27 maio 2011 às 06:00
Eu também sou fã de Oprah
Agora que se anuncia o fim do programa para a próxima quarta feira nos EUA depois de 25 anos em cartaz e 5 mil shows, eu só queria recordar um fato que nunca comentei.
Eu também sou admirador de Oprah, nem tanto pelo programa de TV (que não tenho muito tempo de assistir), ou por seu trabalho de atriz (ela foi revelada e teve indicação ao Oscar por A Cor Púrpura, de Spielberg), mas por seu trabalho de liderança e educação.
Há alguns anos participei de uma convenção em Chicago e a palestrante era justamente Oprah. Fiquei impressionado com sua inteligência, presença carismática e principalmente a coerência de suas ideias. Durante mais de duas horas ela falou sobre o que pensava, o que fazia, e em tudo se distinguia de outras apresentadoras (es), ainda mais nos EUA onde floresce a baixaria dos programas de discussão de separações que sempre termina em pancadaria.
Sempre assumindo seu passado conflitado, ela levantou as questões principais da sociedade americana. Logo eu que não acredito em políticos e fujo de discursos, me rendi àquela pessoa evidentemente brilhante. Duvido porém que ela resista ficar fora do ar, sendo apenas executiva. Esse tipo de pessoa trabalha até morrer, mesmo porque sua missão nunca esta completa.
Foi nessa mesma convenção que tive dois outros prazeres em duas outras palestras: uma conversa com Lauren Bacall (que respondia a todas as perguntas da plateia) e uma palestra com Christopher Reeve, quadraplégico já em cadeira de rodas afirmando que não iria morrer, que iriam encontrar um remédio, a cura para ele sair dali. Era uma coisa muito aflitiva porque ele tinha que respirar no oxigênio a cada 20 segundos e pouco.
E uma vez se atrapalhou e quase morreu ali mesmo em cena. Foi uma coisa terrível, ainda mais para mim que era fã dos filmes do Superman vê-lo derrotado, mas não vencido, lutando até o fim. Só sei que as minhas lagrimas rolaram sem cessar, evitando apenas os soluços..Foi das coisas mais comoventes que já vi. Naturalmente pouco tempo depois ele iria perder a batalha.
Morre diretor de um filme só
Parece brincadeira, mas é fato: o diretor Leonard Kastle (1929-2011) durante toda sua vida só conseguiu dirigir um único filme, que foi The Honeymoon Killers (69), com Shirley Stoler, Tony LoBianco. Que foi exibido no Brasil e com ótimas criticas. É a história real de um casal que se encontra por correspondência e juntos começam a atrair casais para roubá-los e matá-los.
O curioso é que ela é gorda e vulgar (quem faz o papel é Shirley Stoler,que depois faria a chefe do campo de concentração em Pasqualino Sete Belezas! ). O estranho é que o filme havia sido iniciado por Martin Scorsese que depois de uma cena foi despedido porque estava rodando tudo em planos gerais sem fazer closes.
Ainda que a gota d'água tenha sido quando ele resolveu fazer justamente um close: de uma xícara de café! Honeymoon foi considerado pelo crítico François Truffaut como seu filme americano preferido. Não existe no Brasil, mas nos EUA, pela Coleção Criterion. Se puderem, vale a pena ver.
Morre compositor de uma canção só
Desta vez estou exagerando. Na história do Oscar, uma das histórias mais bizarras é a figura de Joseph Brooks (1938-2011) que levou o prêmio de melhor canção e o Globo de Ouro por sua música You Light up My Life , 1977, do filme Luz de Minha Vida (que também tem o mesmo título original que a canção) que era muito fraquinha e ficou famosa por sua apresentação na festa do Oscar por um coral de deficientes auditivos.
É sobre atriz infantil sem sucesso que sonha em se tornar cantora (Didi Conn, de Grease), tenta ser comediante como o pai, mas não tem jeito para isso. Acaba tendo romance com um diretor. Detalhe curioso: Didi não canta e foi dublada no filme por uma certa Kacey Cisyk, mas foi Debbie Boone (filha de Pat) quem gravou o disco e o transformou em sucesso no hit parade.
Como diretor, Brooks dirigiu quatro outros filmes de que ninguém ouviu falar. O seguinte If Ever i See You Again, 78, ele mesmo fez o papel central, e o outro, Heading for Broadway, 80, cheguei a assistir nos EUA e era até simpático.
Fez ainda Invitation to the Weddking, 80, com Ralph Richardson e John Gielgud e o último, Sara's Life Before it Became a Movie, 99. Sua canção, porém, voltaria a aparecer em outros filmes (Miss Simpatia, Proposta Indecente). Sua morte ainda nem foi registrada no IMDB.
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