31 março 2011 às 06:00
Estreia – Fúria sobre Rodas
Fúria sobre Rodas (Drive Angry).
EUA, 11. Direção de Patrick Lussier. Com Nicolas Cage, Amber Head, William Fichtner, Tom Atkins,Billy Burke, David Morse, Todd Farmer. Warner. 104 min.
Fui assistir a pré-estreia deste filme crente que era o de Vin Diesel, que tem um título que eu achei parecido (Velozes e Furiosos - Cinco) - na verdade pouco a ver! De repente tive um susto quando vi o Nicolas Cage dando tiro na cara da gente e reconheci justamente este Fúria sobre Rodas de que eu tinha visto trailer e jurado não assistir. Ao menos não numa sala de manhã cedo! E para pagar os meus pecados que devem ser muitos, não ficou por menos: é um dos piores filmes que já assisti de todos os tempos. Grosseiro, violento, ridículo, mal feito, mal dirigido e nem que deve ter valido para salvar um dos castelos de Cage. Nem isso é desculpa para se meter num desastre destes.
Tuna Dwek, que estava ao meu lado, tem razão quando classificou o filme como imitação daqueles de Robert Rodriguez (só que sem senso de humor, um detalhe que perdoaria muita coisa).
Este diretor incompetente chamado Lussier fez antes coisas como montador (Pânico e Vôo Noturno), e como diretor o fraco Dia dos Namorados Macabro, um tal de Luzes do Além (White Noise 2, que não vi). Quem produziu foi Michael de Luca (que já chefão da New Line se fundiu com a Warner) certamente na esperança de que lembrasse um êxito de Cage, Motoqueiro Fantasma (07).
Embora o trailer revele o possível mistério, o filme demora um pouco mais para identificar de quem se trata aquele sujeito chamado Milton que aparece sem mais nem menos nas estrelas de Oklahoma e cercanias. E que é seguido por outro ainda mais esquisito, que se passa como sendo do FBI e que diz ser o contador (Fichtner). Milton seria uma espécie de fugitivo do inferno que voltou à terra para se vingar de um fanático religioso messiânico que mata mães para ficar com os filhos e os sacrifica em noite de lua cheia (Billy Burke, que faz o xerife pai da heroína em Crepúsculo). Acontece que a mulher e a filha foram vítimas desse maluco e para chegar ate ele, vai liquidando marginais e policiais no caminho (será que matar inocentes também faz parte da missão ou é melhor não tocar no assunto?).
Feito em 3D, este é o tipo de fita que joga coisas para a tela o tempo todo e enfia pedaços de pau nas peças só para se ver depois o efeito que isso faz na tela grande. Mas a foto é feia, não é widescreen e mesmo as perseguições de carro são banais. Não posso deixar de contar para vocês a sequência mais ambiciosa e comentada, que é quando Milton enfrenta meia dúzia de bandidos e os liquida a tiros, sem interromper a relação sexual que está tendo com uma loira naquele momento ( e que pelo jeito dela está gostando muito!). Descrito assim poderia ser um momento no mínimo clássico e despudorado, mas o problema é que não resulta.
Fúria faz todo o possível para ser trash, para provocar o riso pelas razões erradas (ou seja, de tão ruim vira comédia), mas nem isso consegue. Poderíamos escrever um tratado sobre os erros que vão da peruca de Cage (sempre um caso à parte) a pretensiosa entrada em cena de David Morse (como se ele fosse alguém) ou reclamar da sangreira e da baixaria (excesso de palavrões). Mas nem é preciso porque o filme foi um desastre lá fora (custou cerca de US$ 50 milhões e não rendeu mais do que US$ 10!), o que deve se repetir por aqui. E que as coisas do inferno permaneçam por lá!
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