13 setembro 2011 às 06:00
As Bruxas de Eastwick no teatro
Já esta em cartaz no Teatro Bradesco, no Shopping Bourbon, a primeira produção que a bem-sucedida dupla Charles Moeller (diretor) e Claudio Botelho (assina versão brasileira) faz para a produtora Time For Fun, como sempre com total liberdade de criação e alto profissionalismo.
É uma montagem criativa e com grandes momentos, que é baseada num musical originalmente produzido pelo lendário britânico Cameron Mackintosh, mas que nunca foi montada na Broadway (por isso há maior liberdade na encenação que não tem que seguir os ditames da versão americana, como sucede por exemplo com outro show da Time For Fun, que está em ensaio agora, A Família Addams (aliás, este show tem citações dela, usando como fio condutor uma menina que lembra muito a daquele musical).
A versão inglesa foi montada em 2000, dirigida por Eric Schaeffer, com música de Dana Rowe e roteiro de John Dempsey. Manteve-se, em linhas gerais, a história: três mulheres solitárias, Jane, Alexandra e Sukie, que vivem numa cidadezinha (que lembra Salém, aquelas das bruxas), se encantam com a chegada de um novo morador, Darryl, ninguém menos que o próprio diabo, que irá mudar a vida deles todos. Até elas perceberam que sua força as está corrompendo.
Quem fez o papel principal foi o ator Ian McShane, que teve prestígio quando jovem (Vilão, The Last of Sheila/O Fim de Sheila) para sumir da tela e retornar recentemente fazendo sucesso na série da HBO, Deadwood e depois Os Pilares da Terra). Tem a figura adequada e certamente diabólica. Ao seu lado estava a ótima estrela local Maria Friedman, a americana Lucie Arnaz (filha de Desi e Lucille Ball) e Joanna Riding (que não conheço).
O espetáculo teve carreira fraca na sua estreia, mas depois continuou numa versão menor que durou ano e meio e teria acabado em consequência da queda do turismo por causa de 11 de setembro. Teve quatro indicações ao prêmio Olivier, inclusive melhor música, mas não ganhou nenhuma.
Confesso que nunca revi o filme (acabei de encomendar o Blu-ray) recentemente, mas na época gostei muito desta versão do livro de John Updike, feita pelo australiano George Miller (Mad Max) com três ótimas mulheres, Cher, Michelle Pfeiffer e Susan Sarandon (usava também de forma eficiente efeitos especiais e o personagem da vizinha, que era feita pela Veronica Cartwright, lembrada por ser irmã de Angela de A Noviça Rebelde e que esteve em filmes como Alien, o Oitavo Passageiro e Os Pássaros, papel que nesta versão tem seu equivalente na Felicia interpretada por Fafy Siqueira. Aliás, ela tem tido elogios unânimes, ainda mais por quem não sabia que tinha uma voz extraordinária. Como já era admirador dela, só fico feliz por mais gente agora reconhecer seu talento. Em breve Fafy estará vivendo Dercy Gonçalves numa minissérie da Globo.
Para mim, fazer uma versão nova das bruxas tem um problema insolúvel, o filme é um show pessoal de Jack Nicholson, que encontrou o personagem de sua vida, ou seja, o próprio diabo (de quem ele tem feito variações em toda sua carreira). Impossível imitá-lo ou competir com ele e, por isso, sabiamente o show nem tenta. Eduardo Galvão, um ator subestimado cria uma linha própria, claro que mais discreta mas que funciona.
Há outro problema sério com o show já na sua origem, as canções não memoráveis, melhor dizendo toda a trilha é muito pouco melódica (ainda sou daquele tipo de gente que gosta de sair de um musical assoviando alguma canção dele). Esquecemos dela na hora. A dupla de encenadores faz o possível para compensar isso com um excelente elenco central e de apoio, com coreografias vibrantes e variadas e muitos efeitos de mágica (e outro mais especial no fim do primeiro ato quando elas dão uma de Peter Pan e saem voando pela plateia).
Sou fã de Maria Clara Gueiros, que está sendo promovida como estrela do show, mas que na verdade faz parte de um trio de qualidade, onde brilham também as menos conhecidas Sabrina Korgut e Renata Ricci, ambos excepcionais cantoras e presenças. Novamente tem seu momento de parar o show o jovem André Torquato, que havia impressionado tanto em Gypsy.
Ou seja, vi com muito prazer As Bruxas graças ao impecável trabalho da montagem. Acredito que em outras mãos não teria o mesmo resultado.
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