27 agosto 2011 às 05:45
Coluna de DVD – Lançamentos
A Encruzilhada *** Crossroads
Áudio: Ingl, Port. Leg: Port, Ingl. Drama Musical. 99 min. Widescreen 1.85 .Cor. 1986. EUA. Sony. Livre
Diretor: Walter Hill. Elenco: Ralph Macchio, Jami Gertz, Joe Seneca, Steve Vai, Joe Morton, Robert Judd, Dennis Lipscomb, Harry Carey Jr, John Hancock, Allan Arbus.
Sinopse: O jovem guitarrista Martone tenta desvendar uma lenda do blues que conta que um famoso músico negro teria vendido sua alma ao diabo em troca de habilidades musicais. Ele também procura outra lenda, a trigésima música do pioneiro Robert Johnson que nunca chegou a ser gravada.
Comentários: Finalmente está disponível em DVD o maior filme cult de todo guitarrista, roqueiro ou mesmo músico, e que os leigos nunca deram muita importância. Mas dá para entender sua atração. Foi um dos poucos sucessos de Macchio fora sua série Karate Kid - A Hora da Verdade. Ele faz o protagonista que deseja ser o maior guitarrista do mundo, nem que tenha que duelar com o diabo numa encruzilhada!
O filme é um show particular do famoso guitar player Steve Vai, que tocou os dois lados do duelo de guitarras, além de fazer o papel de Jack Butler, o guitarrista do diabo. Ry Cooder gravou as partes com o slide e produziu a trilha musical.
Não é verdade que depois do duelo, Eugene toque Big Bad Moon, de Joe Straniani, é apenas um riff parecido (essa música só saiu três anos depois do filme).
O climax do filme é uma atualização de uma peça clássica baseada em Caprice número 5 de Paganini, que foi o inspirador da história, já que reza a lenda que ele teria feito esse negócio com o diabo (Vai, como Jack Butler, procura mesmo imitar fisicamente Paganini).
Macchio, além de tocar uma Fender Telecaster que tinha um preço acessível, era capaz de suportar os acidentes de uma viagem (ele também quase o tempo todo consegue repetir precisamente os movimentos na guitarra).
Seu instrutor Arlen Roth foi quem o dublou na maior parte das canções. O interesse romântico é vivido por Jami Gertz, de Solar Babies, Lost Boys e muitas séries de TV.
Sete Dias de Maio *** Seven Days in May
Áudio: Ingl. Leg: Port. Drama político. 118 min. Wide. PB. 1964 .EUA. Vintage. 14 anos,
Diretor: John Frankenheimer . Elenco:Burt Lancaster, Kirk Douglas, Ava Gardner, Fredric March, Martin Balsam, Edmond O´Brien, John Houseman, Andrew Duggan, George Mcready, Hugh Marlowe, Richard Anderson.
Sinopse: Um oficial da Inteligência desconfia que seu superior, o general que comanda as forças armadas e que é candidato a presidência, esteja planejando um golpe de Estado para derrubar o atual presidente americano.
Comentários: Adaptação de bestseller de Fletcher Knebel e Charles W. Bailey II feita pelo mesmo diretor de outro thriller político, Sob o Domínio do Mal.
A produção foi apoiada pelo presidente John Kennedy, mas aceita com relutância pelas Forças Armadas (afinal elas eram as vilãs!).
Foi indicado aos Oscars de ator coadjuvante (Edmond O´Brien) e direção de arte, ganhou Globo de Ouro de coadjuvante (Ed) e foi indicado como drama, diretor e trilha musical (Jerry Goldsmith).
Como o presidente americano, este foi o último papel estrelar de Fredric March (1897-1975), duas vezes vencedor do Oscar e em plena forma. Mas ele tem um excepcional elenco apoiando, inclusive Lancaster (como o general linha dura que planeja o golpe de Estado) e Ava Gardner (que faz a ex-amante dele).
Embora não seja tão intenso nem tenha tanto suspense quanto o filme anterior (também custa um pouco a começar e se explicar), vale pelo inusitado (os EUA nunca tiveram um golpe de Estado, mas isso não quer dizer que não possa acontecer até mesmo hoje em dia, por isso o tema ainda é atual, embora irrite um pouco o final com o louvor da democracia americana que, hoje sabemos, não funciona tão bem assim como eles pretendem).
Kirk Douglas assinou para fazer o papel do general, mas depois achou que seu amigo Lancaster seria ideal para o personagem e concordou em fazer o outro papel menos marcante, o investigador.
O filme começa com uma passeata de protesto diante da Casa Branca, que foi autorizada, mas que teve que ser improvisada (porque não havia stunt men em Washington). Foi feita em preto e branco por escolha pessoal do diretor.
