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25 junho 2011 às 08:00

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Morre Peter Falk, mas Columbo é imortal

peter falk columbo 450 Morre Peter Falk, mas Columbo é imortal

Acho que para variar a internet não se deu conta da importância que Columbo, e por extensão Peter Falk, teve para os brasileiros. Ele deve ser simplesmente o detetive mais popular de uma série, ao menos no Brasil.

Exibido em diversos canais e em diversas situações, chegou a sair em DVD, mas a primeira temporada já não tinha mais a dublagem original e por isso foi rejeitada pela maior parte dos fãs. E pelo jeito não foi apenas aqui. Quando Wim Wenders fez Asas do Desejo, deu uma participação especial para Peter Falk interpretando a si mesmo, porque, para o diretor, ele era na verdade um anjo, disfarçado de ser humano. Melhor homenagem impossível.  Ainda mais porque como sempre o final é triste.

Falk (1927-2011), morreu aos 83 anos depois de uma doença trágica. Em 2008, sofreu acidente de carro, que revelou que ele sofria de Alzenheimer (que é a demência de que falam as noticias,uma palavra feia para uma doença triste que provocou briga entre sua segunda mulher e uma filha adotiva - que por sinal era detetive como Columbo! - por sua guarda e, obviamente, sua fortuna).

Falk não era italiano como o nome Columbo fazia pensar, mas judeu de origem variada (tinha ascendentes russos, húngaros, checos e poloneses). Na verdade, convivia com a tragédia desde criança quando teve que tirar um dos olhos (porque sofria de câncer) e, desde então, teve um olho de vidro!

Harry Cohn, chefe da Columbia, o recusou, dizendo que pelo mesmo dinheiro conseguiria um ator com dois olhos. Por isso não pode servir na Segunda Guerra e trabalhou na Marinha Mercante.  Mas muito cedo fez sucesso no palco (ele ganhou o Tony pela comédia O Prisioneiro da Segunda Avenida, de Neil Simon (72), depois filmado com Jack Lemmon. No cinema, ele também teve duas indicações ao Oscar de coadjuvante ainda muito jovem, por Assassinato S.A /Murder Inc, de Stuart Rosemberg, com Stuart Whitman (60) e por Dama por um Dia/Pocketful of Miracles, de Frank Capra, em 61.

Sua estreia no cinema foi pelas mãos de Nicholas Ray, em um de seus filmes menos conhecidos Jornada Tétrica/Wind Across the Everglades, 59. Também teve nove indicações ao Globo de Ouro e uma vitória (fora outra onde ganhou como revelação).

Tinha um tipo muito especial, com alguns maneirismos que lembravam os tiques do Actor’s Studio (ele estudou com a atriz Eva Le Galliene e o famoso Sansford Meiner), tudo que depois ele utilizou no personagem de Columbo.

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Mas vamos falar mais do detetive. Ele não tinha um primeiro nome (mas num dos filmes aparecia um crachá onde aparece Frank) e praticamente não se sabe nada de sua vida particular porque, a cada vez, já que ele é confuso ou finge ser, dá informações contraditórias. Mas usava sempre uma velha capa de chuva (em sua autobiografia de 2006, chamada Just One More Thing, ele afirma que ela não está no Museu Smithsonian, mas num armário de sua casa!).

Também fumava um charuto (na vida real, trocou o cigarro pelo charuto também) e fazia o possível para que o suspeito do crime achasse que ele era burro, chato e incompetente. Era um anti-herói por excelência. Os filmes eram, na verdade, desde o começo, longas-metragens feitos para a TV dentro de uma série da Universal, que alternava vários detetives (McMillan e Sra., Banacek e vários outros). Imagine que o diretor do filme piloto foi justamente Steven Spielberg ainda em começo de carreira. E tiveram uma via muito longa, desde 1968 até 2003, quando foi produzido o último telefilme de Columbo.

O esquema era sempre o mesmo. Começava já mostrando quem era o assassino cometendo o crime. Então o suspense não era quem fez, mas como Columbo iria resolver o mistério. Ele entrava como se não quisesse nada e ia fazendo perguntas que pareciam impertinentes ou mesmo tolos. O assassino tira o sarro dele e Columbo não estava nem aí. E sua marca registrada era a falsa saída só para retornar com uma frase que se tornou bordão: Só uma coisa a mais...

Era repetitivo, sem dúvida (mas, no fundo, esse é o mal de quase todas as séries), porém nem por isso deixou de fazer escola e ter seus inúmeros imitadores e variantes. Falk ganhou quatro Emmys (três por Columbo e um anterior por um show The Price of Tomatoes, do Dick Powell Show, 61). Num total de dez indicações.  Mas o curioso é que nada disso impediu que tivesse uma longa carreira também no cinema (são 107 participações no cinema e TV), com muitos filmes famosos. Seu favorito era o ator e diretor John Cassavetes, com quem trabalhou seis vezes, três delas com Cassavetes dirigindo (Os Maridos, Um Grande Problema, Uma Mulher sob a Influência).

Vamos citar apenas seus filmes mais famosos: Deu a Louca no Mundo, de Stanley Kramer, Robin Hood de Chicago, com Frank Sinatra e seu clã, a comédia Corrida do Século, de Blake Edwards, Os Prazeres de Penélope, com Natalie Wood, Essa Coisa o Amor (Luv), A Batalha, de Anzio de Dmytryk, A Defesa do Castelo, de Sidney Pollack, a comédia Assassinato sob Morte, escrita por Neil Simon, o filme cult Casamento de Alto Risco (The In Laws), Garota Duras na Queda, de Robert Aldrich, Feliz Ano Novo (refilmagem de filme de Claude Lelouch, onde usava impressionante maquiagem),  o cult A Princesa Prometida, de Rob Reiner (onde faz o avô que conta a história), Cookie, com Jerry Lewis, Tia Julia e o Escrevinhador, de Jon Amiel, com Keanu Reeves, O Detetive Desastrado, também de Neil Simon.

Também rodou alguns filmes na Itália como Italiani Brava Gente, 64, de Giuseppe De Santis,  A Fúria dos Intocáveis, 69, de Giuliano Montaldo, Rosalino Paterno, Soldato, de Nanny Loy, 70. E seus últimos trabalhos são os recentes O Vidente (Next, 07), com Nicolas Cage, e o inédito American Cowslip (09).

No mesmo bloco de notícias que fala da morte de Falk, veio a doença de Jerry Lewis na Austrália  (ia fazer um show, mas sentiu-se mal). Ele já tem 85 anos. O que vamos temer e pensar na velha tradição do show business que diz sempre que quando morre um, morrem três. Claro que é superstição e folclore. Só torcemos para que não seja verdade.

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