26 julho 2011 às 06:00
Lançamento em Blu-ray: Intermediário.com
Intermediário.com (Middle Men)EUA, 2009. Paramount. Direção e roteiro de George Gallo. Com Luke Wilson, James Caan, Giovanni Ribisi, Stephen Macht, Jacinda Barrett, Kevin Pollak, Laura Ramsey, Terry Crews, Kelsey Grammer, Rade Serbedzija, Robert Forster, Martin Kove. 105 min. Também disponível em DVD.
Sinopse: Inspirado em fatos reais. Wayne e Buck são dois drogados que se mudam para Los Angeles e tem a ideia de fazerem os primeiros sites pornográficos da internet. Isso se torna um grande sucesso, mas eles tem a má ideia de procurarem um chefe da máfia russa para investir. O filme já é narrado em flashback por um intermediário, Jack, ou seja, um middle man, que faz as negociações e torna o negócio possível. Mas, aos poucos, ele vai se desligando da família e se envolvendo no mundo milionário de sexo e mulheres fáceis.
Comentários: É inédito em nossos cinemas esse curioso filme que foi o primeiro a revelar os bastidores do mundo da pornografia na internet. Um trabalho do roteirista e diretor George Gallo (que escreveu Bad Boys, Quem Tudo Quer Tudo Perde, Fuga à Meia-Noite e realizou Encurralados no Paraíso, Virado para Lua, O Mestre da Vida, Mais do que Você Imagina).
Ele reuniu um elenco interessante (alguns apenas em pontas, como Robert Forster no papel do gangster e Kelsey Grammer como político corrupto). Baseado na história real de Christopher Mallick, que é co-produtor do filme e ainda dono de uma das muitas firmas que comercializam pornografia na internet. Tem alguma semelhança com o filme Boogie Nights, que mostrava os bastidores do cinema pornô dos anos 60 e 70.
Aqui, claro que mais recente, já não há cenas muito ousadas nem qualquer tentativa de denuncia (a não ser a dupla inicial, que é absolutamente drogada e perdida, não se critica as “profissionais do sexo”, nem os mafiosos que dominam essa indústria. Ao contrário, chegam a mostrar que o herói Jack ajuda a CIA quando se descobre que alguns terroristas são fãs de uma determinada atriz pornográfica e isso ajudará a eliminá-los).
No começo do filme, ainda há um discurso sobre a necessidade humana e muito masculina de se masturbar. Aliás, é bom definir quem é o publico ao qual essa produção é destinada. Sem dúvida, é o público masculino e de certa idade. A princípio, mostra que se masturbar seria um sentimento universal de todos os homens, ainda mais na adolescência, que hoje é um exercício realizado no segredo de um quarto ou escritório, diante do computador. Ou seja, a internet é hoje o veículo secreto dos desejos sexuais escondidos, que voltaram ao armário. As esposas (ou mães) fingem que não percebem e para lá se vai curtir cada um sua tara, sempre fingindo que estão estudando ou pesquisando...
Achei divertido o filme ao menos tocar na ferida, porque é mais ou menos como o uso da droga, se não houvesse consumidor, não teria traficante. Só que não acho que o sexo seja uma droga e não sei por que é consumido com tanta vergonha e pavor. Coisa criada pelos americanos puritanos que, até hoje, têm medo de nudez, de se abraçar, de expor seus sentimentos em público. E de latino, que convive com a culpa católica judaica cristã que lhe inculcaram desde criança. O fato é simples: hoje a pornografia é um grande fator de consumo da internet, o mesmo estudado, o menos comentado e dos mais lucrativos.
Achei muito atrevido o filme então abordar a vida de dois pioneiros (Giovanni Ribisi e Stephen Macht) que são criativos, mas também completamente drogados (o que explica porque fazem coisas cada vez mais imbecis).
Certamente, Luke Wilson (o irmão mais novo de Owen Wilson) não é o ator ideal para ser o protagonista intermediário, não sei mesmo se podemos chamá-lo de ator. Leading Man, denominam os americanos, galã, enfim, ao menos usa sua cara de bom moço que leva jeito para negociar e trocar favores, e principalmente subornos (um talento que hoje em dia certamente vale muito e é muito utilizado).
Apesar de seu personagem falar muito, no fundo, está se justificando e tentando dourar um pouco a pílula. A indústria do sexo é bem mais barra pesada do que o filme mostra (uma cena de orgia numa mansão é patética com todo mundo vestido, os homens mostram os peitorais e as mulheres se esfregando...). Como diz a expressão, o buraco é mais embaixo e não dá para mostrar, até porque o público se voltaria contra o personagem. Conseguem ao menos criar um romance dele com uma loira bonitona (e a menina é boa atriz, Laura Ramsey), que durante certo tempo o fascina (imaginem a surpresa dele ao vê-la na orgia. Gente, afinal a profissão dela qual é? Não parece lógica ela continuar a fazer bicos?). Ou seja, americano tenta, mas não consegue deixar de ser moralista.
Estou fazendo tantas restrições (e ainda falta falar da história que anda em círculos e vai se arrastando) quandode fato achei o filme razoável com presenças curiosas (James Caan, muito envelhecido, faz um advogado corrupto que joga de todos os lados). Vai ver foi o tema que me atraiu. Não conheço muita gente que assuma que frequenta esses sites e isso me deixa preocupado. Como é que eles são tantos e tão bem sucedidos? Será que só terroristas os assinam? Porque, no fundo, podemos ter evoluído muito em tecnologia, mas, em matéria de sexo, ainda continuamos perpétuos adolescentes com medo de sermos descobertos.
O filme, nas entrelinhas, acaba mostrando isso. A edição em Blu-ray traz cenas inéditas, erros de gravação, comentários dos cineastas e making of chamado Os Tapas. 18 anos.
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