30 abril 2011 às 06:00
Coluna de DVD e Blu-ray
Lançamentos
Um Caminho para Dois ***** Two for the Road
Áudio: Inglês. Leg: Inglês. Romance. Widescreen 2.35 - Cor. 111 min. 1967. EUA/Ingl. Versátil. 14 anos.
Diretor Stanley Donen. Elenco: Audrey Hepburn, Albert Finney, Eleanor Bron, William Daniels, Jacqueline Bisset, Claude Dauphin, Nadia Gray.
Sinopse: Um arquiteto e sua mulher viajam de carro pela França relembrando os 12 anos de casamento e viagens.
Comentários: Finalmente vai sair agora dia 4/5 pela Versátil, em versão restaurada (incluindo matéria sobre isso) esta obra-prima do diretor de Charada e Cantando na Chuva. Um brilhante e criativo roteiro de Frederic Raphael (autor de Darling) que foi indicado ao Oscar, com fotografia super rebuscada e muito na moda de então de Christopher Challis e trilha musical antológica de Henry Mancini.
Dentre outras coisas este foi o filme que revelou Jacqueline Bisset e que lhe deu um contrato com a Fox (ela faz uma colega de Audrey que fica doente e abandona a excursão dando a chance para a heroína encontrar seu futuro marido). Durante as filmagens Audrey e Albert tiveram um romance.
Na cópia dublada para a TV, por causa da censura na cena final mudaram o diálogo, quando ele procura o passaporte e descobre que ela o guardou como sempre, lhe diz “bitch”. Ela responde sorrindo “bastard”. Ficou na dublagem, “o que eu faria sem você”!. Resposta: “nada”.
Crítica: Um Mercedes branco esporte para em frente a uma igreja. O casal dentro do carro espia os noivos saindo e comenta: “Por que será que eles parecem tão tristes? E o marido responde: “É lógico, acabaram de se casar!”. Assim começa Um Caminho para Dois, um dos filmes mais inteligentes, inovadores, humano, sensível, moderno e, felizmente cult (porque na estreia não teve o sucesso que merecia).
Um filme que deveria ser obrigatório para todo mundo que foi ou vai ser casado. Que sabe fazer rir, chorar, provocar sentimentos contraditórios na gente. Esta é a tragicomédia de um casamento. As alegrias, misérias, pequeninas perversões, a imensa doação que é um casamento. O riso, a lágrima, o rancor, o conhecimento total de alguém, o fundo amargo do copo depois que os convidados foram embora. O levantar de cada manhã, o rombo no orçamento do mês, a solidão compartilhada.
O sentimento de intimidade sufocada que une Martha e George no fim de Virginia Woolf, é semelhante ao amor de nossos heróis, Joanna e Mark. Atrás do insulto, da aceitação do outro, não um amor technicolorido, mas um amor total completo.Um Caminho para Dois também é um filme completo. Rompe totalmente com as regras clássicas de tempo, espaço e lugar.
Acusaram-no de ter sido influenciado por Alain Resnais e Um Homem, uma Mulher de Lelouch. Possivelmente foi verdade, assim como é precursor do gênero road-movie. Não há mal nenhum nisso. Donen extraiu deles o que havia de melhor, uma forma nova de narrar, mais moderna, mais adulta, e mesmo para a época bastante ousada.
Mesmo as leis preconceituosas do flashbacks caem por terra. Joanna ao recordar seu casamento, não segue uma linha cronológica dos acontecimentos. De acordo com sua lembrança, ela volta ao passado, retorna ao presente, muda de época e situação conforme faria qualquer pessoa.
Falávamos em inteligência e o script está repleto de boas ideias: o casal americanos, os Maxwell, a mais perfeita caracterização de um personagem-padrão, os americanos típicos. Ou a motivação do passaporte que o marido vive perdendo (ele reclama: “detesto mulheres indispensáveis”).
O incêndio no carro MG, a refeição na cama. E a melhor piada do filme. Quando Finney diz que, apesar da emancipação toda, a mulher americana deseja o mesmo que sua mulher desejava. E Audrey lhe dá uma banana a fruta, não o gesto.
Todos os elogios são poucos para o roteiro de Raphael, a trilha Cult, a direção do sempre talentoso Donen, que tem aqui um trabalho irrepreensível. Não existiria porém a fita se não fossem, os dois monstros sagrados, o inglês Finney e a magnífica, feminíssima, super chique Audrey ( 1919-83), em seu último grande momento de estrelato (sempre vestida por Givenchy que desta vez ainda se supera!).
Além de alguns excelentes coadjuvantes (como Eleanor Bron, de Help).“Que espécie de gente fica sentada junto e nem ao menos tentar conversar” Gente casada, responde o filme. Um Caminho para Dois é a própria tragicomédia da condição humana da vida a dois. Texto sobre Vida e obra de Donen, trailers.
