1 outubro 2011 às 06:00
Coluna de DVD – Lançamentos
A Garota Rosa - Schoking ****
Áudio: Inglês 2.0 e 5.1. Leg: Port. Romance Teen. Wide. 96 min. Cor. 1986. EUA. Paramount. Livre.
Diretor: Howard Deutch. Elenco: Molly Ringwald, Harry Dean Stanton, Jon Cryer, Annie Potts, James Spader, Andrew McCarthy, Kristy Swanson, Gina Gershon, Kate Vernon e Margaret Colin.
Sinopse: No último ano da High School, Andie, que vem de uma família pobre, é cortejada por Blane, que é de família rica. Seu melhor amigo Duckier também gosta dela, mas o triângulo amoroso irá se resolver só na festa de formatura.

Comentários: Parece incrível que só agora esteja sendo lançado em DVD, e assim mesmo em edição inicialmente só para clientes da locadora 2001 este grande sucesso de bilheteria que virou cult e que foi o último da trilogia que o produtor-roteirista John Hughes fez com sua musa Molly Ringwald (ele brigou com ela, não se sabe o motivo e apesar dela dizer que gostaria de fazer outro filme juntos, isso não sucedeu porque ele se aposentou cedo e acabou morrendo prematuramente no dia 6 de agosto de 2009, em Nova York, aos 59 anos). Foi um choque para toda uma geração que se viu retratada pela primeira vez na tela em seus filmes.
Antes de Hughes, os adolescentes eram idealizados por Hollywood (ou então pintados como marginais como em Juventude Transviada). Hughes foi o primeiro que os retratou de forma romântica, mas realista, colocando os prós e contras dessa dura fase da vida. Esta aqui a divisão social entre a turma dos filhos de ricos e de pobres e que como eles não se misturam, a presença do bullying e como os mais feios e mais pobres procuram se tornar exóticos (como Andie, que costura suas próprias roupas, ou Duckie, que virou o palhaço da turma, meio Jerry Lewis, mas que nem por isso deixa de ser desprezado).
Hughes tinha uma sensibilidade especial para escalar atores e escreveu o script especialmente para Molly, inclusive usando a preferência que ela tinha pela cor rosa (importante que eles não eram namorados nem mesmo muito amigos). Mesmo assim a Paramount chegou a pensar em colocar Jennifer Beals no papel. Outra coisa importante é que mesmo passando a direção para outro estreante vindo de clipes, Howard Deutch, ele continuou acompanhando as filmagens e sempre acessível, mexendo no texto e conferindo o resultado.
A qualidade do elenco se reflete no fato de que todos têm momentos memoráveis e antológicos. Cryer só iria encontrar outra chance na série de TV Dois Homens e Meio. Molly, sem Hughes, nunca mais funcionaria. Mas aqui consegue ser encantadora e diferente. Dá para acreditar no romance com Blane (há química dela com Andrew McCarthy) e o subestimado James Spader é certamente um dos melhores vilões do cinema (embora na vida real seja um sujeito muito simpático, todo ligado à família).
O filme é basicamente uma fábula, com um roteiro que sabe justificar as situações (Andie tem uma relação muito verdadeira com o pai, desempregado, que não consegue escapar da mulher que os deixou) sem deixar de ter humor, bom uso da trilha musical (muita influenciada por Hughes) e tudo é muito fácil de empatizar. Mas o que torna realmente importante esta edição (na verdade datada de 2006, ou seja, seus 20 anos) é que traz extras incríveis.
Não apenas comentários legendados do diretor, mas um extenso making of, dividido em vários capítulos. Há entrevistas da época das filmagens, inclusive com Hughes que fugia delas e depois o que os envolvidos pensam em retrospectiva. Comparecem o diretor, Molly, Jon, Andrew e Annie, e umas das coisas mais interessantes são as cenas favoritas de todos (a de Cryer é um momento solo dele onde dubla Try a Little Tenderness e que era aplaudida no cinema) e basicamente o que todos pensam em De Volta a Formatura.
Ficamos sabendo que o filme terminava originalmente de outra maneira, e Andie ficava com Duckie, os dois pobres juntos. Mas nas previews o público reagiu inteiramente contra e Hughes teve que reescrever o final e refazê-lo seis meses depois (McCarthy tinha a cabeça raspada por causa de peça militar que fazia na Broadway e teve que usar uma peruca!). Mas esta conclusão é que ajudou a tornar o filme um clássico do seu gênero.
Rocco Papaleo **
Permette? Rocco Papaleo/Chicago Story
Áudio: Itália. Leg: Port. Comédia dramática. Wide. 101 min. Cor. 1971. Itália/ França. New Line. 12 anos.
Diretor: Ettore Scola. Elenco: Marcello Mastroianni, Lauren Hutton, Tom Reed, Margot Novak, Peter Goldfard e Umberto Travaglini.
Sinopse: Um simplório emigrante italiano que trabalha no Alaska chega a Chicago para assistir uma luta de boxe, mas se desencontra dos colegas e é atropelado por uma modelo. É o começo de uma trajetória por figuras estranhas e marginais, num conflito de culturas.