Não é verdade o que diz o iMDB de que o filme nunca foi exibido no Brasil porque os militares acharam que o golpe lembrava o de 64 aqui! Foi exibido normalmente e não teve grandes reações. A trama paralela das cartas da amante feita por Ava foi inspirada em fatos reais (e a amante eurasiana do general Douglas MacArthur).
O roteiro apresentava um problema porque tinha que acontecer em sete dias e se baseava numa corrida que não sucedia aos domingos (foi feito um diálogo dizendo que seria a primeira vez que isso aconteceria), mas nos comentários do filme Frankenheimer ainda afirma que são apenas seis dias e que ele disfarçou e nenhum crítico reclamou!
Passa-se num futuro próximo, ou seja, pelos cálculos seria em 1969. Estreou com atraso em fevereiro de 64 por causa da morte do presidente Kennedy.
Bonita como Nunca *** You Were Never Lovelier
Áudio: Ingl.Leg: Port. Musical. 97 min. Standard. PB. 1942. EUA. Classicline. Livre.
Diretor: William A. Seiter. Elenco: Fred Astaire, Rita Hayworth, Adolph Menjou, Adele Mara, Xavier Cugat e orquestra, Lina Ronay, Isobel Elsom, Leslie Brooks.
Sinopse: A família argentina Acuna tem a tradição que as filhas se casem por ordem de idade. Depois que a mais velha casou, as irmãs dois e três fazem pressão na número 2 para que encontre um noivo. O próprio pai dela lhe manda flores enviadas por um homem misterioso que ela pensa ser um dançarino americano que está se apresentando na cidade.
Comentários: Primeiro dos dois musicais que Fred Astaire estrelou para a Columbia ao lado da quase estrela Rita Hayworth, então com 24 anos e no auge da beleza (ele indiscretamente chegou a declarar que era sua parceira favorita, já que Rita dançava muito bem, até porque começou criança com os pais que eram bailarinos espanhóis). Isto foi seis anos antes dela se consagrar como Gilda e logo depois de ter feito o trabalho dolorido de eletrolise que lhe aumentou a testa e a beleza).
Embora ela fosse sempre dublada nas canções (aqui por Nan Wynn) este era seu filme favorito de toda sua longa carreira e, além disso, corre a lenda de que contem uma ponta do ditador Fidel Castro, que tentava a carreira em Hollywood antes de se tornar revolucionário em Cuba! É curioso também por se tratar de uma rara refilmagem de uma comédia argentina, chamada Los Martes Orquídeas (1941), de Francisco Mugica, com Enrique Serrano e Nuri Montsé.
Foi indicado aos Oscars de melhor canção (Dearly Beloved, dos consagrados compositores Jerome Kern (Show Boat) e Johnny Mercer.
Tem ainda outra canção que virou um standard, I´m Old Fashioned (embora a dança para a música do título e On the Beam tenham sido cortadas depois das previews para tornar o filme mais curto).
Outro número, The Shorty George, mostra a tradição dos musicais de Astaire em apresentar novas danças e ritmos como fez em The Carioca ou The Yam. A trama é uma história de confusão de identidades, um pai metido e uma jovem a ser conquistada. Sem ser exatamente uma obra-prima, é um filme agradável e divertido.
Em Cada Coração uma Saudade *** All mine to Give
Áudio: Ingl. Leg: Port. Drama. 102 min. Widescreen. Cor. 1957. EUA. Cult Classic. 12 anos.
Diretor: Allen Reisner. Elenco: Cameron Mitchell, Glynis Johns, Rex Thompson, Patty McCormack,Ernest Truex, Hope Emerson,, Alan Halle, Reta Shaw, Royal Dano.
Sinopse: Quando os pais morrem, o filho mais velho de uma família de emigrantes, que vive no século 19 numa cidadezinha do interior, tem a missão de distribuir os irmãos por diferentes famílias.
Comentários: Durante anos fui interpelado por pessoas na rua que me pediam este filme, que finalmente está sendo lançado em DVD. Foi uma das últimas produções da RKO e fez muito sucesso, inclusive no Brasil, porque é um dos filmes que mais provocam choradeiras no cinema.
Não é sentimental, é triste, mas não depressivo. Uma história que dizem ser real, sobre uma família de emigrantes escoceses que vai viver numa cidadezinha fria do Winsconsin, em 1856. Embora tenha sido lançado pela Warner nos EUA como um clássico natalino, não é bem isso.
É sobre um casal que tem seis filhos, mas quando eles morrem, o filho mais velho tem a missão de distribuir os outros sobreviventes por diversas famílias, em pleno festejos de Natal, enfrentando frio e neve.
O papel é do menino Rex Thompson, o mesmo de O Rei e Eu e Melodia Imortal (mas que não faria carreira de adulto) e a irmã mais velha é Patty McCormack, que depois estrelaria Tara Maldita. Apenas o final é um pouco precipitado.
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