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24 agosto 2011 às 06:00

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Revisitando os clássicos – A Mesa do Diabo

A Mesa do Diabo (Cincinnati Kid). EUA, 1965.102 min.

Direção de Norman Jewison. Roteiro de Ring Lardner Jr e Terry Southern. Baseado em livro de Richard Jessup.

Com Steve McQueen, Edward G. Robinson, Ann-Margret, Karl Malden, Tuesday Weld, Joan Blondell, Cab Calloway, Rip Torn, Jack Weston, Jeff Corey. MGM Warner.

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Sinopse: Eric Stoner, apelidado de "Cincinatti Kid", é um jogador profissional de pôquer que vive em New Orleans aplicando golpes e esperando pela chance de enfrentar o maior jogador de todos, Lancey Howard, apelidado de "O Homem". Finalmente este aceita o desafio que envolve também um intermediário até então honesto, mas que está sendo patrocinado por um homem rico que deseja se vingar de Lancey.

Comentários: Já saiu nos EUA, mas ainda não encontrei por aqui - nas diversas lojas que trabalham com Blu-ray - esta nova edição do primeiro filme importante e dramático do diretor Norman Jewison (também produtor, ele ainda está vivo e  já ganhou Oscar especial pela carreira e realizou trabalhos importantes como o musical Um Violinista no Telhado, No Calor da Noite e Feitiço da Lua).

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Embora tenha sido sucesso, não foi indicado a Oscars (apenas uma indicação ao Globo de Ouro para a veterana Joan Blondell, 1906-1979, que faz papel pelo qual brigou Mitzi Gaynor).

Na verdade, o filme começou a ser realizado por Sam Peckinpah, que foi despedido porque insistiu em filmar em preto e branco e em St. Louis (há boatos também que ele teria insistido em fazer uma cena com um vibrador). Jewison teve pouco tempo para assumir o projeto mudando a ação para New Orleans (os interiores foram feitos em estúdio e dá para se perceber a direção de arte elaborada, mas um pouco falsa enquanto as cenas em locações são extremamente fortes e bonitas, incluindo passeio pelo rio Mississipi, fuga pelo trilho dos trens, um momento no famoso Preservation  Hall, onde teria nascido o jazz (e tocou Louis Armstrong).

Somente a cena de romance entre Steve e Tuesday no riacho é que foi rodada na Califórnia! Ele sempre achou que este filme era seu patinho feio, mas também a primeira chance que teve de trabalhar com o então montador Hal Ashby (1929- 88), que seria seu parceiro desde então e que lançaria depois como realizador (Ashby, embora drogado e excêntrico, fez filmes famosos como Ensina-me a Viver, Muito Além do Jardim, Amargo Regressão, A Última Missão).

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Este foi um dos maiores momentos de estrelato de Steve McQueen (1930-80), cuja carreira foi truncada por um câncer), que logo depois faria outro filme famoso com o mesmo diretor, Crown, o Magnífico. É curioso como num comentário em off, o diretor diz que ele tem uma cabeça grande (e afirma que todo mundo que tem cabeça assim vira mais fácil  astro de cinema.

Extremamente carismático (ainda que aqui pareça magro e com o rosto marcado), Steve tem que enfrentar o veterano Robinson (1893-1973), em papel que Spencer Tracy teve que largar por causa da má saúde e que foi um dos gângsters mais famosos do cinema e tem aqui uma entrada de estrela, como se fosse Mefistófeles, surgindo de dentro da fumaça (esperava-se que ele levasse um Oscar, mas o ator só teria um especial pouco antes de sua morte).

O que impressiona muito no filme é a qualidade da fotografia, principalmente enquadramentos em externas, feitos por Philip Lathrop (1912-95), que fez filmes como Terremoto e Não Podes Comprar o Meu Amor (foram os que lhe deram indicação ao Oscar). Tudo é muito cuidado, acentuando as melhores qualidades de Steve (como seus límpidos olhos azuis) e das jovens estrelas do filme, Ann-Margret e Tuesday Weld (ambas ainda vivas). O próprio diretor admite que ele deixou Ann cair no over-acting porque nessa fase de sua carreira, muita jovem, ela tinha o hábito de exagerar na sua tentativa de ser mulher fatal fazendo caras e bocas (ela interpreta a infiel Melba, que despreza seu marido Karl Malden, amigo de Steve, e transa com este).

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Eu prefiro Tuesday, que tinha um ar de inocência e convence sempre como o verdadeiro amor de Steve (ela substituiu Sharon Tate, protegida do produtor Martin Ransohoff, e o diretor renega inteiramente o final meio feliz que lhe foi imposto pelo estúdio, segundo ele o filme teria que terminar com o último encontro do herói com o menino negro e a imagem congelada no rosto de Steve).

Houve uma preocupação de marcar na imagem que era um filme de época (o que de outra forma não é acentuado), ou seja, a história se passa nos anos 30, evitando cores primárias e procurando deixá-las esmaecidas). Outras criações do diretor foi inventar a figura desse garoto negro e as apostas (abrindo e fechando o filme), assim como começar o filme no famoso cemitério acima da terra de New Orleans (que é atração turística e que aparece também em Entrevista com o Vampiro) e depois um enterro à moda da cidade, com pessoas especialmente contratadas dançando nas ruas acompanhando o cortejo. Jewison conhecia bem a cidade porque, embora canadense quando tinha 17 anos, fez excursão sozinho pelos Estados Unidos e se encantou com a cidade.

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Há um momento raro no cinema americano e que talvez hoje fosse vetado pela Sociedade Protetora dos Animais: uma rinha de galos de briga (Jewison teve que ter o cuidado de usar como esporas, facas que na verdade eram de borracha!).

Esta foi das primeiras trilhas musicais compostas pelo argentino Lalo Schiffrin (mais famoso pelo tema de Missão Impossível), que para mim é das coisas mais discutíveis do filme (acentua momentos desnecessários e o tema de Kid, tocado em gaita parece tirado de um faroeste).

Mas não se esqueçam que este é um filme sobre jogo de cartas, sobre pôquer e somente quem conhece as regras é que irá apreciar totalmente a reviravolta final, quando sucede uma jogada possível, mas muito rara.

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Uma das razões porque Jewison insistiu em fazer o filme colorido é para diferenciar os detalhes vermelhos e negros das cartas (como extra nesta edição vem uma explicação especifica feita por Phil Gordon e Dave Foley do programa de TV Celebrity Poker Showdown). Há ainda um making of da época (Cincinatti Kid Plays Acording to Hayle), trailer e os comentários do diretor.

Em suma, a cópia em Blu-ray é satisfatória e o filme sem ser exatamente uma obra-prima ainda é bem interessante, com suspense e um excelente elenco. Recomendado em particular para os viciados em pôquer (nunca é muito fácil transpor carteado para o cinema, já que não há ação).

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