Ladrões *** Takers
Áudio: Port, Inglês, Esp, Tai- Leg: Inglês, espanhol, chinês, coreano, tai, Ingl. Comédia. Widescreen 2.40- Cor. 107 min . 2010. EUA. Sony. Censura 16 anos.
Diretor: Will Gluck. Elenco: Paul Walker, Matt Dillon, Hayden Christensen, Chris Brown, Michael Ealy, Idris Elba, Steve Harris, T.I., Jay Hernandez, Zoe Saldana, Jonathon Schaech, Marianne Jeanne Baptiste.
Sinopse: Depois de realizar uma série espetacular de assaltos a bancos brilhantemente planejados, uma quadrilha tenta dar um último golpe para levar US$ 25 milhões.
Comentários: Embora não tenha sido lançado em nossos cinemas (onde há pouco espaço para fitas de ação como esta), esta produção da Screen Gems (subsidiaria da Columbia Sony) é melhor do que aparenta e seu resultado fez com o diretor John Luessenhop (que tinha feito antes apenas Lockdown, 2000), fosse convidado para dirigir o novo O Massacre da Serra Elétrica.
Não é muito, mas já dá indicações de como este filme B foi bem recebido (custou cerca de US$ 20 milhões e rendeu por volta de 57!).
Com um elenco interessante de brancos (Paul Walker, Matt Dillon) e muitos rappers. Tem certos requintes (personagens que levam nomes de prisão, as primeiras falas entre Elba e Walker são as mesmas que suas últimas).
A crítica chegou a fazer comparações com Heat/Fogo contra Fogo e o estilo do diretor Michael Mann em mostrar Los Angeles porque no fundo é um duelo entre um sério e determinado detetive de los Angeles (Dillon), que fará tudo para prender e destruir a quadrilha liderada por Elba. Realizado com certo estilo (os ladrões são especialmente elegantes) e algumas boas cenas de ação (sempre a beira do exagero), o filme não foge de clichês (Dillon destrói o casamento por causa de sua obsessão não dando atenção para a filha) e tem um assistente (Jay, que tem filho doente).
A trama é levada pela saída de um cara da prisão (feito por Tip Harris, outro rapper) que domina suas cenas com total carisma (Zoe Saldana, que faz sua namorada tem poucas cenas).
Se o filme é discreto na primeira hora logo esquenta com traições, tiroteios e perseguições. Mas teve muita gente que achou tudo isso “cool”: diálogos fracos, mas tudo muito estiloso.
Extras: Música Yeah Ya Know, de T.I. Comentários do diretor e produtor.
Um Jantar para Idiotas ** Dinner for Schmucks - (lançamento em DVD, aqui é comentada a edição em Blu-ray)
Áudio: Port, Frances, Inglês, Esp (e Inglês para cegos). Leg: Inglês, espanhol, Frances, Ingl.Comédia. Widescreen 1.78. Cor.114 min . 2010. EUA.Paramount. Censura 12 anos.
Diretor : Jay Roach. Elenco: Steve Carell, Paul Rudd, Bruce Greenwood, Stephanie Szostak, Jemaine Clement, Zach Galiafianakis, Lucy Punch, David Walliams, Ron Livingston, Kristen Schaal, Randall Park, Nick Kroll.
Sinopse: Para ter sucesso na empresa que trabalha Tim precisa encontrar o convidado perfeito paras o jantar do patrão. E parece tê-lo encontrado na figura de Barry, um sujeito que monta quadros com ratos empalhados!
Comentários: esta é a refilmagem americana do mais recente trabalho do Frances Francis Veber que desde A Gaiola das Loucas tem tido quase seu trabalho refeito nos EUA com resultados discutíveis.
Este originalmente chamado Le Diner des Cons/The Dinner Game (98, com Thierre Lhermite, Jacques Villeret e Francis Huster), era todo centrado num único cenário, basicamente um jantar onde um sujeito para agradar o chefe tinha que trazer o sujeito mais idiota que já conheceu. Não chegou a passar em nossos cinemas e em Portugal foi chamado de O Jantar dos Palermas. Saiu em DVD como O Jantar dos Malas e não teve maior repercussão.
Não era nenhuma maravilha, mas mesmo assim tinha uma certa moral sobre traição, tolerância, desejo e humilhação.
É superior a refilmagem que começa errando com o título original, já que schmucks é uma palavra iídiche (dialeto judeu nascido na Alemanha e hoje substituído pelo hebreu como língua de Israel, ou seja poucos o falam).
Com a filosofia de que tudo tem que ser maior e melhor, resolveram concluir com um banquete milionário e não um mero jantar, onde se reúnem uma dúzia ou o que valha de comediantes esquisitos e não muito conhecidos.
