28 fevereiro 2011 às 08:05
Oscar 2011: balanço da festa
Juro que eu preferia ter errado para o bem do próprio Oscar. Mas na sexta –feira, quando eu recebi o roteiro/script do Oscar desse ano, fiquei com a maior vontade de contar tudo para vocês. Mas não podia porque tinha assinado uma cláusula de confidencialidade , não podia revelar nada antes da festa.
Mas pelo que li já dava para ver que não ia dar certo. A começar pela ideia de ficar modificando o cenário, que, no fundo, era uma bobagem um efeito de luz que fica muito a dever a qualquer show musical de estádio. Tudo muito bobinho, primário para os americanos ao menos (o mais curioso foi mostrar Bob Hope fora de contexto como se fosse recortado). Ainda assim, me arrisco a pensar que foi o pior Oscar (ou festa do Oscar) dos últimos anos.
Pior porque foi chata, sem graça, com pouco humor. Como eu temia, James Franco não é nada, não é engraçado, não é bonito, é um pedante que faz cara de tonto zombador sem saber aproveitar falas (justiça seja feita; este foi o ano com as piores piadas, sacadas mais fraquinhas).
A coitada da Anne Hathaway não podia ter se esforçado mais. Mas carregava aquele peso morto. Li num site nova-iorquino que explica quem é Franco, um ator esquisito que se acha e que vive fazendo performances de artes plásticas e que tais. Ou seja, é só esquisito, adora tirar roupa, se vestir de mulher (aquela coisa de vir de Marilyn Monroe sem qualquer consequência foi uma idiotice digna de festa de calouros ou bloco de carnaval). Não tem grande talento, nem é especialmente bonito. É só atrevido e já enganou o bastante. Espero que nesse Oscar tenha caído de vez a máscara da face.
A culpa não é só dele, mas dos que o escolheram e não lhe deram um script decente. Tinham ocasionalmente uma ideia boa, como a da canção de filme favorita (curta demais) e a edição com canções em certos filmes (essa foi brilhante, mas, como a brincadeira do começo, tinha ranço de MTV Movie Awards e mais ainda Billy Crystal). A homenagem a Lena Horne, na verdade, foi para se desculpar por este ano não ter atores negros indicados ao Oscar. Cortina de fumaça. Aquela ideia de colocar criancinhas balançando a cabeça para cantar Over the Rainbow é coisa dos anos 60, já totalmente velha e ultrapassada e sem qualquer impacto. Nem sei bem o que achei da aparição não programada de Kirk Douglas (já tinha matado que era ele porque é o último dos big stars ainda vivo, mesmo que prejudicado).
Achei mais engraçado a Melissa falar palavrão e depois Jake Gyllenhaal escorrer num shit. Mas, gente, palavrão não salva show e nem aumenta audiência.
Quantos aos prêmios, francamente, não é possível ficar repetindo tudo o que os outros já escolheram e consagraram. Tenham pelo menos um pouco de originalidade e ousadia. Será que votar em O Discurso do Rei é porque se arrependeram do ano passado quando votaram errado em Guerra ao Terror? Pode ser. Mas continuam errados. Para filme estrangeiro escolheram o mais convencional, mais medíocre. Como se esperava.
A Origem levou quatro prêmios técnicos, tantos quanto os quatro de O Discurso do Rei. Por mim, já declarei que meu favorito foi mesmo Toy Story 3, que, se vencesse, pelo menos traria algo de novo.
Agora nesta primeira critica ainda sob o impacto de horas de mediocridade, tenho dificuldade de me lembrar de pontos positivos (pode ter algo mais ingênuo e antiquado do que por Celine Dion cantando Smile, de Chaplin, em homenagem aos mortos? Ou mais brega?). Era evidente desde a indicação e a confusão em nem por o nome do Brasil, que o nosso Lixo Extraordinário não tinha qualquer chance. Ao menos não diante do Trabalho Sujo, que é uma porrada. Uma pena porque é um filme empolgante. Ou seja, não foi dessa vez.
Aliás, não vi muito ânimo em parte alguma, já estamos desacreditando que um dia podemos ganhar. Também o que esperam escolhendo Lula para nos representar. Digo o filme! Será que a Academia não vai acordar e parar de querer mudar e conquistar audiências que não existem mais?
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