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29 agosto 2011 às 09:45

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Os Smurfs

Os Smurfs (The Smurfs)

EUA, 11. Direção de Raja Gosnell. 103 min. Com Neil Patrick Harris, voz de Hank Azaria, Katy Perry, Jonathan Winters e mais Sofia Vergara, Mayja Mays, Joan Rivers e Tim Gunns.

Eu já devia ter aprendido faz tempo a não confiar no que dizem os críticos, ainda mais os americanos. Mas confesso que estava com preguiça de ver este longa dos Smurfs, que diziam ser apenas para crianças (a ideia era esperar o DVD para conferir).

Contudo, acabei seguindo a indicação da Thalita Oliveira (apresentadora do Jornal da Record News) que, além de ótima profissional, é santista como eu e vai regularmente ao cinema. Foi ela quem me disse que tinha gostado do filme.

Acabei o assistindo em 3D e tudo, no Jardim Sul, e tive uma boa surpresa. O filme é muito divertido e me pareceu o melhor trabalho do especialista na técnica, Raja Gosnell. Apesar do nome, foi ele quem fez aqueles fracos Scobby Doos. Outro detalhe simpático: a musica é do brasileiro Heitor Pereira (Meu Malvado Favorito) de quem já falamos aqui.

Outra coisa: também ganhei dois DVDs da Sony com vários episódios da antiga série de TV que emprestei para minha empregada Fátima, e que estão sendo a alegria dos netos e vizinhos dela.

Gostei especialmente de uma menção no filme que faz justiça a um fato que poucos sabem. Os Smurfs, na verdade, são criações de um europeu chamado Peyo (1928- 1992), ou Pierre Culiford, que chegou mesmo a dirigir um filme de animação em 1978 usando o nome original deles, que é o impronunciável Schtroumpfs. O nome atual é coisa dos americanos que o tornaram mais universal.

smurfs original.hg  <i>Os Smurfs</i>
Pensava também que iria me atrapalhar, pois confesso que nunca tinha visto antes um desenho ou revistinha deles, e a única vez que vi algo relacionado foi no show do Marcelo Médici (que tem um quadro maravilhoso sobre eles). Mas não é problema. O filme começa na aldeia deles e sempre tira sarro da canção tema irritante (embora a certa altura cheguem mesmo a cantar um rap).

O herói é o Desastrado, que acaba provocando o inimigo deles,  o feiticeiro Gargamel (um irreconhecível Hank Azaria fazendo teatro infantil), até que este  invada sua aldeia e os obrigue a fugir, até chegar à atual cidade de Nova York através de um portal. Detalhe: quem rouba o filme é o gato de estimação de Gargamel, que tem as mais engraçadas expressões e atitudes e merecia um filme próprio (tomara que o próximo Gato de Botas não decepcione).

Depois de uns 15 minutos, a animação se transfere para a cidade grande, misturando atores com desenho. Seguindo Desastrado estão o Ranzinza, a loira Smurfete, Papai Smurf, Valente e Gênio (a função de cada um é descrita pelo próprio nome). E uma sacada simpática é aparição do narrador da história que se intromete na hora errada.

Lá vão parar primeiro no Central Park e depois no apartamento de um casal. Ela esta grávida, o que provoca certo sentimentalismo sobre ser pai e a importância da família e acabam ficando amigos de um publicitário (o excelente Neil Patrick Harris, que tem tido finalmente a oportunidade que merece). Quem o atormenta é a dona da empresa de cosméticos feito pela latina Sofia Vergara (em seu primeiro filme desde que virou estrela na série de TV Modern Family).

smurfs2 hg2 <i>Os Smurfs</i>
Talvez um pouco longo para crianças muito pequenas, o filme é logicamente bem feito. Hoje em dia isso já é o básico.  Com um roteiro inventivo, que não nega a origem, mas também faz piadinhas para não aborrecer os adultos. O fato de usarem a palavra smurf como adjetivo para qualquer situação é, sem duvida, contagioso e não duvido que certas crianças adotem a brincadeira.

Dizem que o orçamento foi US$ 110 milhões e o filme rendeu nos EUA até agora US$ 118 milhões, mas a renda no resto do mundo deve compensar, já que parece ser grande sucesso com a garotad). Francamente, achei muito melhor do que a série do Alvin e os Esquilos. Thalita, você estava certa.

PS I - Fico chateado com o aparente fracasso dos filmes Sonho de Amor (um dos melhores do ano) e parece que também de Amor a Toda Prova. Estes todos estão meio perdidos a tantos filmes grandes e vão ter nova chance nos DVDs e na pirataria que continua a grassar solta.

Aproveito para mencionar duas coisas importantes que esqueci na crítica do filme: a participação e estreia no cinema do jovem tenor Josh Grobin, que tem uma cara meio gaiata e faz o namoradinho de Emma Stone (aquele que a convida para ser sócia da empresa de advogados).Não canta, mas achei inteligente ele tentar coisa nova em um papel menor.

Também é muito importante no filme o uso de uma homenagem a Dirty Dancing (contam que Emma teve medo de fazer a cena e foi substituída por um dublê, o que realmente fica claro, pois tudo foi filmado à distância).

PS 2 - Esqueci também de mencionar que um dos montadores do polêmico filme A Árvore da Vida é o brasileiro Daniel Rezende, revelado com Cidade de Deus e indicado ao Oscar.

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