28 abril 2011 às 06:00
Estreia – Thor
Thor (Idem). EUA, 11.
Direção de Kenneth Branagh. Com Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston , Stellan Skarsgard, Colm Feore, Ray Stevenson, Anthony Hopkins, Rene Russo, Kate Dennings, Adriana Barraza. Paramount.114min.
O trailer fazia prever o pior, mas felizmente este primeiro candidato a blockbuster da temporada, e o primeiro de uma leva de super-heróis que está a caminho, é menos ruim do que se esperava. Dá para se assistir sem se ofender (ou seja, não é tão decepcionante quanto O Besouro Verde), mas ainda dá margem para ter esperanças no que vem por aí.
O trailer dava a impressão de que a escolha do protagonista havia sido um desastre com o australiano Chris Hemsworth (favor não confundir com o irmão mais novo dele, que é o Liam Hemsworth, que fez A Última Canção e Presságio, esse sim com olhos ainda menos expressivos e pouca experiência). O Chris tem um 1,91 de altura, certa idade (é de 1983) e desde os tempos do Mr. Universo Steve Reeves, nos anos 60 (Hércules) e Schwarzenegger não tinha visto na tela alguém tão bombado (talvez até demais), embora o filme só deixe isso ser revelado numa única cena (o rapaz assusta de tão forte).
Não é exatamente bonito, tem os olhos pequenos e fundos, a pele ruim (uma camada espessa de make up parece esconder alguma coisa, ao que parece uma cicatriz na bochecha direita), traços grosseiros e Brad Pitt pode ficar sossegado com a concorrência. Mas nada grave, porque Chris só tem que gritar muito, parecer pretensioso e grosseiro (uma das coisas mais fracas do roteiro é a mudança desse príncipe arrogante que de uma hora para outra vira um cavalheiro).
Um dos problemas do filme ficou por conta da direção de arte ou desenho de produção se preferirem, o que pode se atribuído aos produtores Kennedy e Marshall (M. Night Shyamalan assina num folheto que a Paramount entregou, mas espero que seja erro de impressão). Ou ao diretor Kenneth Branagh, o Wallander (o ator inglês Tom Hiddleston para ser o vilão Loki, o irmão mau é seu companheiro de elenco nessa série de TV), que antigamente queria ser o novo Laurence Olivier fazendo adaptações shakespearianas, mas deve ter decidido ficar rico e vender a alma ao diabo (o mais perto que havia chegado antes de super espetáculo com efeitos foi sua versão de Frankenstein, com Robert DeNiro).
Enfim, alguém ter que ser culpado por deixar criar imagens tão feias e infelizes quanto as que foram inventadas para o planeta natal de Thor, o reino celestial de Asgard, meio retrô, meio órgão de igreja, repleto de chifres e infeliz combinação de cores. Um desastre. Enquanto está nas mãos de Thor e seus parceiros na terra, na cidadezinha no deserto do Novo México, o filme até se segura, chega a ter alguns momentos bem divertidos e bem-humorados.
Mas é feio voltar ao espaço e ter que ver os embates entre o pessoal de Asgard e o povo do Gelo, numa sucessão de intrigas e traições palacianas, intercaladas por conflitos e lutas estilo Video Game. De qualquer forma já que se tem que fazer um resumo, é preciso dizer que Thor vem banido para a Terra porque é belicoso e provocou uma quase guerra total contra os vindos de Joruheim. Isso desagradou o pai Odin (Hopkins, num daqueles personagens que vem arruinando sua carreira) e sua mulher (a volta de Rene Russo, que entra muda e sai - quase - calada). E deu chance para subir ao poder ao filho invejoso estilo Caim (Tom).
Thor chega à terra de mau humor e sem o Martelo, onde concentra seu poder, mas em compensação é auxiliado pela jovem cientista Natalie Portman (que continua linda, mas que nunca deveria ter aceito papel tão secundário como este).
Importante é que o filme já vai dando dicas de que Thor fará parte das aventuras dos Avengers (Os Vingadores), sendo que os corajosos que ficarem depois dos letreiros intermináveis poderão observar uma ceninha com Samuel L. Jackson como Nick Fury. Antes disso, na cena em que Thor tenta libertar o martelo, quem prestar atenção verá também um detalhe de Jeremy Renner, que será o Hawkeye.
Tem pontinha de Stan Lee como de costume, mas agora percebo que houve outra coisa que me deixou grilado. Até no release Lee diz que criou Thor como “um Deus que foi trazido à terra”, o que não esta no filme.
Enfim, quadrinhos continua a não ser meu forte. Vou a esse tipo de filme para me divertir, curtir ou não. Já vi melhores que Thor. E também piores.
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