16 maio 2011 às 06:00
Denise Fraga acerta com comédia sobre teens
Ir ao teatro Tuca tem seus problemas - o estacionamento. Você disputa as vagas com os alunos da PUC e tem que se submeter aos desígnios e imposições dos guardadores de carros. A única outra alternativa é deixar o carro uma quadra e uma subida acima na Cardoso de Almeida, mas mesmo assim corre o risco de acontecer o que se passou comigo. A estreia da peça atrasou muito e o estacionamento fechou .
Fiquei no frio, na rua, tendo que pedir socorro para amigo me hospedar, porque eu moro longe, em Cotia, e uma viagem noturna de táxi não é viável! Cuidado então para não cair nessa quando for ver a nova peça de Denise Fraga. Ela acabou de sair de um merecido sucesso com a montagem, difícil por sinal, de Alma Boa de Tetsuan, de Brecht.
O espetáculo chama-se Sem Pensar - Spur of the Moment, e é um texto inglês de Anya Reiss, que eles conheceram, Denise e o marido, o diretor de cinema Luiz Villaça, que também veio de um bom filme - O Contador de Histórias - num festival de filmes para adolescentes no exterior. Esta é a primeira peça que Villaça dirige e se sai muito bem.
Conheço Denise desde que a chamamos para fazer a irmã do interior na novela Éramos Seis, na sua versão SBT. Me lembro que fui ver Denise fazendo Trair e Coçar, onde ela dá um show e tentei convencê-la a topar o projeto, naquela época em que a emissora não tinha qualquer credibilidade. Aliás, depois da nossa novela, jogou tudo fora e perdeu tudo de novo.
Enfim, foi ali que Denise virou estrela e quinze dias depois da estreia já ganhava página dupla na Veja. Ela era e continua ótima (moramos na mesma Granja Viana, mas raramente nos cruzamos) embora tenha optado por um caminho de carreira muito particular, fazendo sempre teatro, filmes com o marido (mesmo que em papéis menores), criando os dois filhos e participando de projetos cheios de humor e originalidade na Rede Globo.
Aqui em Sem Pensar ela não tem um papel estrelar e nem se preocupa com isso. Não da para dizer que some no meio do conjunto porque isso seria impossível, já mesmo aparecendo relativamente pouco, sempre tem um timing especial de dizer as frases, de se expressar.De morrer de rir, mas também sem deixar de tornar o personagem humano e vulnerável.
Ela faz uma mãe de família com marido desempregado e uma filha que esta para completar 13 anos e pensa que já é adulta. Eles hospedam na casa um outro adolescente por quem a menina se apaixona (ajudada ou atrapalhada pelas coleguinhas de escola que o acham lindo!). Embora ele tenha namorado e seja mais complicado do que aparenta, os dois trocam beijos e a confusão está criada.
Em tom de comédia, acompanhamos as trapalhadas da família, que se parece com muitas (a censura é de 12 anos), num texto moderno (já não se usa mais o psicologismo americano, mas também sem se tornar superficial demais), equilibrado e com um elenco homogêneo de vários estreantes e novatos.
É claro que se eu assistisse Denise me contando um caso qualquer em cena eu já ficaria satisfeito. Mas é louvável que procurem alternativas e públicos que não se repitam, e sim, se renovem. Sem Pensar deve fazer um merecido sucesso.
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