28 agosto 2011 às 06:00
Belezas esquecidas: Itália
Este é um momento de pura nostalgia. Vamos relembrar algumas das mulheres mais belas do cinema, que tiveram seu momento de glória e hoje estão esquecidas. Não vamos falar das grandes estrelas: La Loren, La Lollobrigida, La Mangano, La Magnani. Todas essas tem seu lugar reservado na história, mas outras igualmente belas mas que não tiveram a mesma sorte ou talento. Selecionamos dez delas (poderia ser mais mas o numero segue a tradição).
1) Rossana Podestà (1934) - Teve a sorte de ser escolhida pelo diretor RobertWise para estrelar o super espetáculo Helena de Tróia (55), em que Brigitte Bardot era sua coadjuvante. Mas pintaram seu cabelo de loiro e não fez o devido sucesso. Chegou a fazer outros filmes americanos (Santiago, com Alan Ladd, Tormenta no Paraíso, com Jeffr Chandler), mas foi preciso que seu marido ator e diretor Marco Vicario realizasse alguns filmes para ele ter seu auge com Horas Nuas e os dois sucessos de Os Sete Homens de Ouro (65/66). Esteve novamente com Buzzanca em O Super Macho e O Padre Que Queria Casar. Largou o cinema depois de 85 e abriu restaurante com o esportista Walter Bonatti. Nunca ficou nua nem se envolveu em escândalo. Curiosamente nasceu em Zliten, na Líbia, de pais italianos.
2) Marisa Mell (1941-92) - O cinema italiano tinha o hábito de abrigar estrangeiras (como a nossa Norma Bengell já que todas eram dubladas). Marisa era austríaca, de Graz, tinha longos cabelos negros e olhos belíssimos. Nunca foi grande atriz, mas se despia com frequência. Não chegou a ir para Hollywood, mas em 1968 o diretor Vincente Minnelli dirigiu na Broadway um musical estrelado por ela, sobre Mata-Hari, um dos maiores fracassos da história. Em 64 já havia recusado assinar contrato com estúdio e no mesmo ano sofreu violento desastre de automóvel, que a deixou em coma e com o rosto deformado (miraculosamente o rosto foi reconstituído deixando poucas marcas). Nascida Marlies Moitzes, fez mais de 60 filmes na Áustria, Inglaterra (French Dressing, estreia de Ken Russell), França e Itália. Poucos ficaram para a história (Casanova 70, de Monicelli, Oriente Contra Ocidente, com Cliff Robertson, 65, Perigo Diabolik, de Mario Bava). Viveu La Dolce Vita e teve muitos romances com o Xá da Pérsia, o dono da Fiat, Stephen Boyd, Helmut Berger, mas morreu de câncer na miséria em maio de 92. Poucos foram a seu funeral.
3) Sylva Koscina (1933-1994) - Foi a mais famosa iugoslava do cinema italiano (hoje se sabe que nasceu na Croácia). Bela, elegante, simpática, teve uma longa carreira em tudo que é tipo de filme (119 títulos!). Foi a namorada do Hércules de Steve Reeves, fez diversos filmes americanos (Jessica, com Angie Dickinson, O Espadachim, de Sienna, com Stewart Granger, Copacabana Palace no Brasil, Julieta dos Espíritos, de Fellini, Que Delícia de Guerra, com Paul Newman, Entre o Desejo e a Morte, com Kirk Douglas, Ninho de Vespas, com Rock Hudson, Casanova e Cia, com Tony Curtis, além de dezenas de comédias como O Super Macho, com Buzzanca). Nunca foi grande atriz, mas era capaz de ser mais velha e dramática (como em Guendalina, de Lattuada) e depois expor seu belo corpo. Filha de pai grego e mãe polaca, teve sua primeira chance como filha de Pietro Germi no neorealista O Ferroviário. Quando ficou mais velha passou a fazer teatro de comédia e televisão, mas morreu cedo do coração com 61 anos. Viveu muitos anos com o produtor Raimondo Castelli.
