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27 julho 2011 às 06:00

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Lançamento em Blu-ray: O Feitiço de Áquila

Título original: Ladyhawke – O Feitiço de Áquila ****

Áudio: Inglês (5.DTS HD), Espanhol, Port (5.1).

Legendas: Português, inglês, espanhol. Romance/ Aventura. Widescreen 2.35:1.121 min. Cor. 1985. EUA. Fox.Censura  Livre. PG. Extras: apenas trailer.

Diretor: Richard Donner. Elenco: Rutger Hauer, Michelle Pfeiffer, Matthew Broderick, John Wood, Leo McKern, Alfred Molina, Giancarlo Prete, Venantino Venantini.

feitico Lançamento em Blu ray: <i>O Feitiço de Áquila</i>

Sinopse: No século 13, a história de um casal que é vítima da maldição de um Bispo de Áquila. Eles estão sempre juntos, mas não podem concretizar o seu amor. Durante o dia ela, Isabeau d’Anjou se transforma num falcão, e durante a noite ele, o capitão Etienne Navarre, se transforma num lobo. O único momento em que se veem é durante os poucos instantes no crepúsculo.

Comentários: A Fox fez a gentileza de me enviar este recém-lançamento de outro dos meus filmes favoritos. Para mim, a mais original e bonita história de amor dos anos 80. Vejam que engraçado como nos enganam o tempo todo com o marketing e publicidade. Na estreia o estúdio afirmava que a história era inspirada numa lenda do século 12. Agora já sabe que tudo foi invenção deles, simplesmente para dar maior credibilidade ao roteiro original de Edward Khmara (não muito famoso, ele escreveu Inimigo Eu e Dragão - aquela boa biografia de Bruce Lee e a minissérie Merlin).

michelle Lançamento em Blu ray: <i>O Feitiço de Áquila</i>

Sou grande admirador do diretor Richard Donner (1930), aposentado desde Onze Quadras, com seu amigo Mel Gibson, e sempre trabalhando com sua mulher, Lauren Shuler Donner (desde 1985 e que assina como produtora aqui). Conheci Donner há alguns anos e ele foi extremamente simpático e modesto, falando muito do Brasil porque certa vez namorou a nossa querida cantora Wanderléia (cheguei a conversar com ela sobre isso que confirmou, foi quando ela Roberto e Erasmo filmavam O Diamante Cor-de-Rosa em Israel e conheceram Richard, que estava fazendo um filme com Richard Harris). Ambos tem boas lembranças mútuas. Nem é preciso dizer que Donner fez filmes como Superman I e a maior parte do II, a quadrilogia Máquina Mortífera, A Profecia I e Os Goonies (só para mencionar os meus preferidos). Sempre o achei subestimado e lamentei que não continuasse trabalhando.

Ladyhawke chegou a ser indicado a dois Oscars (melhor som e edição de efeitos sonoros), não fez grande sucesso de bilheteria, mas hoje é considerado um clássico romântico (ele custou US$ 20 milhões e rendeu nos EUA apenas 19, nem se pagou, mas foi melhor no exterior e aos poucos foi descoberto e virou cult). Foi rodado com excepcional qualidade de  produção na Itália ( locações em Campo Imperatore, em L´Aquila, no Abruzzo, Castello´Arquato Piacenza, na Emilia Romagna, nas Catacumbas de Roma, Misurina, Auronzo di Cadore Belluno, no Veneto, Rocca di Calascio, em Aquila, Roma, Soncino di Calascio também em Áquila, Torrechiara Langhirano em Parma, Tuscania Viterbo, no Lazio). Reza a lenda que o castelo principal do filme pertenceu a família do diretor Luchino Visconti.

