas, que felizmente são também, em geral, autores de seus textos. O que facilita as coisas. Por coincidência, acabei de ler três livros recém-lançados sobre essa profissão.
O primeiro é basicamente uma confissão e uma despedida de uma esposa para o marido que morreu inesperadamente, no caso a atriz Amy Yasbeck (Wings, Drácula Morto mas Feliz, A Louca Louca História de Robin Hood), que teve uma filha com o comediante John Ritter (1948-2003), famoso pela série de TV Três é Demais (Three´s Company), filho do celébre cantor cowboy Tex Ritter e que morreu inesperadamente durante as gravações do sitcom de sucesso 8 Simple Rules...for Dating my Teenage Daughter.
Amy conta paralelamente sua vida e a do marido, conseguindo não mencionar seu casamento anterior e nem o filho (o hoje jovem ator Jason Ritter, de The Event). Como se não existissem. Mas ao menos, desfila anedotas medianas sobre seu almoço na casa de Elizabeth Taylor (onde Gregory Peck a confundiu com outra e no final das contas não a conhecia), fala do encontro com ídolos da TV (enquanto fazia guest star em diversos shows) e o também do casamento, aparentemente, feliz com o marido.
No entanto, se não conta os momentos de tristeza, não se valoriza os de alegria e o livro insista na figura da filha e o trauma que sofreu com a morte repentina. Ao menos, fala um pouco da técnica de Ritter de fazer rir (ele treinava piadas com garçons de restaurante). O engraçado é que o livro é fácil de ler, mas não consegui acreditar tanto assim neste romance.
Dick Cavett não é conhecido no Brasil, mas durante um tempo ele foi o grande rival de Johnny Carson, no comando de um programa de entrevistas na TV americana (de 68 a 75 na ABC e 77 a 82 na PBS). Menos preocupado em fazer gracinhas ou piadas fáceis, as entrevistas eram mais profundas e por isso ele se deu ao luxo de receber no programa os mais ilustres convidados que curtiam ter uma conversa mais elevada.
No livro, ele relembra alguns como Marlon Brando, Richard Burton, Groucho Marx, Paul Newman e Katharine Hepburn (que lhe roubou o chapéu de beisebol que sempre usava). Basicamente o livro é uma coletânea de crônicas que ele escreveu para um blog na internet (melhor dizendo coluna de opinião online para o New York Times). Alterna lembranças de infância com comentários sobre a campanha (a mais recente) presidencial que ficaram datados e lembranças dos bastidores de entrevistas, mas nada muito revelador ou que sequer merece ser mencionado aqui.
O melhor livro do grupo para mim foi o de Marlo Thomas, conhecida por três coisas 1) estrela de televisão porque protagonizou o primeiro seriado feminista de sucesso, That Girl (1966-72) 2) é casada com um famoso apresentador da TV americano Phil Donahue 3) é filha de um famoso comediante, cantor e ator de origem libanesa chamado Danny Thomas (1914-91), da série Make Room for Daddy (53-64), dentre outras e como produtor de outras (Mod Squad, Dick Van Dyke Show, Andy Griffith Show).
Foi através dele que Marlo cresceu justamente no meio de todos os grandes comediantes da velha guarda e daí veio a ideia, contar sua própria história, de sua carreira, mas sempre pontilhada por depoimentos desses amigos, velhos e novos, que respondem a perguntas como o que é engraçado? Como se tornar um humorista? Isso permitiu a ela reunir depoimentos de 22 humoristas da melhor qualidade, entre eles, Robin Williams, Elaine May, Whoopi Goldberg, Billy Crystal, Alan Alda, Tina Fey, Jay Lenon, Conan O´Brien, Jon Stewart, Chris Rock, Jerry Seinfeld e Lily Tomlin. Todos comprovando que humor é uma coisa muito séria (a frase famosa: Morrer é fácil, difícil é fazer rir) e sintomática (quando alguém arrasa num show, a gíria americana diz que eles “mataram” a audiência).
Isso justifica o título de ser sua história, mas também a história do que é engraçado, do caminho que eles percorreram (todos os da nova geração vieram do stand-up comedy, muitas vezes levando mais de uma década viajando pelo interior ate serem descobertos). O resultado é de primeira linha, contado por uma insider, que é um deles e possivelmente o melhor livro do gênero já editado até agora.
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