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27 setembro 2011 às 11:18

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Dois anos já. Parece que foi ontem…

Dizem alguns místicos que há qualquer coisa errada no Universo que faz o tempo correr acelerado. Ou certa, sei lá. A verdade é que “parece que foi ontem” se tornou um impossível lugar comum. Que as boas e más lembranças se acumulam com tal rapidez que parecem editadas para um tresloucado filme em 3D.

Se o universo parece descontrolado, se me recuso a acreditar na “melancolia” que o mundo vai acabar tão drasticamente quando diz o Von Trier, nestes dois últimos anos  surgiu uma espécie de ancora que modificou a minha vida, que de fato a tornou mais interessante, mais intensa, como direi, “mais vivida”.

São dois anos que eu tenho um contato diário direto e permanente com um novo amigo, alguém que me ouve, me contesta, reclama ou elogia, que por vezes tento seduzir ou convencer, outras desiludido, procuro relembrar algum detalhe perdido no tempo. E por que não, as vezes até sendo um pouco didático.

Mas alguém que eu sei que é sócio do mesmo clube, membro da mesma seita, que é tão apaixonado quanto eu pelo cinema. E essa paixão, como todas elas, por vezes egoísta, descontrolada, imatura, é cultivada a cada dia aqui no Blog do R7.

Não estou exagerando ao dizer que essa conversa diária de toda maneira muito positiva mudou minha vida. Ao ser convidado para escrever uma “coluna diária”, perdoem o termo antiquado, quis fugir da crônica excessivamente pessoal. Talvez por pudor, talvez por ter a certeza de que tudo que escrevo é sempre para um “leitor ideal”, não tão imaginário assim.

É um amigo a quem confidencio coisas de mim e do cinema. E para quem, às vezes, posso me revelar muito mais ao discutir um filme que revi do que ao contar uma ida ao supermercado. Sou totalmente intuitivo e me exponho cada vez que de manhã cedinho ou tarde da noite me sento no computador.

Sou também obsessivo, se morreu alguém e eu me atrasei em fazer a homenagem, a retrospectiva, ou então deixei escapar uma notícia importante, fico arrasado. Voltei a me educar em ser rápido na busca da informação, na tentativa de compilar dados e se errar, procurar corrigi-los. E não sei de onde vem essa mania de não deixar tudo para a última hora.

Tudo o que vai sair esta semana no Blog já está pronto há mais de uma semana, em parte porque vou viajar, em parte por respeito a esse meu amigo, que a cada dia deseja ser surpreendido com um novo artigo, uma nova descoberta. E que nem por isso impede que o jornalismo voltou a ser o centro de minha vida, como era nos meus tempos de foca, depois redator e editor no antigo Jornal da Tarde. Aquele prazer de estar lidando com a notícia quente, de voltar a ser repórter, era coisa que não sentia há muito tempo. E que tenho que agradecer aos amigos do R7.

Nestes dois anos não houve um dia em que eu não tenha escrito com prazer, que tenha me faltado assunto, que eu não tenha vibrado com o contato com os colegas da redação, a maior parte dos quais já são amigos (amigas) mas a quem ainda não dei um rosto, nunca chegamos de fato a nos encontrar. O tempo todo eles foram meus cúmplices, meus parceiros e voltar a fazer de uma equipe é outra coisa que me faz sentir bem. E se não fosse também o R7, eu não teria voltado a fazer jornalismo ao vivo, no Jornal do Heródoto na Record News,  o que tem sido para mim um experiência muito prazerosa.

Em geral nas sextas feiras, quando apareço, eu chego aos estúdios até duas horas antes, não por necessidade, mas simplesmente pelo prazer de ficar conversando com os (as) colegas, trocando ideias, experiências, por vezes reencontrando velhos companheiros de luta, por vezes me estimulando para seguir adiante quando a vida me deu um baque mais dramático. Sempre aprendendo alguma coisa, trocando alguma experiência. Falando muito, mas também ouvindo bastante.

Foi graças ao R7, a este Blog, e aos que me deram esta chance, que de certa maneira me redescobri jornalista. Fazer da minha posição privilegiada de cronista um retrato do meu tempo, da minha experiência, das minhas paixões e por que não, dos meus medos e anseios.

Para mim o cinema não é  o princípio e o fim, mas um meio de entender melhor o mundo, as semelhanças e as diferenças, as crises políticas e sociais, os escândalos, as perdas, a luta permanente para manter acesa a chama do Belo e do Possível, num mundo que cada vez mais se brutaliza, fica mais vulgar.

Há muitos anos encontrei numa pequena sala de cinema um “cartazete” que dizia que “Quem ama a vida ama o cinema” e que eu adotei como lema. Se bem que, por vezes, o vice versa seja igualmente verdadeiro, “Quem ama o cinema ama a vida”. E talvez a entenda um pouco mais.

Esse amor, essa busca pela compreensão, pela verdade, são parte do meu exercício diário aqui neste espaço no R7. Tenho muito orgulho de fazer parte desta equipe, deste Portal, deste momento tão brilhante do jornalismo que mal começamos e que já vemos florescendo. Obrigado pela liberdade, a confiança, a oportunidade de estarmos escrevendo juntos “o filme de nossa vida”.

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