24 abril 2011 às 06:00
Lançamentos em Blu-ray para a Páscoa
Disponível no Brasil: A Bíblia..No Início
Fox. 174 min. Wide 2.20. Bíblia... no Início, A La Bibbia. The Bible... In the Beginning.
Áudio: Inglês, espanhol, português e outras línguas não identificadas na capinha. Legendas: Português, espanhol, inglês e outras. Drama Bíblico. Cor. Ano: 1966. Itália/ EUA. Livre.
Diretor: John Huston
Elenco: Michael Parks, Ulla Bergryd, Richard Harris, Franco Nero, John Huston, Stephen Boyd, George C. Scott, Ava Gardner, Peter O'Toole, Zoe Sallis, Gabriele Ferzetti, Eleonora Rossi Drago e Pupella Maggio.
Sinopse: A história da primeira parte do livro do Gênesis, da Bíblia, o início do mundo e da humanidade.
Comentários: Uma super produção do italiano Dino de Laurentiis, que resume o livro do Gênesis, ou seja, o começo da humanidade segundo a Bíblia. O projeto original era pedir para cada diretor famoso realizar uma parte do livro (como Bergman, Kurosawa, Fellini), mas este foi o único realizado.
Na verdade, o projeto começou pelo diretor francês Robert Bresson, que no primeiro dia de filmagem se limitou a filmar pegadas de bichos. Por isso foi despedido e substituído por Huston, que seis meses depois assumiu também como narrador e Noé (depois de não ter conseguido Chaplin para o papel).
O longa foi rodado nos estúdios italianos de Cinecittà com uma excelente equipe técnica e por isso resistiu bem ao tempo e fica ainda mais bonito nesta edição com enorme nitidez (o fato é que no Brasil sempre assistimos os filmes em condições precárias, projeções horríveis, cópias ruins e por isso chega a ser um choque observar detalhes e sutilezas até então novidades para a gente).
Este filme resiste muito bem aqui, embora o diretor Huston deva ter ficado cansado com tão longa produção (ele era o famoso preguiçoso!) e vai desleixando na parte final, que se alonga demais. Na verdade, a sequência em que os dois anjos (Peter O´Toole) vão visitar Lot na cidade de Sodoma, é das piores coisas já vistas. A direção de arte é inexistente e colocaram um monte de gente feia numa orgia sem sentido (como montar num bode) com dezenas de travestis agindo estupidamente (chega mesmo a ser ofensiva). Mas o jeito é achar patético e ridículo e ir em frente.
É importante destacar a qualidade da trilha musical, indicada ao Oscar, de Toshiro Mayuzumi, que trabalhava para Ozu e que teve a ajuda de Ennio Morricone.
Começa com a criação do mundo, toda alegórica, depois vai para Adão e Eva, bastante despidos para a época e feito por estreantes, o americano Michael Parks (que teria sua carreira destruída pelas drogas, mas voltaria com Tarantino com Kill Bill) e a sueca Ulla (só fez mais um filme e sumiu). Mas os dois estão bonitos e adequados no filme.
Dá para curtir o Jardim do Éden cheio de animais, uma serpente (feito por bailarino que não era Nureyev como se dizia na época), a Árvore do Conhecimento e depois a expulsão por causa da maçã. Tudo literal e a sério. Segue-se a história curta e direta de Caim e Abel, os irmãos, o bom e o mau, feitos por Richard Harris e Franco Nero, seguido pelo visualmente forte A Torre de Babel com Stephen Boyd (todo maquiado) e o longo zoológico ambulante que se torna a Arca de Noé (as crianças adoram e funcionam como alivio cômico).
Depois veio o intervalo e como manda o figurino, o filme traz as músicas de ouverture, final e intervalo. Retoma com a Saga de Abrahão vivido por George C.Scott com a já senhora mas ainda bela Ava Gardner como sua mulher Sara (na época, os dois tiveram um comentado affair regado a bebedeiras e brigas). É quando se aproveita para enxertar Sodoma, a mulher de Lot que vira sal (a já falecida estrela italiana Eleonora Rossi Drago) e finalmente o sacrifício do filho. Ou seja, vai piorando.
A edição traz apenas trailer, mas o filme resiste melhor do que se poderia esperar. Foi originalmente rodado num sistema chamado Dimension 150 de negativo de 70 milímetros, mas para ser exibido em tela curva! (só este filme e Patton usaram o sistema logo abandonado).
Disponível nos EUA em Blu-ray:
King of Kings (O Rei dos Reis).
Áudio: Francês, inglês (DTS). Legendas: Inglês, espanhol, francês. Drama Bíblico. Widescreen 2.41. Cor. 171 min.
