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26 setembro 2011 às 06:00

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Revisitando clássicos em Blu-ray (EUA): Vera Cruz

Áudio: Ing, Franc, Esp (todos Mono HD). Legendas: Inglês, português, espanhol. Faroeste. Widescreen. 94 min. Cor. 1954. EUA. (originalmente United- MGM, aqui no Brasil seria Fox).

Diretor: Robert Aldrich. Elenco: Gary Cooper, Burt Lancaster, Sarita Montiel, Denise Darcel, Cesar Romero, Ernest Borgnine, Charles Bronson, Jack Elam, George MacReady.

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Sinopse: Coronel sulista e um sorridente ladrão de cavalos se encontram em 1866, no México, quando aceitam uma oferta do imperador Maximiliano para escoltar uma carruagem com a Condessa até a cidade de Vera Cruz. No caminho encontram bandidos, uma ladra e uma fortuna em ouro escondido que é disputada por todos.

Queria começar com este filme uma série onde vamos chamar a atenção para alguns dos grandes diretores que estão esquecidos ou injustiçados. Já podemos considerar isso com Frankenheimer (de que publicamos há dias sobre Grand Prix). Agora vamos defender outro talentoso cineasta que teve seu momento e foi dispensado, o homem que fez este Vera Cruz, Robert Aldrich. Eis a biografia dele:

Roberta Aldrich (1918-1983)

Diretor americano, famoso por seus filmes violentos e audaciosos, principalmente em seu apogeu no começo dos anos 50. Mas estranhamente entrou numa lenta decadência a partir justamente de seu maior êxito de bilheteria, Os Doze Condenados.

Nascido em 9 de agosto em Cranston, Rhode Island. Começou em 1941 nos estúdios da RKO, como assistente de produção, depois “script clerk”, “production manager” e produtor associado. Mas acertou mesmo como diretor assistente (ou de "segunda unidade", como são chamados), fazendo 28 filmes assim, desde E as Luzes Brilharão Outra Vez, de Robert Stevenson, em 1942, até Luzes da Ribalta, de Chaplin, vinte anos depois (passando por Renoir, Wellman, Zinnemann).

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Dirigiu para a TV (série The Doctors, 1952), enveredando também pela produção. Depois do sucesso de seu grand guignol, Baby Jane, criou um estúdio próprio, que perdeu depois do fracasso de seus últimos filmes.

Uma boa mão para os filmes de ação, ele a desperdiçou em fitas de moral duvidosa. Era primo do governador de Nova York, Nelson Rockefeller. Foi presidente do Sindicato dos Diretores (1975-79).

Seus filhos trabalham também na indústria do cinema, Adell Aldrich (1943) é supervisor de scripts, William Aldrich (1944) é produtor (O Céu que nos Protege, de Bertolucci).

Faleceu em 5 de dezembro, em Los Angeles, de problemas nos rins. Em breve falaremos de outro filme clássico dele, A Morte Num Beijo.

Direção:

1953 – The Big Leaguer (Edward G. Robinson, Vera Ellen).
1954 – Pânico em Singapura (World for Ransom. Dan Duryea, Gene Lockhart). O Último Bravo ou Apache/ Massai, o Último Guerreiro Apache (Apache. Burt Lancaster, Jean Peters). Vera Cruz (Idem. Burt Lancaster, Gary Cooper).
1955 – A Morte Num Beijo (Kiss Me Deadly. Ralph Meeker, Albert Dekker). A Grande Chantagem (The Big Knife. Ida Lupino, Jack Palance). Folhas Mortas (Autumn Leaves. Joan Crawford, Cliff Robertson).
1956 – Morte Sem Glória (Attack! Jack Palance, Eddie Albert).
1957 – Clima de Violência (The Garment Jungle. Kerwin Mathews, Gia Scala. Creditado a Vincent Sherman, que o concluiu).
1959 – Colinas da Ira (The Angry Hills. Robert Mitchun, Gia Scala). A Dez Segundos do Inferno (Ten Seconds to Hell. Jeff Chandler, Martine Carol).
1961 – O Último Pôr-do-Sol (The Last Sunset. Rock Hudson, Kirk Douglas).
1962 – Sodoma e Gomorra (Sodom and Gomorrah. Co-d Sergio Leone. Stewart Granger, Pier Angeli).
1963 – O que terá acontecido à Baby Jane? (Whatever Happened to Baby Jane?. Joan Crawford, Bette Davis). Quatro Heróis do Texas (Four for Texas. Frank Sinatra, Dean Martin).
1964 – Com a Maldade na Alma (Hush... Hush, Sweet Charlotte. Bette Davis, Olivia de Havilland).
1965 – O Voo do Fênix (The Flight of the Phoenix. James Stewart, Hardy Krueger).

