28 abril 2011 às 06:00
Estreia – Como Você Sabe
Como Você sabe (How do You Know)
EUA, 10. Direção de James L. Brooks. Sony. Com Jack Nicholson, Owen Wilson, Reese Witherspoon, Paul Rudd, Andrew Wilson, Kathryn Hahn e Tony Shaloub. 121 min
Este é mais um tremendo fracasso do diretor James L. Brooks que há muitos anos atrás ganhou todos os Oscars por seu filme Laços de Ternura, e depois encheu o bolso de grana com o megasucesso de sua série de TV de animação, Os Simpsons. Ele é capaz de fazer boas comédias sobre os bastidores da televisão (como Broadcast News) e até um filme brilhante como Melhor é Impossível (que deu o terceiro Oscar a Jack Nicholson). Mas também intercalou besteiras como o fracassado Disposto a Tudo (94) com Nick Nolte e o mais recente, Espanglês (04), uma boa ideia desperdiçada.
O problema é que este seu novo filme não é exatamente ruim, ele passa em branco, não existe, não acontece. Nada pior do que uma comédia que não faz rir, um showcase para o talento onde ele não comparece (por incrível que pareça nem mesmo Nicholson que parecia irresistível em qualquer coisa desta vez não faz nem suas notórias caretas). O fato é que algo deu errado, é demorado, repete muita cena, muda a ideia, e não dá para fazer a autopsia (a palavra é forte porque o filme custou cerca de 130 milhões de dólares e não rendeu mais do que 30 no mercado americano). Aqui não vai além das pernas.
Talvez eu possa ter preconceito porque nunca gostei da Reese Witherspoon (pior em Água para Elefantes), e muito menos acho maior graça em Owen Wilson, que faz o tipo relaxado em tudo que é filme da mesma maneira. Tampouco curto Paul Rudd, um baixinho gordinho que insistem em colocar agora como galã e amigo do mocinho. Reese faz Loise, uma jogadora de softball que aos 31 anos esta vendo sua carreira chegar ao fim (isso podia dar um filme interessante, os problemas dos atletas que não deram certo, mas não é este aqui). Primeiro ela encontra George (Rudd), que tem problemas com o pai que é seu patrão (Nicholson, em seu momento mais fraco em recente memória, há muito tempo). E que também está sofrendo uma investigação federal. Ou seja, não é o momento adequado para se enamorar.
Logo aparece no campo dela um jogador bem sucedido e riquíssimo (Owen) que não entende muita coisa de coisa alguma e tenta compensar isso com energia e boa vontade. Forma-se o triângulo, mas os diálogos são banais, as situações tolas, sem propósito ou urgência.
O filme é uma pasmaceira assustadora. Você começa a teclar no celular (por favor, evite isso!), olhar para os lados, pensar em ir embora. Ou os mais criativos podem imaginar a infinidade de coisas a fazer quando se têm um contrato com Jack Nicholson, os inúmeros momentos em que ele daria show. Nenhum deles aqui. Não serve nem de consolo os milhões que perderam com o filme. Nessa hora de angústia não dá para ser generoso. É uma perda de um precioso tempo, nosso e deles.
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