post-icon

30 maio 2011 às 06:30

comentarios-icon3 Comentários »

25 anos sem Lillian Lemmertz

lilianlemmertz blog 25 anos sem Lillian Lemmertz

Nesta próxima quinta-feira (2), a partir das 19h30, vai acontecer o lançamento  do livro Lillian Lemmertz, Sem Rede de Proteção, escrito pelo jornalista Cleodon Coelho, que faz parte da Coleção Aplauso (vai ser na Livraria da Imprensa, que fica no MIS). Vai ser a oportunidade de se recordar também da vida e obra dessa grande atriz, que faleceu justamente no dia 5 de junho de 1986, aos 48 anos, no Rio de Janeiro.

Como nasceu o livro

Como coordenador da coleção, eu sempre desejei fazer um livro sobre Lillian, que, além de ter sido minha amiga, sempre considerei uma das mulheres mais belas e interessantes e, claro, uma grande atriz do Brasil. Foi através do nosso amigo mutuo Ney Latorraca, que a adorava, que eu conheci melhor Lillian, que era tão discreta e misteriosa na vida quanto na tela. Muitas vezes ela confidenciou coisas pessoais, participei de sua vida, mas sempre tive a impressão de que ela se guardava, era uma pessoa reservada. E dentro um vulcão pronto para explodir.

Talvez o exterior contasse uma história. Talvez Lillian fosse a mulher mais elegante, mais charmosa e interessante quando fotografada, seja no cinema, seja por uma câmera fotográfica. Como acontece com as maiores atrizes, a câmera adorava Lillian e descobrir nela segredos e sugestões não descortináveis a olho nu. Por isso cometi o engano, a princípio, de achar que ela era uma atriz basicamente de cinema e por isso entendia a paixão que o diretor de cinema como meu amigo Walter Hugo Khouri tinha por ela (era sua musa em, se não me engano, oito filmes). Mas bastava vê-la no palco (ela fez duas versões de Virginia Woolf impecáveis, como a jovem Cacilda e mais tarde com Raul Cortez ) para perceber que era mais do que isso. E depois na televisão, principalmente na Globo, quando ela já era madura. Que perda, meu Deus, por que não a chamaram antes?

livro lilian lemmertz 25 anos sem Lillian Lemmertz

Ney sempre dizia que Lillian era internacional, que era uma maneira de dizer que a gente achava que ela ficaria bem num filme de Bergman, ou numa comédia inglesa (eu achava que aquela inglesa Diana Rigg a lembrava um pouco). Que é a forma de reclamar o relativo mau aproveitamento dela por nosso cinema... Realmente ela não nasceu para fazer Rainha do Cangaço, ou talvez até o fizesse se a visão de certos cineastas não fosse tão estreita.

Quando bolei o livro de Lillian, achava que ele não podia ser feito a não ser com a ajuda e apoio e pesquisa e o amor da filha Julia, que teve a sorte de lhe herdar o talento e o fascínio acrescido da versatilidade (não há quem não a admire e com toda razão). Não tinha maior intimidade com ela (apesar de ser casada com um santista como eu), e a persegui durante uns tempos devido ao projeto, até o dia em que surgiu o Cleodon e conseguiu torná-lo realidade.

Um livro feito com muito carinho, respeito, amor por nós todos que sentimos tanta falta de Lillian. Uma forma de lembrar a todos neste país que continua sem memória e desprezando seus artistas que uma vez tivemos, uma mulher de brilho extraordinário. E como muitas estrelas, passaram por nossas vidas, a iluminaram e sumiram cedo demais.

Veja mais:

+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A