15 maio 2011 às 06:00
Livros EUA: I’m Over All That and Other Confessions
I´m Over All That and Other Confessions
Shirley MacLaine. Editora Atria. Memórias. 220 páginas.

Tenho sido estes anos todos, um ávido leitor dos livros de Shirley MacLaine (que saíram no Brasil pela Record ou Sextante). Acompanhando sua busca espiritual sempre interessante (ainda que por vezes ingênua). São 12 livros com este (confesso que o único que não tive coragem de ler foi aquele onde ela contava que conversava com seu cachorrinho, até para um fã como eu era um pouco demais).
O fato é que agora já com 77 anos (completados agora em abril) ela não tem muito mais nada de novo a dizer. Ficou senhora e não tem também muito saco com mais nada. E o título do livro quer dizer justamente. Algo como, não estou mais nessa, para mim certas coisas se acabaram. Perderam o interesse.
Então quando pegar o livro você terá uma sucessão de pequenas crônicas que vão demonstrar as coisas que ainda a interessam. Por exemplo: "Eu ainda tenho a vontade de saber mais", "Nunca vou deixar de tentar entender homens e mulheres, especialmente num set de filmagem", "Nunca vou desistir da África", "Ainda quero fazer dinheiro", "Não superei ainda a vaidade, mas estou tentando"; "Ainda acho importante uma boa Iluminação" (se referindo ao uso da luz no cinema ou trabalho), "Só tomo antibióticos se estiver morrendo".
Ou negativos: "Não me interesso mais por:", "Não aguento mais pessoas que ficam se repetindo", "Estou quase perdendo a paciência de ver noticiários de TV", "Não quero saber mais de política", "Não aguento jovens que são mal educados", "Não faço questão de família em dias de Festa".
Ou genéricos: "Não me preocupa mais com o que não devo fazer, estou cansada do medo ser ensinado em nome da religião", "Não aguento pessoas que não sabem que todo mundo esta representando o tempo todo". E assim por diante, sendo que o último capítulo diz sintomaticamente: Ainda não se acabou!
O que o livro pretende mostrar é que com a maturidade e velhice, começamos finalmente a entender aquilo que realmente é importante para nós e aquilo que realmente não faz diferença. Mas continua lúcida e batalhadora (na época do governo Bush somatizou as coisas que ele fazia de forma que ficou mesmo sofrendo de asma, por três vezes quase morreu sufocada).
Shirley critica o veneno das celebridades ("Por que, se pergunta, tanta gente quer ser famosa quando eles veem como é fácil a fama destruir sua vida?"), a mania de ser educada com os chatos ("Se eles não param de falar, entro num transe e começo a meditar"), como é envelhecer em Hollywood ("Como é melhor e mais pacífico não ter que parecer mais bonita ou ser magrinha!").
Reclama da vaidade dos colegas ("A vaidade dos atores é uma muralha impossível de escalar"), elogia os shows ao vivo ("Sim, é melhor do sexo") e dita algumas regras ("O medo é a mais poderosa arma de destruição em massa").
Claro que fala muito de Hollywood, por vezes reciclando velhas histórias sobre Hitchcock, Elizabeth Taylor, Frank Sinatra, os dois Jacks (Nicholson e Lemmon), ex-amores (Esbraveja contra Robert Mitchum e Dean Martin, relembra dois namoros com dois ex-primeiros ministros e admira por que teve vários namorados jornalistas).
Outra coisa que gosta: que romances nascidos no set de filmagens são sagrados, ninguém da equipe os revela. Afirma que ainda continua gostando de ir ao teatro, ao cinema, a concertos e ter ótimas refeições em restaurantes. E que não perdeu a curiosidade.
Mas acha, como eu, que Bin Laden destruiu o prazer de viajar (reclama dos bullies da segurança), e também por não poder levar o cachorro mais na cabine. Está também com um novo espetáculo de teatro atualmente viajando pelos Estados Unidos. Tem para este ano o filme Bernie (com Matthew McConaughey e Jack Black) e o IMDB lista outros projetos (Egg Space, Anyone's Son, The Boom Boom Room).
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