4) Virna Lisi (1936) - Ainda hoje, uma bela senhora, Virna é uma das atrizes de maior prestígio da Itália. O diretor italiano radicado no Brasil Alberto Pieralisi afirmava que era seu parente. Nascida em Ancona, teve sua chance pela mão do amigo da família Giacomo Rondinella, que a levou a estrear em 53 em E Napoli Canta. Durante anos passou fazendo coadjuvante, discreta até Joseph Losey a usar em Eva (62) e Christian Jacque a pôs ao lado de Alain Delon em A Tulipa Negra (63). Finalmente Hollywood a descobriu e a lançou como estrela em Como Matar sua Mulher, com Jack Lemmon (64). Fez outros filmes americanos (Assalto a um Transatlântico, com Sinatra, O Segredo de Santa Vitória, de Stanley Kramer, A Vigésima Quinta Hora, com Anthony Quinn, A Jovem e o General, com Rod Steiger, Com Minha Mulher Não Senhor, com Tony Curtis, O Barba Azul, com Richard Burton) e comédias italianas (As Bonecas, Casanova 70, Um Virgem para o Príncipe, Confusões a Italiana, de Pietro Germi, Arabella etc). Quando envelheceu não foi problema se tornando uma competente atriz (votada como melhor atriz em Cannes por A Rainha Margot). São 106 trabalhos, sendo o último a minissérie Catherina e sue Figlie (11). Vive até hoje com o marido Franco Pesci. Outra que nunca se despiu, mas o iMDB a chama ainda de Deusa!
5) Marisa Allasio (1936) - Foi a mais popular das jovens atrizes do cinema italiano no começo dos anos 50, mas largou tudo em 58 para se casar com um nobre, o Conde Calvi de Bergolo (neto do Rei da Itália). Talvez por isso ainda lembrada. Seu pai era goleiro e depois técnico do Torino e, por isso, parece lógico que tenha estreado na comédia Gli Eroi della Domenica, de Mario Camerini (53), com Mastroianni, e tenha feito uma ponta também em Guerra e Paz, de King Vidor. O primeiro sucesso foi em 55 com Brotos do Século /Ragazze d´Oggi, de Zampa. Mas o grande êxito foi pelas mãos do diretor Dino Risi, com quem fez as comédias Pobres mas belas, Pobres porém Formosas e depois Veneza, a Lua e Você, com Alberto Sordi. Seus últimos filmes foram o americano As Sete Colinas, de Roma, com Mario Lanza, em 57, Camping, a estreia de Franco Zeffirelli, e o alemão Nudi como Dio le Creò. Tem dois filhos e até onde se sabe ainda está casada.
6) Laura Antonelli (1941) - Foi uma das mulheres mais belas e sedutoras do cinema, última musa de Visconti (que fez com ela seu último filme, O Inocente, 76). Foi mulher de Jean Paul Belmondo e teve grandes sucessos de bilheteria também no Brasil com filmes como Malicia, Malícia 2000 e Pecado Venial de Samperi, Mulheramante, de Marco Vicario, Paixão de Amor, de Ettore Scola,Trágica Decadência, de Comencini). Nascida em Pola, na Eslovênia, foi professora de educação física e só estreou no cinema com 25 anos. O primeiro êxito foi Il Merlo Maschio (71, proibido pela censura aqui e depois não importado). Seu último grande papel foi em A Veneziana (86), de Bolognini. Sua carreira foi arruinada quando um tratamento para sua pele a deixou para sempre desfigurada. Além disso passou dez anos lutando contra uma acusação de posse de cocaína, que finalmente a inocentou.
7) Lia Amanda (1932) - Há uma razão especial para colocar Lia nesta lista. Ela era uma promissora atriz do cinema italiano quando veio ao Brasil para o Festival de Cinema de São Paulo, em 1954, e se apaixonou por um brasileiro. Largou tudo e se casou com ele (segundo o dicionário de atrizes da Gremese ele se chamava Arnaldo Carraro) vivendo até hoje aqui (parece que a família cuida de laboratórios de cinema). Lia nasceu em Roma, filha do ator Mario Molfesi e começou fazendo a filha de Totó em Totò cerca Casa (49), de Steno e Monicelli. Depois foi a protagonista de um sucesso Três Historias Proibidas (52), de Augusto Genina. Foram 11 filmes ao total, entre eles O Conde de Monte Cristo (54), com Jean Marais, Terra Straniera, de Sergio Corbucci, com Jacques Sernas, e o último que teria sido French Can Can, de Jean Renoir, ou A Sedutora (Il Seduttore, de F. Rossi, com Alberto Sordi). As fontes divergem. A última notícia que tive era de que Lia ainda estava viva e bem aqui em São Paulo.
