26 março 2011 às 06:00
Coluna de DVD – Lançamentos
O Falso Traidor *** The Counterfeit Traitor
Áudio: EUA. Leg: Port. Drama de Guerra. Widescreen. 140 min. Cor. 1962. EUA. Ocean. 16 anos.
Diretor: George Seaton. Elenco: William Holden, Lilli Palmer, Hugh Griffith, Wolfgang Preiss, Werner Peters, Klaus Kinski, Eva Dahlbeck.
Sinopse: Uma história real. Eric Erikson é um sueco, homem de negócios, que se faz passar como amigo dos nazistas para poder espionar para os aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
Comentários: Foi sucesso na época através da Paramount este competente drama de guerra, onde é preciso se acreditar que o muito americano Holden (1918-1981) é um empresário sueco que desiste de seu passaporte americano e se passa por espião. O filme mistura técnicos americanos (o músico Alfred Newman, a figurinista Edith Head) com os europeus (o fotógrafo Jean Bourgoin, a diretora de arte Ellen Schimdt).
Rodado na Alemanha, Suécia e Dinamarca, com elenco europeu (destaque para a excelente Lilli Palmer, cuja última cena no filme é muito eficiente). Descreve as atrocidades nazistas, evitando a caricatura (era uma época em que o público preferia escapismo tipo Os Canhões de Navarone), mas já descreve jogadas (como homens de negócio alemães se preparando para mudarem de lado e fazendo ofertas para os americanos).
Como era costume no cinema americano da época, a reconstituição de época não era muito fiel, principalmente em penteados e roupas (em geral, reflete mais a época em que foi feito). A atriz de Bergman Eva Dahlbeck faz a esposa de Eric que o rejeita quando acha que ele é colaboracionista. Uma boa historia numa trama ainda intrigante e não refeita recentemente. Sem extras.
Zaroff, o Caçador de Vidas *** The Most Dangerous Game

Áudio: Ing. Leg: Port. Aventura. Standard. 63 min. PB e Cor. 1932. EUA. Flashstar. 10 anos.
Diretor: Ernest B. Schoedsack, Irving Pichel. Elenco: Fay Wray, Joel McCrea, Robert Armstrong, Leslie Banks, Noble Johnson, Steve Clemente.
Sinopse: Um famoso caçador é o único sobrevivente de um naufrágio e vai parar num castelo de um Conde cossaco que obriga a ele e uma jovem a servirem de alvo para sua caçada humana.
Comentários: Já existia a cópia da Magnus Opus, em 2005. Mas esta aventura com toques de terror é mais bem cuidada, trazendo duas versões, a original em preto e branco e a colorida. Procura chamar a atenção até na capinha para a presença dos efeitos especiais de Ray Harryhausen (que dá depoimento nos extras junto com depoimentos sobre o grande compositor Max Steiner e do produtor Ernest B. Schoedsack, o mesmo de King Kong).
Muitas vezes copiado (entre eles, A Fera Humana/A Game of Death, 1945; Dois Destinos Se Encontram/A Run for the Sun, 1956) e refeito, este filme clássico da RKO, foi realizado por um dos coautores de King Kong, pouco antes daquele filme e com os mesmos atores (Fay e Armstrong). Embora menos célebre é igualmente fundamental, contando de forma sucinta a história da inversão dos papéis, o caçador que vira caçado (e não deixa de ter a frase: “agora eu sei como os bichos se sentiam”!).
Utilizou os cenários de selva já existentes para A Ave do Paraíso e o simultâneo Kong do mesmo estúdio, mas construiu uma interessante fábula sobre um cossaco louco, Zaroff, que provoca naufrágios só para ter o prazer de caçar humanos. Como o vilão estreia do inglês Leslie Banks, que tinha um lado do rosto paralisado como efeito da luta na Primeira Guerra.
A Noiva do Monstro ** Bride of the Monster
Áudio: Ing. Leg: Port. Terror. Standard. 69 min. PB e Cor. 1955. EUA. Flashstar. 14 anos.
Diretor: Ed (Edward)D. Wood Jr. Elenco: Bela Lugosi, Tor Johnson, Loretta King, Tony McCoy, Harvey B. Dunn.
Sinopse: Dr. Eric Vornoff, isolado em sua mansão em ruínas, no meio do pântano, planeja a criação de um raça de superhomens atômicos que irão dominar o planeta. Seu assistente Lobo captura uma jovem repórter para servir de cobaia.
Comentários: Uma capinha caprichada não consegue esconder o fato de que se trata de um filme de terror do pior diretor de todos os tempos, Ed Wood (sua vida foi filmada por Tim Burton com Johnny Depp) e com o célebre criador de Drácula no palco e no cinema, Bela Lugosi (1881-1956), já decadente, drogado e perto da morte. Então melhor não levar a sério e, se gostar deste tipo de trash meio ingênua, rir com ela.
