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10 fevereiro 2011 às 06:02

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Estreia – O Discurso do Rei

O Discurso do Rei (The King’s Speech), Inglês, 10. Direção de Tom Hooper. Com Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush, Derek Jacobi, Jennifer Ehle, Michael Gambon, Guy Pearce, Claire Bloom, Eve Best, Timothy Spall, Anthony Andrews. Paris Filmes.

discurso rei estreia blog Estreia   <i>O Discurso do Rei</i>

Foi uma surpresa constatar que, de repente, este filme inglês havia se tornado o favorito para o Oscar deste ano. Principalmente depois de A Rede Social ter ganhado todos os prêmios da crítica e ainda o Globo de Ouro. Mas os sinais foram surgindo estranhamente pelos Sindicatos. Primeiro o dos Produtores (melhor produção do ano), dos diretores (melhor diretor para o pouco conhecido Tom Hooper) e, finalmente, dos Atores (que lhe deu o premio máximo de melhor elenco).

O mais estranho é que qualquer um que assistir ao filme vai dizer que ele tem a cara típica de um vencedor do Oscar, ao menos antigamente, antes deles terem virado prêmio de arte (como no ano passado, quando fizeram a besteira de premiar aquela bobagem pró-guerra chamada Guerra ao Terror em vez de Avatar). Ele é inglês (a Academia sempre foi anglófila) e tem um esplendido elenco, incluindo Claire Bloom, de Luzes da Ribalta, de Carlitos, como a Rainha Mary, a quem por sinal custei a reconhecer agora aos 80 anos. Tem um roteiro notável, muito bem escrito por alguém que entende do assunto, já que o autor David Seidler (Tucker, de Coppola, mas também muita besteira como Kung Fu Killer, 08) também era gago e entende do assunto.

Originalmente era para ser uma peça de teatro, mas quando Geoffrey Rush (Oscar por Shine - Brilhante) a leu, ele resolveu produzir o filme. Afinal é um confronto para dois grandes atores em dois grandes personagens, no estilo que o público gosta, começando com os dois como antagonistas, não tendo nada em comum, mas acabam se tornando amigos.

Isso é a chave do sucesso. Muito bem dirigido (se prestarem atenção, o filme é muito mais realizado do que se nota a primeira vista; reparem, por exemplo, na incrível parede da casa de Rush, toda matizada). Há muitas tomadas sem corte para manter o clima, ou seja, Tom Hooper não fez um telefilme, mas um competente drama de época que atinge e agrada os espectadores, que saem felizes e vitoriosos do filme.

Ao contrário de A Rede Social, que embora mais contemporâneo, é de mais difícil consumo, por vezes árido de seguir e inacessível a quem não acompanha o Facebook. Não se pode esquecer também o eterno fascínio que, tirando Shakespeare, a família real inglesa exerce sobre o público, além do tema, que praticamente desconhecido até agora, é muito próximo. Conta a história justamente do pai da atual Rainha Elizabeth I (que é mostrada criança no filme), o relutante rei George VI (Firth) que não foi preparado para ser rei porque tinha um irmão mais velho destinado ao cargo, que seria o Rei Eduardo VIII (Guy Pearce), que num lance célebre e discutido durante décadas, largou tudo pela mulher que ama, como disse (apaixonou-se por uma certa Wallis Simpson, plebeia americana duas vezes divorciada que a Corte então não considerava adequada para ser rainha consorte. Além disso, não dito aqui, Eduardo tinha simpatia pelos nazistas e até mesmo Hitler!).

Os problemas com George eram dois: tinha pavio curto e toda hora estava enervado, estourando, sem paciência de enfrentar seus problemas. O maior deles era justamente o de ser gago. O que lhe causava muito constrangimento (e ao povo inglês também). Na busca de uma salvação, ainda mais com a chegada do rádio que tornava público qualquer discursinho, ele procurou com a ajuda da mulher (Helena Bonham Carter, naquela que conhecemos como a Rainha Mãe, uma senhora simpática que morreu não faz muito tempo). Foi assim que chegaram à casa de um tal de Lionel Logue (Rush), ator mal sucedido e frustrado, que vivia com mulher e filhos, sem títulos mas exercendo um hobby, tentar curar as pessoas da gagueira (seu primeiro ato é divertido: falar com pedrinhas na boca como Demóstenes!).

Outro momento que causou polêmica foi quando o rei se expressa numa enxurrada de palavrões (a censura quis causar problemas, mas voltou atrás e acaba sendo claro o ponto alto da história, a catarse).

Esse é o conflito do filme, que funciona por causa dos dois atores centrais, a sobriedade de Firth (que mesmo assim consegue tornar o personagem acessível e humano, estranhamente o primeiro escolhido havia sido Paul Bettany) e exuberância simpática de Rush. O Discurso do Rei foi indicado aos Oscars de direção de arte, fotografia, figurino, direção, filme, mixagem, montagem, trilha musical (Alexandre Desplat), roteiro e atores (Firth, Rush, Helena). Assistam logo que vocês vão gostar.

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