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28 julho 2011 às 09:00

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Estreia – Lola

Lola (Idem), de Brillante Mendoza, Filipinas , 2009.

lola filipinas Estreia   <i>Lola</i>

Não sou grande admirador desses filmes com câmera na mão, que saem perseguindo os personagens, sem maiores preocupações com dramaturgia, como se fosse uma reportagem de TV ou um programa de policiais em ação, ou seja, pseudo realidade, quase reality show.

O que mais me incomoda é que, ao fazer isso, o diretor está chamando atenção sobre si mesmo, o tempo todo estamos conscientes de que há alguém filmando, não dá para se envolver na história.

Este filme filipino que está passando agora no circuito de arte trazido pela distribuidora Lume, até agora dedicada apenas ao DVD, é o primeiro vindo das Filipinas a chegar aqui desde o tempo em que os americanos filmavam historinhas de guerra por lá, nos anos 70.

Já havia visto alguma coisa deles em Cannes, mas, passada a curiosidade, o que assistimos são duas velhas sendo perseguidas insaciavelmente pelas câmeras, enquanto tentam resolver uma disputa judicial, fazendo o diabo para conseguirem levantar dinheiro para ajudar os respectivos netos.

O diretor Brillante Mendoza é mais conhecido como diretor de arte/desenhista de produção do que realizador (este Lola foi seu nono filme como diretor e já tem dois depois dele). Passou em Veneza e ganhou prêmios no Oriente e em Miami. Como está na moda, vou usar o novo chavão de todo crítico que é dizer que o filme “dialoga” com o documentário, já que é todo rodado em locações, principalmente na casa da heroína, que é construída a beira de um rio (e, naturalmente, a cena mais rebuscada esteticamente é uma procissão de enterro fluvial que não por acaso é o pôster).

Há um mínimo de edição, e a sensação que fica é a de que ser pobre é uma desgraça em qualquer lugar do mundo, mas pior em Manilha, onde chove com enorme frequência.

O filme se alterna entre as duas velhinhas, ambas simpáticas e fortes e que ao menos isso são tratadas até com relativo respeito pelos estranhos muito mais do que as pessoas fazem hoje em dia no Brasil, onde são cada vez mais mal-educados.

Enfim, esse é o tipo do filme tão alongado e pouco dramático que permite a nossa mente escape e chegue a conclusões deste tipo. Não é  o tipo de cinema ou narrativa que eu aprecio ou me envolvo.

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