11 setembro 2011 às 13:24
Morreu o vencedor do Oscar Cliff Robertson

Ele foi um dos primeiros astros de importância que eu conheci pessoalmente. Quando passou por São Paulo, deu uma entrevista bastante sincera já depois de ter ganhado o Oscar por Os Dois Mundos de Charly (Charly, 68). Veio acompanhado pela atriz Dina Merrill, sua mulher na época (se divorciaram em 86), que era de família muito rica e hoje é casada com outro milionário que a torna detentora dos direitos de refilmagem das produções originais da RKO.
Se hoje ele está meio esquecido, com certeza, vai ser lembrado por ter feito o papel do tio do Homem-Aranha na série de filmes, Cliff Robertson já foi um dos galãs mais bonitões e competentes de Hollywood que evoluiu para um ator sensível e inteligente.
Sua carreira tem dois momentos importantes. Primeiro quando foi contratado pela Columbia, não tinha muita escolha, tinha que obedecer ao estúdio e fazer o que lhe mandavam (ele mesmo se lamentou para mim, se desculpando por ter umas bombas no começo de carreira).
Quando finalmente se libertou do contrato foi trabalhar na televisão, onde conseguiu papéis marcantes, que lhe valeram muitos elogios. Como em The Day of Wine and Roses, 58, a história de um relações públicas que se torna alcoólatra (e sua mulher também). Na hora de fazerem o filme, o papel foi para outro mais famoso, Jack Lemmon (curiosamente sua primeira Cynthia Stone, era ex-esposa dele!).

Quando chegou a vez de Charley, ele não perdeu tempo e comprou os direitos do teleatro conseguindo finalmente estrelá-lo (concorreu naquele ano com Peter O´Toole por Leão no Inverno, Alan Bates por O Homem de Kiev, o inglês e desconhecido Ron Moody por Oliver e o então homem de teatro e improviso Alan Arkin, por Porque Tem Que Ser Assim. E nunca foi mais indicado para nada.
Por uma boa razão. Nos anos 70 para 80, Cliff foi a única pessoa que teve a coragem de denunciar a fraude de um alto executivo da Columbia, que falsificou um cheque dele, David Begelman. O que era a ponta do iceberg de uma grande falcatrua que terminaria com escândalo e até suicídio. Não foi uma atitude popular e por causa dela Cliff chegou a ser esnobado e colocado numa espécie de lista negra, sem poder voltar a trabalhar. Mas foi um ato ousado e importante, uma rara vez onde se acusou de estelionatário alguém de poder na indústria do cinema.
Nascido em Clifford Parker Robertson, em 9 de setembro de 1923 (ou seja, ele morreu um dia depois de seu aniversário), em La Jolla, cidadezinha da grande Los Angeles. Estudou no Antioch College em Ohio e trabalhou como jornalista antes de tentar a sorte como ator na teve em Nova York.
Entre seus melhores papéis estão: a estreia em Férias de Amor, com William Holden e Kim Novak, marido de Joan Crawford em Folhas Mortas, de Robert Aldrich, protetor de Sandra Dee num dos primeiros filmes de surfe Maldosamente Ingênua/Gidget, o cult de Samuel Fuller, A Lei dos Marginais e o papel do próprio presidente John F. Kennedy em O Herói do PT 109 (foi o presidente, pessoalmente, que o escolheu para o papel). Seu hobby era colecionar aviões antigos.
Robertson, Cliff
(1925- 2011). Ator americano, vítima da maldição do Oscar. Depois de ganhar o prêmio, em 1968, por Os Dois Mundos de Charly, nunca mais teve um papel decente. Foi galã jovem na Columbia, mas revelou talento em teleteatros na TV (Days of Wine and Roses), e durante anos, foi marido da atriz e milionária Dina Merrill (1928).
Dirigiu ocasionalmente, sem grande sucesso, assumindo a direção de O Piloto em meio à produção. Como diretor teve três projetos interrompidos: em 1977, Good Times, Bad Times; em 1978, Morning, Winter Night e em 1980 o projeto da sequência de Os Dois Mundos de Charlie. Em 1979, Robertson foi quem denunciou o executivo David Begelman da Columbia de ter falsificado um cheque em seu nome. O escândalo comprovou os roubos em Hollywood, mas prejudicou sua carreira. Nos anos 2000, estrelou nos cinemas a adaptação dos quadrinhos Homem-Aranha, como o tio do herói. Morreu em 11 de setembro de causas naturais.
