post-icon

25 outubro 2011 às 09:29

comentarios-icon7 Comentários »

Os Três Mosqueteiros 3D

mosqueteiros 3d <i>Os Três  Mosqueteiros 3D</i>

The Three Musketeers. Alemanha/Inglaterra.

Direção: Paul W. S. Anderson. Com: Mathew McFadyen, Mila Jovovich, Christoph Waltz, Luke Evans, Ray Stevenson, Orlando Bloom, Till Schweiger, Logan Lerman, Dexter Fletcher, Mads Mikkelsen, Freddie Fox, Gabriella Wilde, Juno Temple, James Corden. Playarte.

Esta enésima adaptação do romance clássico de Alexandre Dumas foi feita para ser exibida em 3D, mas os efeitos parecem mais interessantes no trailer onde estão todos mais reunidos do que não projeção normal. Mas fora isso não tem maior razão de ser, misturando influências e ideias de outras versões (vide a matéria abaixo).

É preciso ver antes de tudo que é uma coprodução entre Alemanha (foi rodado em sua maior parte na Baviera, que inclusive passa por Versalhes) e Inglaterra (de onde veio a maior parte do elenco).  Mas foi feita por um diretor de ação americano Paul W.S.Anderson (não confundir com o homônimo de Magnólia) que faz mais um veículo para sua mulher, a estrela Milla Jovovich, que nasceu na Ucrânia, filha de sérvio e atriz russa), depois da série Resident Evil (já estão filmando o quinto!).

A única coisa nova é que o filme estreou no Brasil duas semanas antes dos EUA e Mila já saiu nas notícias dizendo que a distribuidora Summit não o está sabendo promover!

Não é a primeira vez que se apresenta num filme a figura do jovem D'Artagnan, ou seja o Quarto Mosqueteiro, como um adolescente e, mesmo no livro, ele é muito jovem. Mas nunca escolheram ninguém pior, com menos personalidade do que o garoto americano Logan Lerman.

Que tal lembramos de Percy e oLadrão de Raios (parece que farão agora uma continuação dele) e que está prejudicado por um cabelo longo demais que o deixa com cara de menina. Ele não tem um rosto pequeno e inexpressivo. Com seus olhos azuis, mas minúsculos, sua participação é patética, deixa um buraco no meio do filme que o roteiro não ajuda a resolver.

Tudo é muito esparso e mal explicado, não se dão informações vitais, tais como o fato do que a rainha é austríaca, ou que Milady foi ex-mulher de Athos. Tudo fica meio subentendido supondo que o público já fosse informado, dando mais ênfase a ação e exuberância da ação. Ainda assim nenhum dos duelos de florete chega aos pés de qualquer coisa já feita antes por Gene Kelly na versão de 48 ou mesmo no atlético  A Vingança do Mosqueteiro de 2001.

A única mudança mais marcante é um prólogo passado em Veneza onde o conde inglês Buckingham se une a Milady para roubar de Cagliostro os desenhos secretos de Da Vinci sobre um navio voador, o que mergulha o filme no campo da ficção-científica à la Jules Verne e o que depois será utilizado na história até para efeito cômico e também para tornar o filme meio coisa de Piratas do Caribe!

Ao menos Mila Jovovich está bonita e sedutora como uma das grandes vilãs do cinema. Traidora e aqui pouco mais do que uma caricatura. E finalmente Orlando Bloom não se compromete como Buckingham, mesmo porque nada como um canastrão para interpretar um personagem canastrão!

mila <i>Os Três  Mosqueteiros 3D</i>

Por outro lado, Christoph Waltz está até mais discreto do que costume e os três mosqueteiros, apesar do título, são muito mal explorados. Raramente vi um roteiro que desenvolve tão mal seus protagonistas. Nenhum dos atores tem um papel onde possam se segurar.

Um dos poucos que traz algo  novo é  o britânico Freddie Fox que interpreta o jovem Rei da França, de cabelos longos, todo metido a dandy. Este é sobrinho dos atores Edward Fox e James Fox (esteve em St. Trinian's de mais conhecido) e acaba funcionando.

Mas tudo o mais já foi visto, inclusive aquela coisa óbvia de dividir a trama em dois filmes - aqui é a velha história do Colar da Rainha e viria depois o que se chamaria de A Vingança de Milady.

