26 fevereiro 2011 às 06:00
Coluna de DVDs – Lançamentos
O Ano em que nos Conhecemos * The Year of Getting to Know Us
Audio: Ingl, Port. Leg: Port, ingl. Comédia. Widescreen. 90 min. Cor. 2009. EUA. California.. 12 anos.
Diretor: Patrick Sisam. Elenco: Jimmy Fallon, Sharon Stone, Tom Arnold, Lucy Liu, Chase Ellison, Ileana Douglas, Jeff Chase.
Sinopse: Christopher Rockett vai até a Flórida para ver o pai que não encontra há muitos anos e com quem nunca se deu bem. Ele teve um derrame e está no hospital enquanto Rockett relembra o passado, reencontra antigos amigos e entra em crise no romance com sua noiva.
Comentários: Infeliz tentativa de usar o comediante Fallon, um afável apresentador/entrevistador de programas no fim da noite na TV americana como astro de cinema. Uma produção independente que ficou inédita em nossos cinemas, rodada em 2007, só não compromete Sharon Stone (que faz a mãe dele em algumas poucas cenas em geral sozinha, onde ao menos tenta criar um personagem meio humano). Todo o resto é um desastre. Fallon está passivo, barbudo, largado, sem a menor presença fazendo um personagem desagradável que não sabe o que quer da vida. Mal dirigido, mal roteirizado (pelo diretor), inspirado em dois contos de Know Us, de Ethan Canin.Tenta ser comédia, romance, não chega a ser drama. Resulta coisa alguma. Para ser evitado.
Amor por Contrato ** The Joneses
Audio: Ingl, Port . Leg: Port, ingl. Comédia. Widescreen. 96 min. Cor. 2010. EUA. California. 12 anos.
Diretor: Derrick Borte. Elenco: David Duchovny, Demi Moore, Amber Head, Gary Cole, Glenne Headly,Lauren Hutton, Ben Hollingworth, Chris Williams, Christine Evangelista
Sinopse: Família chega a comunidade fecha e muito rica com a função de criar modismos e vender mais artigos de luxo.
Comentários: Não tenho nenhuma especial simpatia por Duchovny (Californication), que funciona melhor na tela pequena e aqui está magro, descarnado, passivo e sem qualquer charme. Não devia ter perdido tempo em participar deste filme menor que passou em branco em sua estreia nos EUA, em abril de 2010 (custou US$ 5 milhões e não rendeu mais de US$ 1 milhão e quatrocentos mil).
Ele se propõe ser uma sátira ao consumismo atual, sobre uma família ideal (ao menos de aspecto,todos bonitos e fotogênicos), os joneses, que na verdade nem são uma família, mas marketeiros contratados para fazer as pessoas de uma comunidade de alta burguesia consumirem cada vez mais ! E mais! Eles trabalham para uma misteriosa companhia (liderada por Lauren Hutton, que já foi famosa modelo e por delicadeza nem vou comentar seu atual estado) e sua missão é vender cada vez mais celulares e todo tipo de parafernália descartável.
O problema é que o filme começa como sátira, tem suas sacadas, mas quando a família começa a entrar em crise e algo podia surgir daí, tudo cai no romântico banal e ridículo.
O roteiro que é também do diretor Derrick (alemão e não fez nada de importante antes), logo deixa ver que o plano tem suas falhas das mais obvias, Duchovny tem tesão por sua pseudo mulher (Demi), a pseudo filha gosta de homens mais velhos, e o rapaz confessa que é gay. Enquanto isso, um vizinho (Cole) literalmente morre de inveja deles. É muito difícil fazer sátira e o que era piada degenera para um drama que critica o materialismo da sociedade americana, sem nunca porém chegar a destruir ou pintar com cores mais fortes o estilo de vida da burguesia (ao menos não como Mulheres Perfeitas, que levava a proposta as últimas consequências, mas foi igualmente rejeitado pelo público). Afinal, desprezar e falar mal não deixa de ter seus riscos.
Um detalhe importante: Demi, muito discreta, está ainda em plena forma aos quase 50 anos (só devia procurar melhores papéis e filmes).
A Epidemia ** The Crazies
Audio: Ingl, Port . Leg: Port, ingl. Terror. Widescreen. 101 min. Cor. 2010. EUA. Swen. 14 anos.
