28 julho 2011 às 06:00
Estreia – Capitão América: O Primeiro Vingador
(Captain América: The First Avenger). EUA, 2011. 125 min.
Direção de Joe Johnston.
Elenco: Chris Evans, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Sebastian Stan, Samuel L. Jackson, Hayley Atwell, Dominic Cooper, Richard Armitage, Stanley Tucci, Toby Jones e Derek Luke.
Já no título se anuncia a estreia próxima: Os Vingadores (The Avengers), reunindo todos os grandes heróis, de Thor a Hulk, o que já vem sucedendo nos últimos filmes da Marvel e se acentua aqui porque a sequência final já é quase um trailer (um pouco abrupto, renega um final feliz, mas talvez por isso mesmo é adequado). Ou seja, não é o primeiro, mas o último antes da chegada de Os Vingadores. De qualquer forma, desta vez não esperem por um adendo ao final dos letreiros porque não tem. Outro detalhe que tem a ver com Os Vingadores é que Dominic Cooper faz aqui o inventor Stark, que seria o pai do futuro Iron Man.
Agora a boa notícia: o novo Capitão América é bem legal e está longe de ser aquele filme patrioteiro e bobo que temíamos. Seus efeitos especiais são excelentes e toda a primeira parte quando Steve Rogers aparece como um sujeito franzino com a cara do ator Chris Evans é extremamente bem feita (muito superior ao que sucedia com Brad Pitt em Benjamin Button, que não era muito convincente). Aqui é impressionante e fica ainda mais quando ele ressurge maior, mais forte, com seu enorme peitoral. É verdade que é uma pena que o moço Chris Evans não seja carismático, não tenha luz própria. Ele é simpático, bonitinho e fortinho. Mas nasceu com o farol apagado.
Isso não chega a ser tão grave porque quem esteve por trás da adaptação para o cinema estava consciente dos problemas, sabendo muito bem que não é época para se fazer louvor os americanos. Então a figura do herói já é levada um pouco na troça, vaiada pelos próprios soldados quando é explorado para vender bônus de guerras. Quem teve a sacada de apresentá-lo num show bem americano de 4 de julho com canção à la Broadway composta por Alan Menken acertou na mosca. O herói nunca fica pretensioso até porque, de vez em quando, apanha um pouco do rival vilão, o Caveira (Hugo Weaving, de Priscilla e Matrix) e leva umas cortadas do oficial superior (Tommy Lee, se tornando um personagem ingrato).
É curioso que o filme tem dois prólogos, um curto na atualidade mostrando a descoberta de artefato num polo, depois outro mais longo nos anos 40, em plena guerra, mostrando como Steve Rogers foi rejeitado em suas inúmeras tentativas de se alistar, até ser descoberto por um cientista (Stanley Tucci, que some do filme cedo demais), que o acha ideal para ser transformado em uma espécie de super-homem que viria a ser o Capitão América. Também apresenta já aí as duas revelações do filme, o par romântico por quem o Capitão vai se apaixonar, Peggy (a inglesa Hayley Atwell, que não achei nada demais em A Duquesa, O Sonho de Cassandra, de Woody Allen, e Brideshead) e o melhor e fiel amigo Bucky (feito pelo ator rumeno Sebastian Stan, outro que não me lembrava do terror O Pacto, A Ressaca ou Cisne Negro).
Depois desse início meio mole, o filme vai esquentando quando Steve Rogers fica com superpoderes (aliás, não se sabe muito bem quais, parece forte, corre muito, mas não se define nem o que pode fazer). A ênfase é maior no nazista Caveira Vermelha, que acredita nas histórias de ocultismo de Hitler, mas trai o ditador depois de conseguir dominar forças poderosas (muita coisa também ficou pouco clara: que diabos são essas forças e por que elas são tão facilmente vencidas pelos soldados americanos? E por que Hitler e o Caveira não entraram em conflito direto depois que esse se rebelou? Só porque não podia contrariar os fatos históricos não basta!).
Já que tudo é bem feitinho, o diretor Johnston faz um trabalho bem melhor do que foi capaz com o Rocketeer anos atrás (com quem tem várias semelhanças). Ao contrário do que se pensa, não foi usado um dublê para Chris nas cenas em que aparece magrinho, mas foi usada outra técnica. O diretor utilizou tecnologia digital para encolher o corpo do ator. Foram mais de 250 tomadas gravadas diante de uma tela verde de projeção para preencher os vazios deixados pela parte apagada.
De qualquer forma, o novo Capitão América é bastante satisfatório como aventura de Segunda Guerra Mundial contra vilões nazistas e como ressurreição de um herói de quadrinhos que parecia definitivamente datado.
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