20 outubro 2011 às 06:00
Crítica de Winter, o Golfinho (Dolphin Tale)
Direção: Charles Martin Smith. 113 min. Com: Morgan Freeman, Harry Connick Jr, Ashley Judd, Kris Kristofferson, Nathan Gamble, Frances Sternhagen.

Assisti num Cinemark em Buenos Aires, em 3D (numa projeção totalmente sem brilho e luminosidade) esta aventura juvenil baseada em fatos reais que me pareceu antiquada demais.
Não tem porque reunir um elenco até ilustre, mas desequilibrado.
O rapaz Jim Fitzpatrick, que faz o primo que fica aleijado numa explosão, é péssimo e quase afunda o filme. Também não ajuda muito o adolescente Nathan Gamble, de Marley e Eu e Batman o Príncipe das Trevas, que não tem a simpatia ou carisma para segurar um papel central. Será que foi por amizade ao diretor que foi ator em Os Intocáveis e American Graffiti e depois tem se especializado em aventuras passadas na natureza selvagem?

Aqui, uma espécie de clipe ao final com imagens dos fatos reais, deixa a impressão que houve a intenção de ser o mais possível fiel a realidade. Chegaram mesmo a filmar na cidade de Clearwater, na Flórida, inclusive no próprio museu da história do filme. Embora tentem não há como conseguir tirar da cabeça da gente o fantasma do golfinho da televisão, o Flipper, que naturalmente é o modelo para qualquer história do gênero.
A verdade é o que filme se esforça em passar uma mensagem positiva, de ressaltar a importância da família, da perseverança, e passa mesmo um recado curioso: ao invés vez de deixar o filho de recuperação nas férias de verão, a mãe dele prefere vê-lo fazer uma coisa que gosta e o entusiasma, que é cuidar do golfinho doente. Portanto, nada tão família e tão antiquado.
É sobre um pré-adolescente traumatizado pela ausência do pai que simplesmente sumiu. (Essa temática é abordada com exagero pelo cinema atual, mesmo se tratando de uma epidemia generalizada de pais incompetentes).

O tal adolescente passa de bicicleta por uma praia quando é chamado para ajudar um golfinho ferido, que é resgatado pelo pessoal de uma espécie de museu de fauna marinha. Acaba ficando amigo das pessoas e principalmente do golfinho, que acaba recebendo o nome de Winter (Inverno, em inglês. Diz o filme da sorte usar o nome das estações do ano!)
O cantor Harry Connick Jr, com sua boca torta e falta de queixo, não convence nem por um momento como o chefe do lugar e a gente fica esperando em vão um romance com a mãe do garoto, a já mais envelhecida, mas ainda bonita Ashley Judd.
O problema para ser resolvido é que é preciso colocar alguma forma de cauda no bicho senão ele irá morrer. Aí então que entra Freeman como um especialista de próteses.
Tem um furacão passageiro, o museu que está para fechar e a crise do primo que se feriu numa explosão, mas ainda assim falta aventura. Falta mais emoção e mesmo um protagonista mais empolgante. Francamente eu fico com Flipper, este Winter não deu pé.
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