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28 julho 2011 às 05:59

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Capitão América: dos quadrinhos para as telas

capitao america 450 <i>Capitão América</i>: dos quadrinhos para as telas

Por Adilson de Carvalho Santos

Foi em Março de 1941, embora tivesse sido distribuído no final do ano anterior, que surgiu nos quadrinhos americanos o super-herói de caráter mais ufanista a ocupar o imaginário popular: O Capitão América. Saído das mentes criativas de Joe Simon & Jack Kirby (pela editora Marvel Comics que na época usava o nome Timely Comics), o Capitão América já aparecia em uma imagem provocante: esmurrando o rosto do próprio Adolf Hitler. E assim, quase um ano antes do ataque japonês a Pearl Harbor que levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra, o público conhecia a história de Steve Rogers, um homem franzino com forte ardor patriótico, que recusado pelo exército, aceita se tornar cobaia de um experimento secreto: receber um soro experimental capaz de ampliar força física e reflexos para além dos limites de um homem comum. Como o cientista criador do soro é assassinado, o jovem acaba sendo o único agraciado com a fórmula do super-soldado e torna-se o herói que desafiará o mal representado pelo terceiro Reich, ao menos na imaginação de quem leu a HQ (História em Quadrinhos).

Assim como Batman (da DC Comics), ele tinha seu parceiro juvenil, o Capitão América tinha seu Robin na figura do jovem Bucky, que descobre a identidade secreta do herói e passa a ajudá-lo. Naqueles tempos mais inocentes a figura de um herói ostentando as cores da bandeira americana e carregando um escudo triangular (que passaria a ser circular no segundo numero da revista do personagem) era bem aceita. Enquanto o vilão Caveira Vermelha personificava o mal representado pelo terceiro Reich, os Estados Unidos posava como a terra da liberdade. Logo, um personagem que simbolizasse essa ideia foi um sucesso dentro e fora do país até fevereiro de 1950. Passados cinco anos após o fim da Guerra, o público perdeu o interesse pelo herói e embora houvesse tentativas de trazê-lo de volta, o mundo dividido pela guerra fria parecia mais interessado em histórias de ficção científica do que em heróis patrióticos. Contudo, em março de 1964, na edição número 4 da revista dos “Vingadores” (reunião dos principais heróis da editora Marvel em uma única equipe), a dupla criativa Stan Lee & Jack Kirby trouxe de volta o Capitão América para o mundo atual (plena década de 60).

Como justificativa para seu retorno, Lee & Kirby contam que, após a explosão de uma bomba em avião (maléfico plano do vilão Barão Zemo), o jovem Bucky morre enquanto Steve Rogers cai no mar gelado do Ártico permanecendo congelado durante quase 20 anos após o fim da segunda guerra.

O Capitão América ganha uma aura mais depressiva de um personagem deslocado no tempo, afastado de sua própria época e tendo que redescobrir o país que outrora defendeu apaixonadamente. Embora o Caveira Vermelha também retorne (na história, o vilão ficou em estado de animação suspensa por um gás experimental), o tom da história deixa de ser a luta contra espiões nazistas e passa a ser a luta contra o terrorismo ou a corrupção dentro do governo americano. Em uma curiosa história publicada em 1974, meses antes da renúncia do presidente Nixon, o Capitão América desvenda uma conspiração no mais alto escalão do governo, ficando subentendido que o vilanesco líder do mal é o próprio presidente americano.

A primeira adaptação do personagem para uma produção live-action foi um seriado da Columbia em 15 capítulos com Dick Purcell no papel do herói cuja identidade secreta é outra: Grant Gardner. Não há Caveira Vermelha e o plano do vilão chamado Escaravelho é roubar um artefato capaz de emitir ondas sonoras destrutivas. Em 1979, a Universal produziu um filme para a TV com o herói, mas sem nenhuma semelhança com os quadrinhos. Interpretado pelo desconhecido Reb Brown, esse Capitão América ganha nova origem e outros coadjuvantes para enfrentar o vilão interpretado pelo ator Steve Forrest. Talvez a Universal pensasse em repetir o sucesso da adaptação de outro super herói da editora Marvel (O Incrível Hulk, com Lou Ferrigno & Bill Bixby). O fato é que no mesmo ano a Universal realizou uma sequência entitulada Captain America II: Death Too Soon em que o herói enfrenta um malévolo vilão interpretado nada mais nada menos que por Christopher Lee, o maior Drácula do cinema.

Em 1990, uma produção B adaptou o herói para o cinema com Matt Salinger (filho do escritor J.D.Salinger) como Capitão América. Apesar de usar a origem da Segunda Guerra e manter como vilão o Caveira Vermelha (papel de Scott Paulin – rosto pouco conhecido que fez o papel do amigo de Michael J.Fox em Teenwolf, de 1985), o filme é fraco e nada empolgante para um personagem que como ostenta o subtítulo dessa super produção da Paramount, é o Primeiro Vingador. Tudo indica que esta nova adaptação, que chega em um momento em que os Estados Unidos sofre grande rejeição em muitas partes do mundo, está mais fiel aos quadrinhos trazendo até a personagem da namorada Peggy Carter e do geneticista Arnim Zola, coadjuvantes também nas páginas do gibi.

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