Diretor: Breck Eisner. Elenco: Timothy Olyphant,Rahda Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker, Christie Lynn Smith, Brett Rickaby.
Sinopse: As pessoas da cidadezinha de Ogden Marsh, Iowa, começam a se comportar de maneira estranha e assassina. O xerife e sua mulher tentam entender o que está acontecendo, ainda mais quando são recolhidos por agentes do governo.
Comentários: Prestem atenção no nome do diretor, este Breck é Eisner, isso significa que é filho do CEO da Disney, na verdade ex-CEO, Michael Eisner que já foi o homem mais importante daquele conglomerado. Seu herdeiro, portanto é pobrezinho, está mal de vida (piada). E fez antes aquela aventura medíocre Sahara, com Penélope Cruz e Matthew McCounaghey, que foi processada pelo autor do livro que considerou o filme desperdício de grana (e mesmo assim ele perdeu!).
Depois, com sua reputação abalada ele conseguiu no máximo fazer este filme B de terror, uma refilmagem de O Exército do Extermínio, de 73, de George Romero, aquele famoso criador de zumbis a partir de A Noite dos Mortos Vivos. Não é bem sobre zumbis, mas uma variante no tema.
É uma história sobre um vírus fabricado em laboratório que acidentalmente é expelido por um avião acidente, atingindo a população de uma região e aos poucos vai tornando-os um bando de insanos, ou seja, loucos como diz o título original. Essa tendência de refazer clássicos do gênero não deu certo, porque todos resultaram em produtos inferiores. O erro aqui foi ser reverente com o original e não conservar sua maior qualidade, o bom humor. Quem não gosta de um divertido filme de zumbis? Mas não quando é banal e sem humor como este. A cena final que aparece na capa do DVD tem ao menos certo impacto, mas não o suficiente para salvar o filme.
Enterrado Vivo *** Buried
Audio: Ingl, Port . Leg: Port, ingl. Terror. Widescreen. 95 min. Cor. 2010. Espanha. California. 14 anos.
Diretor: Rodrigo Cortés. Elenco: Ryan Reynolds e as vozes de Robert Patterson, José Luiz Garcia Perez, Samantha Mathis, Stephen Tobolowsky, Erik Palladino
Comentários: Teve certa repercussão, mas não chegou a ser sucesso este terror feito pelo roteirista e diretor espanhol que fez antes vários curtas e o longa Concursante ,07, com Leonardo Sabaraglia). O roteiro de Chris Sparling (nada de importante no currículo) chegou a ser premiado pelo National Board of Review, o que levou o jovem escritor a se entusiasmar e mandar e-mails para os membros da Academia o que é estritamente proibido.
O escândalo acabou terminando com qualquer chance de ele ser lembrado nas futuras premiações. Ingenuidade ou burrice, isso não qualifica muito este filme difícil de se assistir. Eu mesmo não estava disposto a ficar sofrendo com sintomas de claustrofobia, no que deveria ser um tour de force para o ator Ryan Reynolds (de Green Lantern, A Proposta, Wolverine, revelado como Van Wilder e que foi casado com Scarlett Johansson).
Mas apesar de seu visível esforço físico, não deixa maior impressão nem chega a ter um grande momento dramático. Seus olhos muito jovens, meio gaiatos tampouco ajudam. Ele faz um motorista de caminhão americano, Paul, que acorda no escuro total (tem momentos onde fica-se completamente no escuro no filme, inclusive nos dois primeiros minutos iniciais) e percebe que está preso numa caixão de madeiro, enterrado vivo. Com o isqueiro, encontra um celular que o põe em contato com o mundo fora. Mas como ajudá-lo se está num caixão enterrado no deserto do Iraque? E pelo jeito estão querendo resgate por sua libertação.
O filme foi rodado em 17 dias num estúdio de Barcelona, Espanha, usando sete caixões. O crítico do New York Times diz que o filme perde sua integridade quando apela fazendo entrar no caixão uma cobra, que afinal de contas é um truque realmente baixo e apelativo. Reclama que o fluido do isqueiro nunca acaba, que a bateria do celular dura o filme todo e embora ele reclame que tem falta de oxigênio depois de hora e meia de filme não desmaiou! Que no fundo é um filme de terror feito para nos sentir mal. Tecnicamente, porém, é esperto e até bem resolvido, tem a coragem de terminar sem concessões ao público. Mas é preciso ser ao menos um pouco masoquista para passar por uma destas.
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