Comentários: Este não é dos filmes mais memoráveis e bem sucedidos do grande diretor italiano Scola, que recentemente anunciou sua aposentadoria. Ele foi rodar nos Estados Unidos, a história de um emigrante e o conflito de culturas, sem dúvida influenciado pelo estilo de filmes que eram feitos na época (câmera solta, locações, preocupação mais com o realismo do que a plasticidade).
Criou um personagem simplório demais, que toda hora tenta se apresentar aos outros (daí o titulo original), mas, logicamente, na cidade grande poucos se incomodam. Quando cria uma relação com a modelo que o atropela (era a moça da moda naquele momento), Lauren Hutton, que tinha os dentes da frente separados, se mostra nua- outra coisa da época- e da conta do papel (embora aqui a versão seja dublada em italiano mesmo quando falam inglês, o que resulta em algo bem esquisito).
Mas tudo é extremamente previsível, assim como não são especialmente interessantes nem os tipos que ele encontra, nem as situações por que passa. Nem mesmo o indestrutível Mastroianni está em um grande momento. Apenas curioso.
Meu Marido de Batom ***
Tenue de Soirée
Áudio: Francês. Leg: Port. Comédia. Wide. 84 min. Cor. 1986. França. Cult Classic. 14 anos.
Diretor: Bertrand Blier. Elenco: Gérard Depardieu, Miou Miou, Michel Blanc, Jean Pierre Marielle, Mylène Demongeot, Jean François Stevenin, Bruno Cremer, Michel Creton.
Sinopse: O casal Monique e Antoine vive sempre brigando. É quando surge o ladrão Bob, ex-presidiário, que os ensina não apenas a roubar, mas começa a cortejar Antoine, um homem careca e sem atrativos que aos poucos ele convence a se tornar homossexual.
Comentários: Assisti pela primeira vez em Cannes, este estranho e ousado filme de Bertrand Blier (filho do ator Bernard Blier), que ele escreveu e dirigiu com uma verve e atrevimento que trouxe dos filmes que o consagraram, Les Valseuses/Corações Loucos, 64 (com Depardieu e Miou Miou que retornam aqui) e o que lhe deu um Oscar de filme estrangeiro, o menos conhecido Preparem seus Lenços).
É preciso estar preparado para seu tipo de humor, que não é realista, mas desconcertante, feito em cima de situações e não personagens. Que você pode amar ou odiar. Neste filme, ao menos há, o choque do inusitado, já que ninguém pode imaginar o grandão Depardieu dar em cima sexualmente de um homem tão sem atrativos quando Michel Blanc, um convencimento que vai conduzindo o casal por caminhos nunca dantes navegados, terminando de forma ainda mais bizarra, quase surrealista.
Seria uma espécie de fábula, valorizada por diálogo inteligente, bons coadjuvantes (inclusive com retorno da ex-estrela Mylene Demongeot). Sem dúvida um gosto adquirido.
Lenny *****
Idem
Áudio: Inglês. Leg: Port. Drama. Wide 1.85. 111 min. PB. 1974. EUA. Versátil. 18 anos.
Diretor: Bob Fosse. Elenco: Dustin Hoffman, Valerie Perrine, Jan Miner, Gary Morton, Stanley Beck, Frankie Mann e Guy Rennie.
Sinopse: A vida do comediante Lenny Bruce (1926-1965), que ficou famoso e foi perseguido e preso por usar palavrões em seus shows de night-club, seu romance com a mulher stripper e sua morte de overdose de drogas.
Comentários: Todo mundo associa Bob Fosse (1927-87) aos musicais, considerando que ele era um genial diretor, coreógrafo e dançarino responsável por clássicos como Cabaret e o autobiográfico All That Jazz (para não mencionar as inúmeras coreografias para cinema e espetáculos para a Broadway). Ele era um excepcional diretor em qualquer gênero como demonstra aqui neste seu menos conhecido filme (principalmente porque quis filmá-lo em preto e branco, o que lhe impede que seja exibido na TV).
Até hoje é um filme extremamente moderno e atual, uma acusação contra a hipocrisia da sociedade que perseguiu o comediante judeu Lenny Bruce porque ele ousava dizer palavrões em seus shows e tocar em temas polêmicos numa época em que isso era proibido e considerado imoral.
Ele teve uma vida conturbada, que o filme conta através de depoimentos como se fosse um documentário como está na moda atualmente, principalmente de seu agente, sua mulher (também viciada em drogas e presa), e sua mãe.
O talento de Fosse fica claro também na qualidade do trabalho de uma estreante Valerie Perrine, que chegou a ser indicada ao Oscar de coadjuvante e está esplendida como a Honey, stripper, bisexual, viciada em drogas, mas sempre apaixonada por Lenny. A atriz dá um show de humanidade e fragilidade (e sintomaticamente nunca mais fez nada que prestasse).
Também um ator irregular como Dustin Hoffman está brilhante e tem uma grande caracterização como Lenny (em particular quando de barba) dominando a difícil arte de contar piadas em stand-up e em dar uma ideia bem próxima do que foi o humorista, seus conflitos e contradições, mas principalmente seu talento.
Extremamente bem editado, o filme impressiona muito numa revisão. Originalmente da United Artists, foi indicado aos Oscars de ator, coadj (Valerie), foto, direção, filme e roteiro, mas não ganhou nenhum. Valerie foi também melhor atriz em Cannes e pelos críticos de Nova York.
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