30 junho 2011 às 06:00
Estreia – Os Pinguins do Papai
Os Pinguins do Papai (Mr Popper´s Pinguins). EUA, 2011.
Direção de Mark Waters. 94 min. Fox. Com Jim Carrey, Carla Cugino, Angela Lansbury, Madeline Carroll, Clark Gregg, Jeffrey Tambor, Philip Baker Hall.
A carreira de Jim Carrey está prestes a enfrentar uma crise. Está aos confessados 49 anos (nasceu oficialmente em 1962, mas os atores sempre mentem a idade), ficando velho e com o rosto cansado para continuar na estilo comédia física e as caretas que nos acostumou. Até mesmo seu ídolo Jerry Lewis teve que enfrentar isso e tentar mudar de gênero fazendo papeis dramáticos. Em vão, porque o público nunca o aceitou de outra forma.
Carrey também está muito consciente disso e andou tentando fazer papéis dramáticos até com bons resultados. O rapaz, digo senhor, é talentoso e se saiu bem em filmes como O Mundo de Andy ou Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (este virou cult) e o recente O Golpista do Ano (não bem um drama, mas enfim).
Seus problemas ficam muito claros neste filme indicado apenas ao público infantil, que não se importa com nada a não ser achar que os pinguins são uma gracinha, mesmo eles sendo coisa de cinco anos atrás, quando documentários e filmes de animação já exploravam o tema de todas as maneiras (achei estranho, por exemplo, que embora a cena em que Carrey aparece sapateando com os pinguins tenha aparecido com destaque no trailer, não estava na cópia longa que assisti. E o pecado foi o momento que pareceu estar mal enquadrado pelo projecionista, cortava os pés!
Pior que isso, já vimos as mesmas gracinhas nos recentes filmes Alvin e os Esquilos (já teve dois e vem mais um por aí, Deus nos proteja) e o coelho de HOP – Rebelde Sem Páscoa.
Todos usando essa mesma técnica de misturar atores com figuras animadas (ou seja, quase todas as cenas com os pinguins são criadas nos computadores, o que facilita muito as coisas para a direção).
Mas além de achar Jim Carrey sem graça e até constrangido (acho que foi a única vez em que torci para que ele ficasse até um pouco mais exagerado para dar mais de humor ao filme), não acreditei nem um minuto na história.
Não está dando mais para aguentar essa história spielbergiana de falar dos pais que abandonam os filhos por causa do trabalho e etc. Imagine ficar traumatizado porque o pai faltou na festinha da escola onde ele recitava! Francamente é demais. Por que não caem um pouco na real?
Mas mesmo sendo cinema é difícil acreditar que um grande empreendedor e mentiroso, como o que faz Carrey, ainda sofra pela ausência do velho pai que vivia viajando pelo mundo e que um dia lhe manda embora para a Antártida, pouco antes de morrer um grupo de pinguins.
O sujeito mora numa cobertura de luxo em Nova York, mas mesmo assim não se preocupa muito com os transtornos que os bichos causam, porque os filhos, que também ressentem sua ausência, adoram a farra. E temos que aturar as brincadeiras óbvias com os bichos, que desta vez nem são especialmente fofas (já que a maior piada deles é defecarem no herói!).
Nem baixaria o filme chega a ser. Tem uma trama romântica com a ex-mulher (Carla Cugino, que conseguiu o milagre de retomar a carreira já madura) e uma outra onde ele tem que convencer a dona do restaurante mais famoso de Nova York, o único que existe no Central Park, a vendê-lo (quem faz a dona é a lenda viva do cinema e do palco Angela Lansbury).
Ou seja, atrasado em cinco anos, quando pinguins estiveram na moda, o filme é o mais fraco trabalho do diretor Waters (Garotas Malvadas) e não foi bem aceito pelo público americano.
Lançado há duas semanas, não passou dos US$ 40 milhões, o que para o verão é total fracasso. Será que Carrey finalmente veio ao Brasil só para salvar o longa?
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