Quanto ao elenco, algumas curiosidades :

- O galês Luke Evans, que faz Aramis, é conhecido de Robin Hood, O Retorno de Tamara, Fúria de Titãs e agora Os Imortais.

- O irlandês Ray Stevenson esteve em Thor, O livro de Eli e Roma.

- O astro alemão Til Schweiger (muito famoso por lá) faz ponta como Cagliostro (não há menção maior a sua figura de cientista e mágico).

- O dinamarquês  Mads Mikkelsen, que vive o vilão Rochefort, esteve em Cassino Royale, Fúria de Titãs, Depois do Casamento, Chanel e Stravinsky.

- Constance é o primeiro papel importante da inglesa Gabriella Wilde. Juno Temple (a rainha), é filha do diretor Julien  Temple e foi vista em Desejo e Reparação, Notas sobre um Escândalo, A Outra e o novo Batman (e já tem 26 créditos).

- A presença de James Corden como o criado Planchet parece ser uma homenagem a Roy Kinnear, da versão de Richard Lester, com quem ele se parece muito. Esteve também em History Boys (Fazendo História), Matadores de Vampiras Lésbicas e um Louco Apaixonado.

O que me surpreendeu é que apesar de tão bobinho e previsível, o novo Os Três Mosqueteiros não chega a ser desagradável e dá ate para ser visto, sem grandes culpas.

Os Mosqueteiros de Dumas no cinema

A partir de pesquisa de Adilson de Carvalho Santos.

Não falta nesta nova versão, o clássico brado "Um por todos e todos por um", inventado pelo autor Alexandre Dumas (pai) que ajudou a tornar conhecido os heróis de um dos maiores romances históricos de todos os tempos. A mensagem de amizade, lealdade e união permeia toda a trajetória de D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis.

Os três mosqueteiros, que na verdade são quatro, já que a história gira em torno do amadurecimento de D’Artagnan, gascão ingênuo e impetuoso que sonha em se tornar membro da guarda de elite do Rei Luis XIII da França.

Curioso é que o nome "mosqueteiro"  deriva de um mosquetão -  um tipo de espingarda de longo alcance - e não da rapieira – aquela espada fina e comprida sempre automaticamente associada aos heróis do gênero capa e espada.

É importante diferenciar, porém Dumas pai (1802-1870) do seu filho homônimo Dumas filho (1824-1895), que era fervoroso católico e  é basicamente famoso por ter escrito A Dama das Camélias, Camille , várias vezes filmado e inspirado em uma prostituta/cortesã que realmente conheceu.

Já o pai era neto de uma escrava negra do Haiti e filho de um General de Napoleão. Entre outras obras suas famosas estão A Rainha Margot, Kean, A Tulipa Negra, Os Irmãos Corsos, La San Felice (vida de Lady Hamilton), Joseph Balsamo (que deu origem ao filme Cagliostro com Orson Welles), e outros (O IMDB registra 247 adaptações para cinema ou TV de obras suas).

D’Artagnan originalmente encarnava a figura do herói clássico romântico que através do sacrifício e da dor procura servir a um bem maior. Não só D’Artagnan  como também Athos, Porthos e Aramis realmente existiram, embora não haja qualquer registro histórico de que seus feitos tivessem seguido o mesmo curso traçado por Dumas em seu romance.

Também o Rei Luis XIII, a Rainha Ana da Áustria, o Duque de Buckingham e o malévolo Cardeal Richelieu também foram pessoas reais que viveram cerca de 200 anos antes da época de Dumas. A história registra fatos como a rivalidade entre França e Inglaterra, o caso amoroso entre Ana da Áustria e o Duque de Buckingham,  os conflitos do reinado de Luis XIII com os Huguenotes (Protestantes Franceses) e o cerco à cidade de La Rochelle (reduto dos Huguenotes).

Dumas pesquisou livros e documentos na biblioteca de Paris para servir de base para seu romance, mas fez uso de sua incrível imaginação para reinventar tudo, e de tal forma que é praticamente impossível separar o que é fato do que é ficção.

O que Dumas fez dividiu muitas opiniões em 1844 – ano em que começou a publicar como folhetim Os Três Mosqueteiros nas páginas do jornal francês Le Siècle. Seus detratores o acusavam de adulterar a história, mas isso não impediu que se tornasse um grande triunfo comercial e artístico, tanto que no mesmo ano a obra foi reeditada na forma de livro.