8 ) Lisa Gastoni (1935) - Só foi fazer sucesso já madura quando depois de ter trabalhado na Inglaterra retornou a Itália para estrelar o sucesso Obrigado Tia, de Samperi (68). Ja era então uma veterana de muitos filmes menores. Nasceu em Alassion, na Savona, filha de mãe irlandesa, e por isso vai para lá como modelo e depois atriz. Estreia em 54 e faz filmes pequenos como o americano Gidget vai à Roma (63). Na Itália, esteve em Rogopag, fitas de aventuras e fantasia (de Anthonio Margheritti). Quando redescoberta faz filmes melhores como Svegliatti e Uccidi de Lizzani, Os Sete Irmãos Cerevi, de Puccini, La Pecora Nera, de Salce, L´Amica, de Lattuada, Maddalena, de Kawalerowickz, Amore Amaro, de Vancini, Os Últimos Dias de Mussolini (Mussolini ultimo Ato), de Lizzani, Scandalo, de Samperi, e o último L´Immoralittà, de M.Pirri. Foi casada com o físico grego Constantine Manos e depois com o advogado Isgró. Largou a carreira em 1988. Inesperadamente retomou a carreira em 2005 com o filme Cuore Sacro, depois Maria Montessori (telefilme lançado aqui em DVD), Cocapop e a série Dove la Trovi una come Me ?, de 2011.
9) Silvana Pampanini (1925) - Embora esquecida aqui no Brasil, ela foi a primeira grande estrela popular do cinema italiano no pós-guerra, inclusive no Brasil. Até porque já naquela época ela aparecia sem roupa (em filmes como A Torre dos Prazeres, 54, de Abel Gance). Ainda hoje La Pampanini é famosa na Itália (e isso pode ser comprovada se vendo suas entrevistas no You Tube). Filha de tipografo, era sobrinha de uma cantora famosa, Rosetta Pampanini, cantava, dançava e tocava piano. Concorreu a Miss Itália, como era moda na época, não ganhou, mas era a favorita do público e isso foi um pequeno escândalo na época. Assim já estreou no cinema em 1947 com L´Apocalipse. Simpática, extrovertida e de grandes olhos claros fez filmes famosos como Cidade da Perdição (Processo Allá Città, de Zampa), A Presidenta, de Pietro Germi, A Bela de Roma, de Comencini e Coração de Mulher (Um Marito per Anna Saccheo, 53). Infelizmente seu prestígio acaba sendo superado pelas rivais, talvez por não ter feito filmes americanos ou voltado a trabalhar com grandes diretores ou ter se casado com algum produtor, como fez Sophia Loren.
10) Daniela Rocca (1937- 1995) - Outra história trágica. Nascida na Catânia, alta, bonita, moreno, foi eleita Miss Catânia e depois concorre ao Miss Itália. Mas não tem sorte e durante anos de 1954 a 61 aparece apenas em pontas ou, como dizem os italianos, em papéis modestíssimos. Quem lhe dá a chance de sua vida é o diretor Pietro Germi, que a coloca como a esposa de Marcello Mastroianni em Divórcio à Italiana (ela faz a esposa chata e feia, que ele pretende matar para ficar com a jovem Stefania Sandrelli). Uma comédia clássica e premiada que a leva a filmes mais ambiciosos como The Captive City/Os Herois Tambem Matam, de 62, com David Niven, L´Attico, de Puccini, La Noia/Vidas Vazias, com Bette Davis, de Damiani, Sinfonia para um Massacre, de Jacques Deray, A Voz do Sangue, de Fred Zinnemann. E seu último Un Giorno la Vita, de A Principe. Mas o mal já estava feito. Depois de sucessivas crises de nervos, aos 35 anos foi julgada insana por um juiz e colocada num sanatório (onde chegou a escrever e publicar cinco livros!). Morreu esquecida em Milo, na Sicília, aos 57 anos.
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