1961. EUA/Espanha. MGM/Warner.
Diretor: Nicholas Ray
Elenco: Jeffrey Hunter, Orson Welles (narrador não creditado), Sibohan McKenna, Hurd Hatfield, Ron Randell, Viveca Lindfors, Rita Gam, Carmen Sevilla, Brigid Bazlen, Harry Guardino, Rip Torn, Frank Thring, Guy Rolfe e Robert Ryan.
Comentários: Foi o lendário produtor Samuel Bronston (de El Cid, A Queda do Império Romano) quem produziu na Espanha (com locações e muitos atores locais), esta fita classe A, rodada em esplendidas locações e com muitos recursos (o segredo dele era usar os fundos dos estúdios de dinheiro que foi retido no país pelos impostos, não podiam exportar essa grana que tinha que ser usada em produção na própria Espanha, então sob a ditadura de Franco).
O roteiro é de Ray Bradbury (não creditado, ele teria feito a narração) e Philip Yordan. Foi ousado na época porque foi o primeiro filme americano a mostrar claramente o rosto de Jesus Cristo (até então por respeito, ele era mostrado nas sombras, de lado, de costas). Foi escolhido para interpretá-lo o jovem e bonitão Jeffrey Hunter, que mais parecia um atleta all-american (ele morreria cedo numa queda em casa, em 1969, com apenas 43 anos, mas o papel não ajudou sua carreira, nessa altura já estava perdido fazendo faroestes spaghetti na Europa).
A verdade é que o diretor Nicholas Ray (de quem falamos recentemente aqui sobre Bigger Than Life), era um mestre dos enquadramentos em formato Scope, hoje chamado Widescreen. Tinha um especial gosto para composições e também gostava de ousadias. Aqui, por exemplo, ele tentou uma coisa inédita e ainda não copiada. Ele, em algumas cenas, dividia a tela em duas partes, colocando num dos lados um close de algum ator/personagem e no outro, alguém em plano médio. Dando uma impressão estranha, mas forte (na época achava-se que a tela era tão grande que não se podia dar closes dos atores que seria assustador e inapropriado. Ray foi um dos que quebrou essa regra absurda). Mas esta versão atual é restaurada, usando ao máximo a qualidade do original em negativo de 70 milímetros e não se esquece de trazer as músicas de ouverture, intervalo e encerramento (a trilha musical de Miklos Rosza é excelente e monumental).
O roteiro é especialmente curioso porque começa quando os romanos invadem a Galiléia e tomam de assalto o templo dos judeus achando que haveria tesouros. Depois começa mostrando a vida de Jesus Cristo desde seu nascimento e a visitação dos três reis magos (mas o pai José aparece pouco e Maria, interpretada por uma atriz teatral irlandesa, se limita a sorrir e parecer compreensiva, sem grandes intervenções). Em compensação, há um centurião romano (o australiano Randell, muito fraco) que será testemunha de tudo, participando da vida nos palácios, primeiro de Herodes Antipas (feito por ator muito afeminado Thring) e depois por Poncio Pilatos (outro que não escondia ser gay, Hatfield que o Dorian Gray do filme da Metro).
O grande problema do filme é o elenco irregular e mal escolhido (Ryan faz sem empolgação João Batista, Rip Torn é Judas, ridiculamente maquiado, Harry Guardino não tem tipo nem corpo para ser Barrábas). E as mulheres servem para exibir seu tipo exótico (a dançarina espanhola Carmen Sevilla faz Maria Madalena em poucas ceninhas fugindo de qualquer polêmica e dublada por outra). Reparem como Jeffrey, que tinha olhos lindos, também foi obrigado a usar um nariz falso (o dele natural era curto demais), que a alta definição não consegue esconder a maquiagem. Infelizmente ele não tem fôlego para o personagem, se perdendo no sermão da montanha e momentos mais dramáticos (Agnes Moorehead o ajudou na dublagem mas não deu certo).
A paixão e tortura de Cristo, ao contrário do filme de Mel Gibson, é mostrada rapidamente, assim como a agonia na cruz e a sua ascensão aos céus, inclusive usando sombras. Vejam que loucura: a cena da crucificação teve que ser refeita porque a plateia se ofendeu porque Jeffrey (aos 35 anos), ou seja, Cristo tinha pelos no peito! Pois teve que raspar. Vale pelo visual e pela trilha musical.
Extras: cenas das premiéres e raro documentário sobre a filmagem do sermão. Durante a filmagem do sermão da Montagem, o diretor de fotografia Franz Planer sofreu enfarte e morreu poucos anos depois!
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