29 janeiro 2011 às 06:00
Coluna de DVD

Servidão Humana ** (Of Human Bondage)
Áudio: Inglês. Leg: Port. Drama/Romance. Standard. 100 min. PB. 1964. Ingl. Lume. Livre.
Diretor: Ken Hughes (também Henry Hathaway e Bryan Forbes). Elenco: Kim Novak, Laurence Harvey, Nannette Newman, Robert Morley, Siobhan McKenna, Roger Livesey, Brenda Fricker.
Sinopse: Um estudante de medicina que tem um pé defeituoso se apaixona perdidamente por uma garçonete, Mildred, uma mulher vulgar e que esta a beira da prostituição.
Comentários: O famoso livro de Somerset Maugham, que dizem ser autobiográfico, já foi filmado antes memoravelmente por Bette Davis, em 34, como Escravos do Desejo, com Leslie Howard, que foi o papel que a transformou em estrela e a cópia em domínio público está disponível.
Depois com Eleanor Parker, como Escravo de uma Paixão, 46, com Paul Henreid. Esta refilmagem foi complicada (apesar do autor tê -la aprovado antes de morrer) porque houve desentendimentos entre a estrela Kim e seu parceiro Laurence Harvey (1928-73), um ator lituano frio e antipático, e não teve a menor química entre eles.
Para piorar, o diretor Henry Hathaway, também brigou com a estrela e foi despedido (ele ficava mais à vontade com faroestes) e o roteirista assumiu por uma semana (Bryan Forbes era também chefe do estúdio MGM londrino na época) até ser substituído por Hughes.
Embora a parte técnica da Londres antiga seja interessante (foi indicado como melhor figurino para o BAFTA), o roteiro é muito fraco, sem fugir de clichês e sem aprofundar a figura da heroína, uma das mulheres fatais mais interessantes da literatura: Mildred Rogers.
Enquanto Bette a interpretava como megera, mas carismática e dominadora, Kim como sempre linda (foi logo depois dela sair da Columbia que a transformou em estrela) demonstra sua insegurança, numa performance contida e passiva, com problemas com o sotaque cockney.
Embora tenha seus defensores (sua beleza justificaria mais a paixão), Kim nunca foi grande atriz e precisava de ajuda (repare na timidez com a que despem, limitando-se a mostrar suas costas). Mildred é um personagem que merecia ser revivido por alguma Diva atual. Filmografias.
Amor Livre ** (L'Eau à la Bouche)
Áudio: Francês. Leg: Port. Romance. Standard. 95 min. PB. 1960. França. Lume. 16 min.
Diretor: Jacques Doniol-Valcroze. Elenco: Françoise Brion, Alexandra Stewart, Paul Guers, Bernadette Laffont, Michel Galabru, Jacques Riberolles, Gerard Barray, a menina Florence Loinod.
Sinopse: Num castelo do interior, os primos se reúnem para ler o testamento. Mas há uma confusão quando Milena, que vive no lugar, confunde o namorado da prima, achando que este que é seu primo.
Comentários: O diretor Valcroze (1920-89) foi crítico e editor da revista famosa Cahiers du Cinema e, portanto, um dos criadores do movimento da Nouvelle Vague. Casado com a atriz Brion, que faz a protagonista aqui (e com quem teve um casal de filhos) não era especialmente talentoso (foram exibidos aqui apenas 1961 – A Denúncia (La Dénonciation. Com Françoise Brion); 1969 – O Amante Inesperado (La Maison des Bories. Marie Dubois).
Sua falta de experiência fica clara não apenas no roteiro básico (a intenção é de fazer um novo Sorrisos de uma Noite de Amor à la Bergman, mas não chega nem perto, parece mais um Eric Rohmer mal feito). Ele abusa de zooms (raro na época), não sabe dirigir atores (todos duros e mal marcados) e a história é bobinha (até quando tenta fazer paralelo com o casal de empregados (Galabru e Laffont) como se fosse a Regra do Jogo de Renoir. A melhor coisa é a encantadora canção título de Serge Gainsbourg.
O Morcego Diabólico ** (The Devil Bat)
Áudio: Ingl. Leg: Port. Terror. Standard. 68 min. PB/Colorizado. 1940. EUA. Flashstar. 14 anos.