Também no mesmo ano, Dumas publicou outro clássico do gênero: "O Conde de Monte Cristo". Não muito tempo depois, Dumas deu sequência à história dos mosqueteiros em dois livros: Vinte Anos Depois (1845) e O Visconde de Brangelonne (1848), sendo este último a fonte do clássico "O Homem da Máscara de Ferro".

Adaptações

A primeira adaptação de Os Três Mosqueteiros para o cinema, sempre segundo o IMDB, foi realizada em 1911, num curta estrelado por Sidney Booth (mas até antes disso ainda em 1898, houve outro curta mostrando o Concurso de um Duelo de floretes baseado no filme).

Em 1912 teve um francês com Emile Dehelly, mas o mais famoso seria com Douglas Fairbanks (pai) -  então o maior astro do gênero - no papel de D’Artagnan (1921, filme disponível em DVD nos EUA). E também na comédia a versão de Max  Linder, notável humorista francês que influenciou Chaplin, como o Mosqueteiro. E o que dizer do famoso desenho com Tom e Jerry de Mosqueteiros!?!.

A primeira versão do cinema falado, surge já em 1932, na França com o hoje esquecido Aimé-Simon Girard. Em 33 inspira aventura com John Wayne passada no Deserto (Wayne estrelaria western C vagamente lembrando Dumas), e outro filme na França em 34, com elenco ainda menos conhecido.

Em 1935, os americanos fazem o primeiro filme grande sobre o tema, dirigido pelo especialista Rowland V. Lee com Walter Abel, Paul Lukas, Margot Grahame. E em 1939, Don Ameche faz D'Artagnan numa farsa paródia dos Mosqueteiros (que são os comediantes Irmãos Ritz).

Em 42, o mexicano Cantinflas também faz sua versão, seguida pela argentina de 45, com Armando Bo.

A melhor versão, sem  dúvida , veio em 1948, na Metro, com direção do especialista me musicais, George Sidney, que fazia brilhante uso do Technicolor e todos os duelos eram coreografados como se fossem danças, especialmente para os talentos de Gene Kelly como D'Artagnan.

O roteiro de Robert Ardrey seria base para as futuras adaptações condensando várias passagens do livro se concentrando na armadilha arquitetada pelo Cardeal Richelieu para expor o caso amoroso da rainha Ana da Áustria com o duque de Buckingham.  Para isso, o vilão (Vincent Price) conta com a ajuda da pérfida Milady de Winter, ex-mulher de Athos ( Lana Turner, grande estrela da Metro em seu melhor momento).

O filme traz um elenco excepcional, que inclui June Allyson,Van Heflin, Angela Lansbury –como a rainha-, Gig Young, Frank Morgan. A supervisão das lutas coube ao mestre belga Jean Heremans, que no transcorrer do filme aparece interpretando vários adversários de D’Artagnan. Em 1950, teríamos o nosso Mosqueteiro numa hoje esquecida comédia com Colé, Celeste Aida, em Todos por Um, de Cajado Filho.

Na França em 53, Georges Marchal e Yvonne Sanson lideram outro Mosqueteiros, em 54 viram série da TV americana (ao vivo), imitada depois na Europa em 56 (que inspiraria adaptação para o cinema no ano seguinte).

De importante depois teve em 1961, em duas partes, a versão francesa do especialista Bernard Borderie (fez depois Angelica, Marquesa dos Anjos) com Mylène Demongeot de Milady e Gérard Barray). Em 1967, os ingleses fizeram uma versão para a teve com Jeremy  Brett, Brian Blessed, que teve duas temporadas, a segunda com Joss Ackland como D'Artagnan).

Dentre outras adaptações menores, finalmente surgiu em 1973, uma superprodução dos irmãos Ilya e Alexander Salkind, (os mesmos do Superman em 1978.). Reuniram um ótimo elenco, mas os produtores eram famosos  por serem desonestos e fizeram dois filmes pelo preço de um (mentindo para o elenco que teve que processá- los).

Exibido aqui pela Condor Filme, o filme adotou um tom de comédia, ou quase, graça a direção criativa de Richard Lester (famoso pelos filmes dos Beatles, e que estavam no auge da carreira). O ator inglês Michael York era D’Artagnan e o trio de mosqueteiros foi formado por  Oliver Reed (Athos), Frank Finley (Porthos) e Richard Chamberlain (Aramis).