Já é meia irritante a parceira da dupla Paul Rudd (que é o "straight man", a escada, o Dean Martin para Carell fazer o Jerry Lewis, o palhaço). É preciso entregar no jogo deles, leva e traz que nem sempre funciona. Ao menos a dupla consegue dar uma certa humanidade ao que poderia ser apenas uma cruel caricatura.
Mas o filme degringola inteiramente quando no banquete aparece os tipos mais bizarros todos ansiosos para fazer rir a qualquer custo. Lucy Punch já é um caso perdido de falta de timing e sem graça, mas compete com um espadachim cego, um pseudo artista super sensual (Jemaine), um ventríloquo que uma mulher/esposa de madeira que o despreza, um cara que treinou um abutre, um bigodudo, um outro que diz que tenta controle da mente (Zach, que não é dos piores) e a mais engraçada uma negra que é médium de animais (quando parece receber um deles é bem engraçado).
Mas a maior parte deles fica perdido numa conclusão excessiva e delirante, que assusta ainda mais a plateia. Sacha Cohen iria fazer o papel central (acho que fez bem em largar, iria ainda ficar pior). Mas poderia funcionar como originalmente pensaram com Steve Martin e Bill Murray.Também tem um papel importante no filme os dioramas (espécie de quadros com cenas da vida com os ratos, que foram criados por três irmãos os Chiodos, especialistas em bonecos conforme mostra uma das matérias que fazem parte desta edição).
Tenta dar uma certa poesia mas não combina com o tom do filme. Fica desigual, incoerente e por vezes desagradável e mesmo ofensivo. Foi uma decepção de bilheteria lá fora e nem saiu aqui em cinemas. Mas não um desastre (chegando até aos US$ 78 milhões, provando que há gosto para tudo).
Extras: os mais idiotas do mundo (Making of), idiotices, cenas inéditas, os homens por trás das obras de ratos, conheça os vencedores e uma brincadeira de Paul e Steve, quando fizeram uma paródia de uma entrevista esportiva (famosa nos EUA, difícil de entender por aqui), mas que demonstra como eles podem ser bons com o material certo.
Segredos de um Funeral *** Get Low
Audio: Port, Ingl, Esp, Frances. Leg: Português, Espanhol, Inglês, Francês. Drama.Wide 2.35. 103 min. Cor. 2010. EUA. Sony. 12 anos.
Diretor: Aaron Schneider. Elenco: Robert Duvall, Sissy Spacek, Bill Murray, Lucas Black, Gerald MacRaney.
Sinopse: Velho solitário resolve fazer seu funeral quando ainda está vivo.
Comentários: Robert Duvall foi lembrado como melhor ator em drama para o Globo de Ouro. Mas o filme teve outras indicações: filme de estreante e coadjuvante para Bill Murray; filme, roteiro, atores (Duvall, Murray) para o Satellite Awards; Duvall para o SAG e críticos de Washington.
Ficou inédito em nossos cinemas e é bem interessante principalmente por causa da qualidade do elenco. Duvall (que completou 80 anos) sempre foi um ator austero, competente, ocasionalmente notável (como em Apocalypse Now). Pois pode colocar este entre seus melhores momentos. Ele faz um velho ermitão que vive recluso em seu rancho, durante 40 anos sem dar satisfação aos boatos que o cercam. Até quando resolve procurar um pastor para fazer um enterro com ele ainda em vida, ou seja, ele ouviria o que outros tem a contar sobre ele e ate sortearia entre os presentes, os direitos a sua terra (quando morresse). Quem o ajuda é o dono da funerária local (que vai mal) feito por Bill Murray a sério (na verdade, o filme não deixa cair na piada, nem na sátira, é quase uma crônica de tempos antigos, com certo humor mas de forma afetuosa, um trabalho difícil de conseguir principalmente porque é a estreia de um fotógrafo na direção, Aaron Schneider).
Mas Bill merece as indicações que teve. A história é inspirada em fatos reais, realmente existiu alguém assim no East Tennessee com um homem chamado Feliz Breazeale, e o roteiro segue mais ou menos fielmente a situação (teve mesmo música, rifa), mas parece que o filme se adéqua ao ator Duvall, preferindo uma solução mais sóbrio, que não chega a ser tão romântica quanto se suponha, quase trágica. Tudo não se perde por causa do nível geral do elenco (que traz ainda a eterna Carrie, a Estranha, Sissy Spacek). E outro momento excepcional para o veterano ator.
Extras: elenco e equipe perguntas e respostas, deep south - segredos enterrados, conhecendo os personagens, ponto de vista do roteirista, tapete vermelho, comentários do elenco central, diretor e produtor.
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