O desenhista de produção não é tão conhecido, chama-se Wolf Kreuger  e fez Rambo, O Último dos Moicanos, O Principe da Pérsia. Por isso, a tendência da gente é creditar grande parte do crédito do resultado ao genial fotógrafo italiano Vittorio Storaro (1940 - que já ganhou 3 Oscars, por Apocalypse Now, Reds e O Último Imperador e fez todos os grandes filmes de Bertolucci e Waren Beatty). Agora em cópia HD, o filme tem um visual esplêndido e por vezes espetacular. Realizado antes dos efeitos digitais, é até modesto neste aspecto, não usando truques. Mas todas as ambientações, figurinos, cenas interiores (feitas nos estúdios de Cinecittá) são perfeitas, só superadas mesmo pelas externas com uso frequente de ocasos e auroras, já que elas fazem integrante da trama.

mathew Lançamento em Blu ray: <i>O Feitiço de Áquila</i>

Era muito difícil tornar convincente uma história que se pensarmos bem é muito bizarra: um homem que vira lobo à noite (não lobisomem), que ama perdidamente uma mulher, que se transformar em falcão (e volta a ser mulher de dia). Tudo por causa de uma maldição de um bispo de Áquila (para mim é ponto fraco a escolha de um ator britânico teatral  que não tem dimensão humana, John Wood). Um problema sério que tinha nas legendas do cinema e se repete aqui, Hawke (fui confirmar) é Falcão, e não águia, como aparece aqui. Há uma diferença enorme e distorce a versão brasileira (em Portugal, de quem a gente vive zombando deram o nome certo, A Mulher Águia).

Enfim, tinha tudo para dar errado, mas miraculosamente funciona, mesmo usando outro recurso arriscado. Quem serve como fio condutor da história é o ainda novato Matthew Broderick, que havia sido revelado pouco antes com Jogos de Guerra. Ele não fala direto para a câmera mas fica falando sozinho (aquele velho recurso que a gente cansa de ver  em novelas de televisão).

O ator faz o um pequeno ladrão Philipe Gaston, o Rato que consegue fugir da prisão de Áquila e sem querer se torna escudeiro de Etienne. A primeira impressão é que a interpretação de Broderick é um pouco moderna demais para o contexto e que ele no fundo estava ensaiando para estrelar não muito tempo depois Curtindo a Vida Adoidado, no papel que o imortalizou Ferris Bueller. Mas é perdoável porque ele é simpático e funciona como alívio cômico e ligação entre a dupla de amantes malditos (tem também o veterano ator britânico Leo McKern, 1920-2002), que faz o ex-padre e agora procura se redimir ajudando o casal.

Mas há outra razão para que o filme seja tão bonito e comovente, a escolha do elenco. O holandês Rutger Hauer tinha acabado de fazer Blade Runner e haviam lhe oferecido antes o papel de chefe da guarda porque Kurt Russell iria fazer o protagonista. Mas na última hora este desistiu e Hauer acabou sendo a escolha perfeita (o fato de sua carreira não ter florescido como devia, só pode ter sido por problemas pessoais e não falta de talento, até porque parece que agora ele está em pleno processo de retorno).

Ruther Lançamento em Blu ray: <i>O Feitiço de Áquila</i>

Michelle Pfeiffer já tinha se consagrado com Scarface e nunca esteve tão bela quanto aqui. Há planos dela de realmente tirar o fôlego, Storaro caprichou e, embora o personagem não seja exatamente desafiador, ela o torna inesquecível.

O filme consegue um equilíbrio entre ação, romance e humor e resistiu bem ao tempo. Só tem mesmo um problema grave que eu tinha deixado de lado. Certamente traz uma das piores e mais inadequadas trilhas musicais do cinema. É mais que irritante, chega a ser insuportável a opção que Donner teve. Parece que na época ele estava encantado com o Allan Parson Project e resulta usar música de sintetizador, ou seja, em vez de sinfônica e medieval (se bem que ocasionalmente se ouve alguma canção da época) ela parece conjunto de churrascaria.

O tema principal de ação é abominável e ainda piorado com a passagem do tempo. Quem assina a trilha é um certo compositor britânico Andrew Powell, indicado pelo Parson e que depois só fez mais um filme (O Rochedo de Gibraltar) porque devem ter descoberto que era ruim mesmo.O equívoco é imperdoável e dá vontade de pedir para Donner refazer a trilha de forma mais eficiente. O fato de que o filme consegue sobreviver e até agradar com essa música brega é um milagre.

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