21 março 2011 às 07:50
Crítica: Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles
Antes de tudo, essa apregoada nova tecnologia lançada no filme não funciona quando copiada para película. O resultado numa projeção normal é banal e indiferente. Depois de já ter confessado meu fraco por filme de monstro e invasão de ETS, sou obrigado a reconhecer o que mais irrita neste filminho B.
Não é nem o fato de nada ter a ver, conforme disseram os realizadores com a chamada Batalha de Los Angeles de 1942. Mas o evidente e irritante fato de que não passa de uma patrioteira propaganda dos norte-americanos, dos marines (nem traduzem fuzileiros navais), louvando sua coragem, bravura em qualquer circunstância, chegando a repetir seu brado de guerra, Surrender Hell.
Diante de tantos e repetidos fracassos em guerras alheias (e esta semana começou outra, onde vão dar com os burros n’água na Líbia), pelo jeito estão precisando se afirmar e fazer um filme absurdo como este, onde um pelotão de soldados americanos (não mais do que cinco sobreviventes) conseguem reverter sozinhos o destino de uma outra invasão de ETs igualmente absurda quanto várias anteriores - imagino que qualquer civilização que quer água como combustível teria meios de fazer um canudo gigante para tirá-la sempre precisar ir aos esgotos de Los Angeles.
Sozinhos, os cinco descobrem o alto-comando da invasão e obtêm a vitória, mas, não satisfeitos, ainda voltam à luta alegres e contentes! Se fosse assim tão fácil!!!
Uma pena que as pessoas não estejam mais acostumadas a ver filmes de guerra dos anos 40, senão teriam reconhecido de cara todos os ridículos clichês contidos no roteiro. Vou citar alguns:
1. O tenente recém saído da Academia que congela na hora do perigo e paga com a vida essa sua fraqueza, se sacrificando heroicamente; 2. O sargento injustiçado e perseguido porque deixou os seus homens morrerem em missão anterior e paga o preço por estar vivo; 3. No auge da batalha, quando há coisas mais importantes com o que se importar, eles ficam discutindo sobre essa falha ou bravura do superior, que resolve o caso dizendo em voz alta os números e nomes das vítimas como se isso provasse alguma coisa; 4. O que fazem crianças, mulheres e latino (há uma visível vontade de incluir as minorias negras e latinas na história, talvez porque sejam mais suscetíveis a esta baboseira patriótica) naquela delegacia? Estão ali simplesmente para provocar mais choradeira e “pathos” ao resultado. E assim por diante.
Tudo é filmado com aquela câmera na mão e cenas picadas, que são usadas e abusadas em séries de TV e nos filmes de Tony Scott, já que o orçamento baixo não permite que seja coisa alguma direito. Os ETs são mostrados apenas de longe ou em pedaços e mal se tem uma ideia de que eles sejam pessoas ou máquinas (aquela hora em que procuram o órgão vital deles, lembrando Aliens, é patética).
Como uma história ate que tem uma certa unidade, com um grupo saindo para salvar civis (e nesse caso, a nem meia dúzia deles, seria um fracasso) e graças à intervenção de uma mulher piloto (Michelle Rodriguez, de Avatar, especialista e por causa disso ídolo do público feminino gay), eles saem fugindo pelas avenidas de Santa Monica, até o final redentor. Felizmente não houve ninguém na sessão a que assisti que saiu aplaudindo. Era só o que faltava! Não passa de um artefato imperialista, que não chega a ser pernicioso simplesmente por sua ingenuidade e incompetência.
Veja mais:
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7












