25 agosto 2011 às 06:00
Estreia – Planeta dos Macacos: A Origem
Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes). EUA, 11. Direção de Rupert Wyatt. Com James Franco, Freida Pinto, John Lithgow, Brian Cox, Tom Felton, Jamie Harris, David Oyelowo, Andy Serkis e David Hewlett. Fox. 105 min.

Para mim esta foi a grande surpresa de 2011 em termos de blockbuster e provavelmente o melhor do gênero até agora neste ano. Nada me preparava para descobrir a competência de um diretor praticamente desconhecido, o inglês Rupert Wyatt, que conduz com precisão e eficiência uma história que tinha tudo para ser banal e já vista.
Afinal, está é oficialmente uma refilmagem da famosa série Planeta dos Macacos (cheia de referências, como uma aparição de Charlton Heston, o astro do primeiro filme, em uma cena de agonia e êxtase com a Estátua da Liberdade, que referência também o fim do primeiro longa e assim por diante). Que depois virou não apenas série de TV, mas já teve uma refilmagem infeliz, que foi o pior filme da carreira de Tim Burton (em 2001 com Mark Wahlberg).

Aqui eles foram mais espertos e resolveram refazer apenas um dos filmes, A Conquista do Planeta dos Macacos, 72, que foi o quarto da série e possivelmente o melhor depois do primeiro (embora naquela ocasião eu tenha chamado o filme de "che gorila", porque mostrava a revolta dos macacos como se fosse um ato de guerrilha e o estúdio tentou minimizar isso com alguns cortes acrescentando discursos apaziguadores).
Felizmente também conseguiram um roteiro inteligente que vai justificando as ações e atitudes dos personagens (e como sempre o único ponto fraco é aquele blefe chamado James Franco, que andou falando mal do filme por sinal. Mas faz tudo sem convicção ou verdade, como se estivesse de férias remuneradas). Difícil acreditar que ele é um cientista importante que trabalha em uma grande empresa, o laboratório Geneis, que está pesquisando uma possível cura para o Alzenheimer.


O laboratório faz experiências com macacos, mas por uma série de coincidências um deles, chamado de Olhos Brilhantes, sofre uma mudança de DNA e passa para seu herdeiro, que é recolhido por Franco (depois que a mãe provocou uma confusão no laboratório levando o projeto a ser cancelado). A ideia é que a nova droga faz com que o processo de pensamento e reflexão seja apressado fazendo crescer novas células. Enquanto o macaco vai crescendo, Franco experimenta com seu pai, que sofre da doença, e consegue resultados incríveis, mas que são passageiros.
O verdadeiro astro do filme é esse macaco, também chamado Cesar (ou Caesar, uma referência também histórica). Enquanto nos filmes anteriores, de 2001 a todo Planeta, eram apenas homens, atores vestindo roupas e maquiagem de macacos, aqui partiu-se para os efeitos digitais, captação no estilo de Avatar. Ou seja, um ator (o famoso Andy Serkis, que já fez O Senhor dos Anéis) serve de modelo para a captação de detalhes, de forma que o resultado é espetacular.


Os macacos nunca estiveram tão humanos (!?), com expressões tão fortes e expressivas, sejam eles chimpanzés ou gorilas. Caesar, quando fica maior e mais agressivo, defende o velho (Lithgow), que está demente e acaba sendo maltratado pelo vizinho. Por causa disso, é levado para um centro de animais, onde aprende a viver entre outros de sua espécie e de onde nasce a revolução. A lógica é essa e começamos a ver neste filme o nascimento de uma revolta que irá acontecer ainda em mais dois longas (está prevista uma trilogia) até os macacos dominarem nosso planeta e os humanos sobreviventes viraram escravos.

Ou seja, o curioso é que a gente se vê torcendo pelos macacos, contra os humanos, contra nos mesmos, em algumas cenas de briga de rua e depois na famosa ponte Golden Gate de San Francisco (no que deve ser a utilização mais empolgante da ponte nesse tipo de filme).
Fiquei totalmente convencido com a tecnologia que tornou os macacos tão autênticos e com o trabalho desse diretor desconhecido (Wyatt é criador da Picture Farm, uma firma inglesa que faz documentários, curtas, longas, estreando no longa em 2008 com The Escapist com Joseph Fiennes e Brian Cox que não me lembro de ter estreado aqui).
Vale a pena conhecer este novo Planeta, um triunfo da técnica.
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