Dir.:
1971 – Rodeio com a Morte (J. W. Coop. Robertson, Geraldine Page)
1979/81 – O Piloto (The Pilot. Robertson, Diane Baker)
Como ator:
1955 – Férias de Amor (Picnic, de Joshua Logan)
1956 – Folhas Mortas (Autumn Leaves, de Robert Aldrich)
1957 – Aventura em Balboa (The Girl Most Likely, de Mitchell Leisen)
1958 – A Morte Tem Seu Preço (The Naked and the Dead, de Raoul Walsh)
1959 – Maldosamente Ingênua (Gidget, de Paul Wendkos). A Batalha da Vitória (Battle of the Coral Sea, de Wendkos). Quando Brame a Tormenta (As the Sea Rages, de Horst Heachler)
1961 – A Dama da Madrugada (All in a Night’s Work, de Joseph Anthony). A Lei dos Marginais (Underworld, USA, de Samuel Fuller). E o Circo Chegou (The Big Show, de James Clark)
1962 – Viver, Amar e Sofrer (The Interns, de David Swift). O Herói do PT 109 (PT 109, de Leslie Martinson)
1963 – Meus Seis Amores (My Six Loves, de Gower Champion). Domingo em Nova York (Sunday in New York, de Peter Tewksbury)
1964 – Inferno nos Céus (633 Squadron, de Walter Grauman). Vassalos da Ambição (The Best Man, de Franklin Schaffner). O Amor Tem Muitas Faces (Love Has Many Faces, de Alexander Singer)
1965 – Oriente Contra Ocidente (Masquerade, de Basil Dearden). Muito Além da Glória (Up from the Beach, de Robert Parrish)
1967 – Charada em Veneza (The Honey Pot, de Joseph Mankiewicz)
1968 – A Brigada do Diabo (The Devil’s Brigade, de Victor McLaglen). Os Dois Mundos de Charly (Charly, de Ralph Nelson)
1969 – Assim Nascem os Heróis (Too Late the Hero, de Aldrich)
1972 – Sem Lei e Sem Esperança (The Great Nothfield Minnesota Raid, de Philip Kaufman)
1973 – Meu Pai, Meu Herói (Ace Eli and Rodger of the Skies, de John Erman)
1974 – O Vidente Misterioso (Man on a Swing, de Frank Perry)
1975 – Três Dias do Condor (Three Days of the Condor, de Sydney Pollack). Fora de Estação (Out of Season, de Alan Bridges)
1976 – Midway (Idem, de Jack Smight). Trágica Obsession, de Brian De Palma)
1978 – Dominique Is Dead (Michel Anderson)
1983 – Uma Questão de Classe (Class, de Lewis John Carlino). Projeto Brainstorm (Brainstorm, de Douglas Trumbull). Star 80 (Idem, de Bob Fosse)
1985 – Shaker Run (de Bruce Morrison). A Chave para Rebecca (The Key to Rebecca, de David Hemmings)
1987 – Malone – O Justiceiro (Malone, de Harley Cokliss)
1989 – Infidelidade Assassina (Dead Reckoning, de Robert Lewis)
1991 – Mergulho em uma Paixão (Wild Hearts Can’t be Broken, de Steve Miner)
1992 – Wind – A Força dos Ventos (Wind, de Caroll Ballard)
1994 – Um Novo Homem (Renaissance Man, de Penny Marshall)
1995/98 – The Sunset Boys ou Waiting for Sunsets (de L. Risan). Ford – O Homem e a Máquina (Ford – The Man and the Machine, de Robert Lacey. TV)
1996 – Fuga de Los Angeles (Escape from L.A, de John Carpenter)
1998 – Assignment Berlin (de Tony Randel). Melting Pot (de Tom Musca)
1999 – Uma Relação Pornográfica (Eye of the Killer, de Richard Weinman). Family Tree (de Duane Clark)
2000 – Falcon Down. Mach 2 (de Fred Olen Ray)
2001 – The 13th Child, Legend of the Jersey Devil (de Steven Stockage)
2002 – Homem Aranha (Spider-Man de Sam Raimi)
2004 – Homem Aranha 2 (Spider-Man 2, de Sam Raimi). Montado na Bala (Riding the Bullet, de Mick Garris)
2007 – Homem Aranha 3 (Spider-Man 3, de Sam Raimi).
Foi regular em poucas séries de TV: Rob Brown of the Rocket Rangers, 53; a minisérie Washington Behind Closed Doors, 77; Falcon Crest, 83; The Lyon´s Dens, 2003.
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