26 fevereiro 2011 às 06:00
Filmes em língua não inglesa indicados ao Oscar 2011
Estranhamente este ano são poucos os filmes finalistas do Oscar que já estão em cartaz.
Dois deles vocês podem ler a crítica aqui no blog: Incêndios (que tem uma trama muito forte) e o mexicano Biutiful, que seria meu preferido até pela excepcional interpretação de Javier Bardem e seu tom espiritualista. Vamos falar dos três outros:
Fora da Lei (Hors la Loi), que representa a Argélia, fracassou aqui na sua estreia e nem tive tempo para criticá-lo. Voltou há pouco, mas em uma única sala e já sem fôlego. Na verdade, não acho o filme absolutamente nada mais do que a saga de uma família argelina que enveredou pelos caminhos da violência fazendo com que os filhos ficassem em lados opostos da lei.
Ou seja, crime e polícia. Sem dúvida um dos grandes clichês do cinema, que não ganha nem maior fôlego por ser interpretado por praticamente todo o atores árabes argelinos que fazem carreira na França, inclusive o humorista Jamel, que faz o irmão e vira empresário de shows e cassinos.
Não que o filme seja especialmente ruim, apenas não ganha fôlego de Chefão ou filme de Sergio Leone (Era Uma Vez na América). Ainda assim, o diretor Rachid Bouchared consegue se tornar o maior de seus pais levando com este filme prêmio em Cannes (lugar onde antes tinha apresentado como produtor Flanders, saiu aqui em DVD, Dias de Glória (sobre a participação de argelinos na Segunda Guerra Mundial) e o mais polêmico de arte O Pecado de Hadewijch. Mas talvez seu melhor trabalho seja London River - Destinos Cruzados, com Brenda Blethyn, que já esta também em DVD. Ou seja, não vejo muita chance de premiação.
Dogtooth, de Giorgos Lanthimos é o representante grego que raramente fica na lista dos finalistas (não aparecia desde Ifigênia, de Cacoyannis, na época em que este adaptava tragédias gregas com Irene Papas).
Este aqui ganhou prêmio em Cannes na paralela Un Certain Regard e é um filme bizarro e quase incompreensível. Por isso também ainda não passou comercialmente aqui. Pode ser visto como uma alegoria, mas não se sabe muito do que, falando de três filhos, duas filhas e um rapaz adolescente que vivem isolados numa casa rica, com piscina, jardim e muros altos.
O pai é gerente de uma fábrica e está realizando algum tipo de experiência com os garotos, porque eles vivem aprendendo muitas coisas, inclusive vocabulário, embora estejam sempre à beira do fratricídio ou incesto (eles gostam de lamber os cotovelos, ouvidos e pernas entre si). Mas só o rapaz tem a chance de transar com uma mulher que é a segurança da família, assim mesmo de forma totalmente fria e sem paixão.
O que será este tratado incompreensível de psicopatologia? Rodado em planos estáticos em widescreen, fotografia que faz tudo parecer um sonho, termina da mesma forma obscura (ainda que curiosa). Já definido antes como um exercício de perversidade mais do que um exame dela, é só para aqueles que gostam de decifrar enigmas sem solução e sair discutindo do cinema. Não dá para entender como ficou entre os cinco finalistas.
Em um mundo melhor (Haevnen), de Susanne Bier - Previsto para estrear dia 11 de março, este filme dianamarques parece que é o favorito da categoria, nem que seja pelo simples fato de ser o menos pessimista e deprê. Além de ter ganhado o Globo de Ouro de filme estrangeiro.
Não estou entre os fãs da diretora que veio do Dogma 95, ficou conhecida com Depois do Casamento, errou em Hollywood quando fez Coisas que Perdi pelo Caminho, com Halle Berry. Voltou com Brothers e agora faz outro drama na mesma linha.
Um pai médico que viaja para a África para cuidar dos casos graves, ou seja, um homem que aparenta ser bom e caridoso, retorna para casa para descobrir que seu filho pré-adolescente está com más companhias na escola, está virando bully e perseguindo um colega. Uma situação grave que a família custa a enxergar e vai caminhando para a tragédia. Ou seja, mais um filme sobre a falta de comunicação entre pais e filhos, ao menos com final positivo. Mas para mim a camâra solta incomoda tanto quanto a história que acaba dissolvida em boas vontades e intenções. Se esse foi o melhor estrangeiro do ano estamos mal arranjados.
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