25 fevereiro 2011 às 06:00
Os curtas do Oscar 2011
Há alguns anos a Academia tem apresentado em várias cidades americanas, em cinemas de arte, sessões com os finalistas de animação e de curta-metragem dramático (ou seja, ficção, infelizmente não fazem isso com os documentários). Fui assisti-los ontem e fiquei muito decepcionado com o padrão deste ano principalmente o de ficção, que tem um nível muito baixo (mesmo sendo ou por serem vindos de escolas de cinema).
Eis o que achei deles, o que pode servir para quem estiver apostando nos Oscars:
Curtas de animação
Só há um curta realmente especial e que deverá ganhar o Oscar (uma dica: ele existe para download e vale ser conhecido). Estou falando de The Gruffalo, de Jakob Schuh e Max Lang, uma co-produção entre Alemanha e Inglaterra, de quase 30 minutos. Visivelmente é inspirando num story book, num livro infantil, conservando até seu estilo e usando atores famosos como as vozes entre eles, Helena Bonham Carter, John Hurt e Robbie Coltrane.
Não foge a lei da selva mostrando como um bicho come o outro. Assim, uma mãe esquilo conta para seus dois filhos a história de um pequeno rato sabido que consegue enganar uma raposa, uma coruja e uma cobra falando de um bicho assustador chamado gruffalo que todo mundo sabe que não existe. Mas eis que o tal animal, de repente, surge e está com fome, e o rato vai fazer de tudo para escapar. A história é contada com bom humor, sabedoria e belíssimas imagens. É mágico e encantador. De longe melhor que os outros.
Day and Night vocês conhecem porque passou junto nos cinemas e também saiu em DVD com Toy Story. Não é ruim, mas o padrão da Pixar é tão alto que não fica entre seus melhores trabalhos. Apenas uma luta entre o dia e a noite, cada um com suas qualidades e vantagens. Bonitinho e curto. Legal e pronto.
Madagascar, Carnet de Voyage, de Bastien Dubois, da Franca, é uma viagem ilustrada a esse país quase desconhecido e pelo jeito muito pobre. Outro inspirado em livro, com pinturas (parece crayon, mas pode ser aquarela) que retratram pessoas, bichos, lugares, costumes numa viagem ao interior para acompanhar uma festa de funeral. Bem bonito.
Let's Pollute (Vamos Poluir) - Uma sátira como se fosse um filme educacional para incentivar as pessoas a poluírem o mundo cada vez mais. Não chega a ser tão feroz ou forte quanto a realidade. Mas dá farpadas nos conglomerados e no governo. Não é tão engraçado quanto poderia. Realização americana de Geefwee Boedoe.
The Lost Thing (A Coisa Perdida) - australiano de Andrew Ruhemann e Shaun Tan. Os mais esnobes o apreciam. Realmente tem um visual esquisito e bizarro, meio surrealista. Num lugar incerto, talvez no futuro, um rapaz encontra numa praia uma coisa perdida e difícil de identificar, uma mistura de monstro e máquina que ele não sabe para onde levar. Não gosto da solução que é deixar numa espécie de asilo para freaks, para criaturas como aquela (seria essa a solução? Não parece preconceituosa? Os diferentes devem ser internados e postos fora da sociedade?. Enfim animação de arte.
Curtas dramáticos (esta foi a pior seleção que eu vi nos últimos anos)
Só gostei de um único filme, que é uma produção belga passada na África (em Ruanda, durante a revolução), se chama Na Wewe e foi dirigido por Ivan Goldschimdt, no Burundi. É sobre um grupo de pessoas que estão fugindo do país numa van que é parada por rebeldes que desejam saber quem é Hutu ou Tutsi (isso em 94 durante a Guerra Civil).
De forma bem humorada, satírica, usando recursos que levam por sinal o Gruffalo, um sargento vai fazendo perguntas e tentando descobrir uma verdade que não tem sentido ou cabimento, e que vai caindo no ridículo (ao menos para o espectador como quando confunde Hutu com o U2). Inspirado em fatos reais e o único que convence e diz algo importante.
Os outros: God of Love, de Luke Matheny - Americano e em preto e branco, é uma besteira sobre um cantor da noite que é apaixonado por um baterista (que gosta de outra pessoa). Ele recebe, pelo correio, dardos que fazem as pessoas se apaixonarem. O tal Matheny também escreveu, estrela e tem uma cara muito feia que lembra Jeff Goldblum e essa foi sua tese na NYU Film School. Os americanos falam maravilhas, mas é muito bobinho.
Wish 143 - Ian Barnes - Curta britânico sobre um adolescente que está morrendo de câncer, mas antes quer realizar seu sonho de ter uma relação sexual completa. Fundações não podem ajudá-lo, mas um padre bem que tenta. Não encontra o tom certo para contar a história que deveria ser mais comédia. No meio termo não convence.
The Confession, de Tanel Toom - Outro filme inglês, um drama novamente católico, longo e cansativo, apesar de ter uma história promissora. É sobre um garoto que está preocupado com sua primeira confissão, mas, instigado pelo melhor amigo, coloca um espantalho na estrada que acaba provocando um acidente de carro com mortes (pior de tudo é que eles não ajudam e deixam morrer as vítimas). Mais tarde ele também mata acidentalmente esse amigo, jogando-o em um abismo. O final não tem o impacto que poderia salvar o filme.
The Crush (A Paixonite), de Michael Creagh - O pior de todos, um filme irlandês mal feito, mal roteirizado e interpretado, sobre um menino de oito anos que se apaixona pela professora e pensa que ficou noivo dela. Quando ela aparece com um noivo de verdade, ele o chama para um duelo com a pistola do pai. Final meio inesperado, mas tudo é ridículo demais.
Atenção: as referências que temos do documentário curta coloca Killing in the Name, EUA/Jordânia e Indonésia, como o melhor. O curta fala sobre um militante que denuncia os homens bomba e o terrorismo. Também gostam de Strangers no More (americano), que conta a história de uma escola em Tel Aviv sobre crianças desajustadas e Sun Come Up, EUA / Papua-Nova Guiné, que fala sobre um arquipélago que está sumindo por causa do aquecimento global e da subida dos mares.
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