O elenco incluía ainda Charlton Heston como Richelieu, Christopher Lee (o eterno Drácula) como o Conde Rochefort, Geraldine Chaplin como a Rainha e Faye Dunaway como Milady. É lembrado também por trazer a melhor interpretação da carreira de Raquel Welch, que faz uma atrapalhada Constance vivida por Raquel Welch.

Ainda registram-se versões na França nos anos 70 com o grupo Les Charlots, um desenho animado e curiosamente também um filme chamado O Quinto Mosqueteiro (The Fifth Musketeer, 77, de Ken Annakin, com Sylvia Kristel (Emmanuelle), Ursula Andress, Cornel Wilde, Beau Bridges, Ian McShane, Olivia de Havilland, Rex Harrison).

Mas apesar de ter os três mosqueteiros é mais próxima de O Homem da Máscara de Ferro. O filme nunca passou em nossos cinemas! Outra curiosidade: em 1952, Cornel Wilde fez o papel de D´artagnan Jr no filme Os Filhos dos Mosqueteiros (At Sword´s Point), de Lewis Allen, com Maureen O´Hara, com a filha de Athos.

D na O´herlihy era Aramis Jr e Alan  Hale Jr filho de Porthos (no caso a piada era que o pai dele interpretou o papel de Porthos em O Homem da Máscara de Ferro (34).

ara não prolongar demais a pesquisa, basta dizer que Lester voltou a fazer um filme sobre os mosqueteiros que foi em 89 quando sua carreira já ia mal e trouxe C. Thomas Howell como D´Artagnan, já prenunciado o que se fez aqui nesta versão  atual, colocando adolescente no papel e reencontrando York, Reed, Geraldine, Christopher Lee do filme anterior. Só Frank Finlay foi quem entrou como Porthos.

Esse filme chamado Return of the Musketeers também não chegou aos nossos cinemas. Vamos pular direto para 1993 quando Disney resolveu produzir a mais pop das adaptações do texto de Dumas com direito a trilha-sonora com os astros da música Brian Addams, Rod Stewart e Sting.

Era mais ou menos o que tinham feito antes com o faroeste em Os Jovens Pistoleiros, só que agora no capa espada. Foi sucesso na época, mas não teve continuação. A jogada foi colocar atores com idades mais próximas de seus personagens.

Chris O’Donnell, então com 23 anos, ficou como D’Artagnan que no livro de Dumas não tem mais de 19 anos. Seus parceiros foram Kiefer Sutherland, Oliver Platt (Porthos)  e Charlie Sheen como o religioso (ex-padre) Aramis.

Também é curioso citar A Filha de D’Artagnan, produção francesa de 1994 em que Sophie Marceau interpreta a suposta herdeira do lendário herói porque foi dirigida pelo importante de Bertrand Tavernier (Philippe Noiret era seu pai mas o filme não credita Dumas).

E não para por aí, na Inglaterra, em 2001, teve Young  Blades, com Hugh Dancy, e os americanos tentaram de novo com A Vingança do Mosqueteiro (The Musketeer, 01) tentando lançar como astro o pequeno e atlético (o forte do filme eram as cenas de artes marciais!) Justin Chambers, hoje em Grey´s Anatomy, no papel de D´Artagnan.

Catherine Deneuve era a Rainha, Peter Hyams o diretor e Stephen Rea o Richelieu. Um total fracasso. Fora o registro de um musical holandês dos Mosqueteiros em 2003, o telefilme francês , Milady com Arielle Dosmbale (04) , houve em 2005 outra produção francesa mais Classe A chamada D´Artagnan et les Trois Mousquetaires, com Emmanuelle Béart, de Milady e Vincent Elbaz de D´Artagnan. Inédita aqui.

A Imortalidade

Em 30 de novembro de 2002, o presidente francês Jacques Chirac mandou que os restos mortais de Alexandre Dumas fossem transferidos para o mesmo cemitério onde foram sepultados outros grandes filósofos e escritores da França como Victor Hugo e Voltaire.

Houve uma procissão com um  caixão carregado por quatro homens vestidos como se fossem os mosqueteiros  e Chirac discursou "Contigo, nós fomos D'Artagnan, Monte Cristo ou Balsamo, cavalgando pelas estradas da França, percorrendo campos de batalha, visitando palácios e castelos -- contigo, nós sonhamos”.

Uma homenagem que demonstra a força da narrativa de Dumas.

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A