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1967 – Os Doze Condenados (The Dirty Dozen. Charles Bronson, Lee Marvin).
1968 – A Lenda de Lylah Clare (The Legend of Lylah Clare. Kim Novak, Ernest Borgnine).
1969 – Triângulo Feminino (The Killing of Sister George. Beryl Reid, Susannah York).
1970 – Assim Nascem os Heróis (Too Late the Hero. Cliff Robertson, Michael Caine).
1971 – Resgate de uma Vida (The Grissom Gang. Kim Darby, Tony Musante).
1972 – A Vingança de Ulzana (Ulzana’s Raid. Burt Lancaster, Bruce Davidson).
1973 – O Imperador do Norte (Emperor of the North Pole. Ernest Borgnine, Lee Marvin).
1974 – Golpe Baixo (The Longest Yard. Burt Reynolds, Eddie Albert).

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1975 – Crime e Paixão (Hustle. Burt Reynolds, Catherine Deneuve).
1976 – O Último Brilho do Crepúsculo (Twilight’s Last Gleaming. Burt Lancaster, Richard Widmark).
1977 – Os Rapazes do Coro (The Choirboys. Charles Durning, Perry King).
1979 – O Rabino e o Pistoleiro (The Frisco Kid. Harrison Ford, Gene Wilder).
1981 – Garotas Duras na Queda (All the Marbles. Peter Falk, Vicki Frederick).

Comentários: Vera Cruz é um faroeste “classe A” produzido pelo próprio Lancaster, que na época tinha uma produtora de sucesso, a Hecht (de Harold Hecht)/Hill (de James Hill, que assina como produtor)/Lancaster.

Foi construído como um veículo para os dois grandes astros, então ainda no auge da popularidade, Gary Cooper (1901-1961) e Lancaster (1913-1994). Ambos em seus personagens típicos: Gary como um homem de honra, fazendeiro arruinado, que fala muito pouco e tem bons princípios. Burt de roupa negra, um eterno sorriso nos lábios desnudando seus famosos dentes muito brancos e grandes. Quase fazendo uma paródia de si mesmo, ou ao menos num comportamento típico de sua “persona”, um cara grosso, cafajeste, sem qualquer princípio, mas que comanda com pulso forte um bando de pistoleiros (uma quadrilha que é formada pelos futuros astros Bronson e Borgnine, além do zarolho e sempre curioso Jack Elam).

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Este foi o primeiro grande sucesso do diretor Robert Aldrich (1918-83), que tinha feito antes “O Último Bravo”, com Lancaster, que confiou nele neste projeto que sempre foi um de seus filmes favoritos (dizia ele porque tinha um herói e um anti-herói). Naturalmente Aldrich depois faria Os Doze Condenados, onde utilizaria novamente Borgnine e Bronson.

A produtora de Lancaster com os parceiros foi das primeiras companhias independentes de Hollywood foi muito bem-sucedida (tanto que ano seguinte eles ganhariam o Oscar de melhor filme com Marty, com Borgnine estrelando e também levando o Oscar de ator).

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Apesar de dono do filme e talvez por isso, Burt não teve problemas em deixar o nome de Gary aparecer em primeiro lugar nos letreiros e cartazes, não só porque o outro tinha carreira mais longa como era maior atração de bilheteria.

Este filme foi rodado no México (o que não era muito comum na época, até porque a legislação obrigava que contratassem um diretor local mesmo que este não fosse utilizado. Os interiores foram no famoso estúdio Churubusco e uma das sequências mostra as famosas ruínas das pirâmides astecas inclusive a Pirâmide onde eram feitos os sacrifícios humanos), custou US$ 1.7 milhões e rendeu mais de 11! (deve-se sempre considerar números muito mais elevados se forem feitos os acertos da inflação).

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Foi também o primeiro filme feito pelo processo de widescreen chamado Superscope. Rodado na proporção convencional 1:37:1, era formatado para 2:1 na pós produção (foi o precursor do chamado Super 35) para que fosse compatível com o processo Cinemascope, usando lentes anamórficas.Tudo isso pode explicar o resultado irregular desta versão em HD. Em algumas cenas, em geral closes, a nitidez é boa, mas o colorido é irregular mudando de plano para plano e muitas vezes provocando granulação.

Justificando a crença de que o Blu-ray não funciona tanto com filmes realizados antes de 1955.