Toda a produção é paupérrima, e o produtor (que deu a grana) insistiu que acabasse com explosão atômica para servir de aviso dos perigos de uma guerra apocalíptica.
Curiosamente foi o único sucesso de bilheteria da carreira de Ed Wood. O polvo foi roubado dos estúdios da Republic onde foi usado no filme de John Wayne, No Rastro da Bruxa Vermelha.
O efeito aqui é impagável. Tony McCoy estrelou como herói porque seu pai foi um investidor na produção. Começou a ser rodado como Bride of the Atom, mas foi interrompido depois de três dias por falta de grana. Apesar de tudo, Lugosi ainda mantém um pouco de seu carisma. O DVD traz trailers, entrevista com Lugosi. Sai em duas versões, original em preto e branco e a colorizado.
Allonsanfan *** Idem
Áudio: Itália. Leg: Port. Drama/Romance. Widescreen. Cor. 1974. Itália. Paragon.105 min.10 anos.
Diretor: Irmãos Taviani. Elenco: Marcello Mastroianni, Minsy Farner, Lea Massari, Laura Betti, Claudio Cassinelli, Benjamin Lev, Michael Berger.
Sinopse: Em 1816, quando o império de Napoleão está se acabando, o aristocrata Fulvio Imbriana, acusado de conspiração numa irmandade secreta é solto da prisão. Tenta voltar a família, mas sua namorada Charlotte e ex-companheiros tomam parte numa causa revolucionário no sul da Itália.
Comentários: O título são as duas primeiras palavras da famosa canção revolucionária A Marselhesa, hino nacional da França. Este foi um dos primeiros filmes dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani , na verdade feito antes do êxito deles em Cannes como Pai, Patrão (77) e exibido aqui posteriormente.
Assim se pode fazer mais justiça a este filme difícil historicamente (fala de assuntos pouco conhecidos entre nós), sobre a crise de um líder anarquista que deseja se aposentar, tenta se esconder, mas os amigos insistem em que ele continue. Como sempre uma grande intepretação de Mastroianni que chega a levar a alguns momentos emocionantes.
Reflete a desilusão dos revolucionários quando a aristocracia volta a tomar o poder depois da queda de Napoleão, que difundia os princípios da Revolução Francesa (hoje não é muito diferente, mal comparando). Trilha musical criativa do grande Ennio Morricone.
Serenata * Idem
Audio: Ing. Leg: Port. Drama/Musical. Standard. Cor. 1956. EUA. Classicline.122 min.14 anos.
Diretor: Anthony Mann. Elenco: Mario Lanza, Joan Fontaine, Sarita Montiel, Vince Edwards, Vincent Price, Joseph Calleia, Harry Bellaver.
Sinopse: Um rapaz que trabalha em vinhedos é descoberto como cantor lírico por uma mulher rica que se torna sua amante e tenta transformá-lo em astro da ópera. Mas ele é ciumento e arruína tudo fugindo para o México, onde encontrar outra mulher.
Comentários: Originalmente da Warner, este filme raro sai aqui em cópia muito ruim, escura, extraída de VHS. Seria uma pena caso não fosse também o pior trabalho da carreira do tenor Mario Lanza (1912-1951), que está gordo, canastrão, com um penteado ridículo (ele havia sido dispensado da Metro, que o transformou em astro por causa de seus ataques de estrelismo e o peso que flutuava. Ainda faria mais dois filmes com a Metro depois deste, antes da morte prematura aos 38 anos, reza a lenda que assassinado pela máfia, a quem havia recusado aparecer numa festa deles!).
O triste é que também é o pior trabalho do grande diretor Anthony Mann (1906-1967), que não sabe enquadrar, deixa as cenas pesadas demais e não tem o menor talento para musical. Ao menos saiu dali casado com a espanhola Sara Montiel (ou Sarita, que era o nome dela usado no México, aqui está dublada por outra em inglês e não canta como faria depois ao se tornar realmente estrelissima na Espanha após La Violetera).
O curioso é que a história é baseada em obra do famoso James Cain (mestre do policial noir como em Pacto de Sangue, Mildred Pierce/Alma em Suplício, O Destino Bate a Sua Porta). A estrela Joan Fontaine (ainda viva), parece ausente, muito elegante, mas sem demonstrar emoções, posando de mulher fatal. Mann sairia do filme casado com Sara Montiel (o casamento durou de 57 a 63). Lanza canta muita ópera e até Ave Maria, de Gonoud.
Veja mais:
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7















