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26 maio 2011 às 06:00

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Estreia – Um Novo Despertar

Um Novo Despertar (The Beaver), 011. Direção de Jodie Foster. Com Jodie Foster, Mel Gibson, Cherry Jones, Anton Yelchin, Zachary Booth, Riley Thomas Stewart, Jennifer Lawrence, Jeff Corbett, Matt Lauer. 91 min. Paris Filmes.

novo despertar blog Estreia   <i>Um Novo Despertar</i>

Não parece ter dado certo esta tentativa de retorno de Mel Gibson. Por mais que se louve a fidelidade da amiga Jodie Foster (que aceitou papel secundário e fez um filme totalmente para ele, que o conhece desde quando co estrelaram Maverick), fica difícil enfrentar duas realidades. Uma delas a cinemática. Mel se revelou como um jovem bonito e saudável, com um toque de loucura que era fácil de se gostar.

No entanto, ele virou um retrato de Dorian Gray, mas no caso do ator não foi um retrato que reflete tudo o que está no interior, todos os conflitos e mal dentro de si. Seu rosto apresenta isso, ficando extremamente vincado e desagradável. Muitos envelhecem e ficam mais serenos mais bonitos. Aí está Fernanda Montenegro, que não nos deixa mentir (ele diz que nasceu em 1956, mas tudo indica mentir a idade).

Depois é o velho problema do sistema de estrelas, pois não é só do ator que gostamos, mas também nos identificamos com a pessoa, já que, no cinema americano, os atores só interpretam diferentes facetas de si mesmo.

E como gostar de alguém que tem se revelado um fanático religioso fundamentalista, que sistematicamente tem insultado os judeus (ser alcoólatra não é desculpa porque a pessoa bota para fora o que tem dentro de si, o que pensa e escondia) e, como se não bastasse, ainda largou a mulher e filhos para ficar de caso com uma picareta russa com quem teve um filho (ninguém usa camisinha neste mundo?) e depois passou a insultá-la e agredi-la (nesta altura, o filme já estava pronto, mas acharam melhor adiá-lo).

Ele apronta tudo isso e agora aparece arrependido, e a gente tem que sair aplaudindo? Lamento muito, mas não é meu caso. Talvez pensasse diferente se Mel fosse melhor ator. Mas com o fim da juventude, se acabou também sua jovialidade, sua garra, virou uma patética caricatura de si mesmo. Se fosse grande ator, daria um show aqui porque o papel até permite isso e, com certeza, diante do talento, qualquer um se curva.

Mas não. Ele ainda é o mesmo cara que vive apenas uma faceta sem vida de um tal de Walter  Black, que é o narrador da história e relembra como foi cada vez mais e sempre mergulhando numa profunda depressão e melancolia, a ponto de por em risco tanto a empresa de brinquedos de que é dono quanto  a família (ele tem filho adolescente sensível, claro, como sempre no cinema, um menor, além da Jodie se esforçando para ser uma dona de casa comum, coisa que não lhe assenta bem, num personagem  mal desenvolvido).

Tudo parece ser resolver quando ele encontra um boneco de Castor num linho (feioso por sinal) e aos poucos vai falando através dele (qualquer um que já viu filmes como Um Passe de Mágica, com Anthony Hopkins, e Na Solidão da Noite, com Michael Redgrave, sentirá a semelhança do caso dos ventríloquos, só que aqui ele move os lábios sem precisar esconder. E a esquizofrenia fica em segundo plano diante dos benefícios terapêuticos).

Com típico exagero americano, usando o Castor, o herói consegue levantar a empresa (o que faz o filme deixar de ser realista para virar fábula!) e se tornar celebridade! Mas o filho mais velho continuara um bobo que não saberá administrar a atração que tem por ele a colega da escola (Jennifer Lawrence no primeiro papel desde a indicação ao Oscar por Inverno da Alma).

Jodie não é uma grande diretora, como demonstrou em dois filmes antes, e pouco ajuda no resultado. Ou você entra no jogo do filme, ou fica fora. Eu não consegui embarcar no que me propunham, não só por causa de Mel, achei as situações falsas, ou mal solucionadas. Pode muito bem ser que eu esteja com má vontade com o ator.

Rodado com US$ 19 milhões de dólares (R$ 30,9 milhões), o filme não abriu nacionalmente nos EUA, e Mel teve sua cena roubada em Cannes pelo ainda mais idiotizado e infeliz Lars Von Trier. Aliás, porque os dois não vão trabalhar juntos? Pelo jeito nasceram um para o outro!

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