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Não se pode dizer que Vera Cruz seja exatamente um grande clássico do gênero, ainda mais numa época em que está na moda o western psicológico, como Matar ou Morrer ou O Matador (em que os mocinhos tinham problemas de consciência e se denuncia a apatia do povo). Mas ele é “fun”, como dizem os americanos, divertido de assistir e para sua época tem um ritmo muito intenso (em 90 minutos tem 1.130 cortes).

Além disso, é considerado por muitos críticos como o precursor do Spaghetti Western até porque era um dos filmes favoritos do criador desse gênero, Sergio Leone (quem também o imitou bastante foi Robert Rodriguez em Era Uma Vez no México). De qualquer forma, dizem que os mexicanos ficaram tão ofendidos com o resultado que depois exigiram censurar filmes posteriores (como foi o caso de Sete Homens e um Destino, onde os camponeses usam roupas brancas limpíssimas). Tem gente também que considera o filme o primeiro faroeste cínico (por exemplo, os heróis chegam a ameaçar um grupo de criancinhas), que confunde os personagens de bom e mau. Além de ser também precursor dos chamados filmes de “buddy” (tipo Butch Cassidy, onde os dois homens são amigões ao menos até o confronto a tiros no final). Teria influenciado não apenas Por um Punhado de Dólares, mas até Máquina Mortífera!

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Foi escrito por um homem de confiança de Lancaster, Roland Kibee (1914-84), junto com um veterano do gênero de confiança de John Wayne, James R.Webb (1910-74), que fez scripts para Cabo do Medo, A Conquista do Oeste, Da Terra Nascem os Homens. E baseado em história de outro ícone do faroeste Borden Chase (1900-1971), responsável por filmes famosos como Winchester 73, Rio Vermelho, E o Sangue Semeou a Terra.

Dizem as fofocas que Cooper estava sob medicação na época (aparentemente porque se feriu com fragmentos de uma ponte que explodiu com excesso de dinamite!) que o teria deixado impotente e que teria odiado Sarita Montiel, que ele achava que não tomava banho e nem lavava o cabelo. Não é bem o que ela diz, em sua autobiografia recorda de danças de salão com Cooper e insinua um casinho entre eles.

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Sarita (que foi dublada por profissional, já que não sabia falar inglês) ou Sara ganha o crédito “introduzindo” no filme apesar dela ser uma já veterana do cinema mexicano e estas prestes a se tornar um ídolo internacional com os filmes El Ultimo cuplé e La Violetera. Na época ela fez ainda outros trabalhos em Hollywood (como Serenata com Mario Lanza) e se casou com o diretor Anthony Mann (El Cid, O Homem do Oeste, com Gary). No filme ela faz uma ladra mexicana que bate a carteira de Gary e depois acompanha toda a caravana que protege a Condessa. Sempre muito maquiada, esta jovem e muito bela (mas não canta como nos filmes europeus posteriores), Sara continua viva e há pouco tempo se casou com rapaz mais novo (mas já se separou!).

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Há no elenco ainda outras figuras importantes, o Imperador Maximiliano é feito por George MacReady (famoso como o vilão de Gilda, que controla Rita Hayworth naquele filme, na vida real o Imperador teria 34 anos enquanto George tinha 20 anos a mais), Cesar Romero faz o papel de oficial que serve o Imperador fazendo jus a sua figura de o mexicano/latino mais conhecido de Hollywood (e parceiro também de Carmen Miranda). E num papel importante, de Condessa, uma atriz francesa que era chamada para fazer filmes americanos (seu sotaque é horrível, além disso era pouco bonita e má atriz, parecia ser amante de alguém importante). Seu nome é Denise Darcel (1925- aparentemente ainda esta viva) e trabalhava nos estúdios desde 1948 em filmes como O Preço da Glória (Battleground , 49, de William Wellman), Caravana de Mulheres (51, também de Wellman), Salve a Campeã, com Esther Williams, em 53. Mas não fez nada mais importante depois desde filme até se aposentar em começo dos anos 60. Segundo o folclore de Hollywood porque ela teria recusado o milionário Howard Hugues e Harry Cohn (chefe da Columbia). Teria terminado como empregada de Cassino de Vegas, dando cartas para jogos.

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Construído em cima da amizade /rivalidade entre os dois protagonistas, o filme tem toques de humor, suficiente ação (é ligeiramente mais violento que a média da época), uma trama básica com diálogos espertos.

Não vejo grande profundidade nele, mas não há dúvida que ganha muito por causa da dupla de estrelas. Por isso é sempre bom de ver e rever. Traz como extra apenas trailer de cinema.

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