Diretor: Jean Yarbrough. Elenco: Bela Lugosi, Suzanne Kaaren, Dave O´Brien, Guy Usher, Yolande Donlan (Mallot), Donald Kerr.
Sinopse: Cientista louco, que procura vingança contra os ricos que financiam sua pesquisa, inventa um raio que é capaz de transformar um morcego num bicho gigante que ataca os humanos.
Comentários: Embora não seja dirigido pelo famoso pior cineasta de todos os tempos, Ed Wood, esta é a primeira e mais famosa realização de uma modestíssima produtora de Hollywood, chamada PRC (Producers Releasing Company), de tal forma que tentaram depois da guerra fazer continuações, inclusive refilmagem.
Mas é com humor e tirando sarro do filme a única forma de apreciá-lo, já que é ridículo em todos os sentidos (produção paupérrima, cenários horríveis, o morcego é mal feito e de vez em quando dão um close de um verdadeiro).
Não é nada ajudado por Lugosi (1882- 1956), que é um ator maneiroso, à moda antiga, mas também com certa classe e carisma. Pena que não tenha nada de muito importante a fazer (além de tudo, suas ações são repetitivas). Curiosamente a atriz que faz Maxine depois faria carreira na Inglaterra. Esta edição traz duas versões, a original, em preto e branco (boa qualidade), e outra colorida (mas feita no começo da tecnologia, que deixa tudo meio marrom!). Mas é terrir!
Na Época do Ragtime **** (Ragtime)
Áudio: Ingl, Francês. Leg: Port, Ing. Romance. Widescreen. 155 min. Cor. 1981. EUA. NBO. 12 anos.
Diretor: Milos Forman. Elenco: James Cagney, Pat O´Brien, Elizabeth McGovern, Mandy Patinkin, Elizabeth McGovern, Brad Dourif, James Olson, Donald O´Connor, Samuel L. Jackson, Howard E. Rollins, Moses Gunn, Kenneth Mc Millan, Jeff Daniels, Mary Steenburgen, Debbie Allen, Norman Mailer, Fran Drescher.
Sinopse: A chamada Época do Ragtime foi a década de 1910, quando os EUA viviam num idílico isolacionismo (que terminaria com sua entrada na Grande Guerra de 14 a 18). Em volta de Nova York, personagens fictícios se reúnem em torno de outros verdadeiros que marcaram o seu tempo.
Comentários: Uma boa edição, que traz um documentário retrospectivo do filme conduzido pelo diretor Milos Forman e seu primeiro assistente de direção, comentários em áudio e uma cena deletada, em preto e branco, mostrando Elizabeth McGovern encontrada num bairro judeu.
Uma luxuosa produção de Dino de Laurentiis (que ia ser feita por Robert Altman), que não chegou a ser o sucesso que merecia, mas teve indicações ao Oscar de coadjuvantes (McGovern, que faz Evelyn Nesbitt e hoje faz carreira na Inglaterra, e o negro Rollins, 1950-96, de Aids) e ainda de direção de arte, fotografia, figurino, trilha musical (Randy Newman), canção (One More Hour), roteiro (Michael Weller) e sete Globos de Ouro (sem ganhar nenhum).
É conduzido por um casal dançando a música tema (o ritmo ragtime é mais lembrado pelo filme Golpe de Mestre) enquanto se mostra uma família rica dos arredores de Nova York, que se envolvem com um caso real de um negro que enfrenta a polícia e ameaça terrorismo quando sofre injustiça e com a indústria do cinema, que está começando com os emigrantes judeus.
O caso mais célebre é o de Evelyn (também no filme O Escândalo do Século), cujo marido mata um arquiteto famoso (feito pelo escritor Norman Mailer). Mas também temos Houdini, o presidente Theodore Roosevelt, o banqueiro J. P. Morgan etc.
O filme é notável por ter trazido, depois de um afastamento de 20 anos, o lendário James Cagney (1899-1986) que faz o Comissário de Polícia, cujo médico havia recomendado que voltasse a trabalhar. Este foi seu último filme e o reuniu também com o antigo parceiro Pat O'Brien (1899-1993), que faz o advogado da família do assassino.
Ele tinha dificuldade de decorar texto e mesmo de ficar muito tempo de pé, mas mantém seu carisma e profissionalismo. Foi Cagney também que pediu um papel para Donald O´Connor, que faz rápida aparição porque tinha problemas graves de alcoolismo. Lançado em bancas a preço popular.
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