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27 outubro 2011 às 06:00

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Estreia: Contágio

Contágio (Contagion) Warner, 2011. Direção de Steve Soderbergh.

Com Matt Damon, Laurence Fishburne, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet, Marion Cottillard, Jennifer Ehle, John Hawkes, Elliot Gould. 106 min.

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Tem gente que ainda leva Soderbergh a sério. Não é o meu caso, não depois de suas bobagens em entrevistas ameaçando se aposentar, daquela fraca e longa biografia de Guevara, de filmes experimentais que não dizem a que vieram.

Por isso me impressiona menos este drama sensacionalista (uma história apavorante e possível, que é contada de forma relativamente discreta, como se tentasse levar a sério). Que é avalizada por um grande e ilustre elenco de amigos do diretor.

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Começando por Matt Damon, num papel ingrato (disforme de gordo), e a extraordinária Marion Cotillard, num personagem que é mal explicado e o único sem uma resolução final. Embora seja curioso o fato de que o diretor é também o diretor de fotografia, coisa bastante rara no cinema americano, o problema que eu achei maior é no roteiro. Tudo é construído em cima de uma hipótese.

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Uma mulher americana que foi a trabalho até a China (Gwyneth Paltrow) volta de lá contaminada, com um vírus perigoso e mortal (só no final se reconstitui a situação que fez acontecer o vírus e chegar até ela).

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Para complicar, ela é infiel ao marido e para antes em Chicago, para visitar o amante. Mas quando chega em casa muito doente, sem perceber, ainda tem tempo de contaminar o filho, mas não o marido (Damon), que por alguma razão é imune (mas não pensem que sabendo disso ele chegue a ser usado nas pesquisas para encontrar vacina!).

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Começa assim a epidemia de todos que entram em contato com ela (o contágio é pelo ar) incluindo até mesmo médicos (como Kate Winslet, uma médica pesquisadora e dedicada, o que não lhe impede de ter fim inglório). O que o roteiro esquece é que, num caso desses, qualquer governo em qualquer parte do mundo, inclusive Estados Unidos, declarararia estado de sítio ou emergência, assumindo poderes especiais e ditatoriais, fornecidos pela própria Constituição.

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Então não seria possível acontecer aquela história de surgir um repórter vigarista (Jude Law), que faria chantagem com seu blog e se tornaria líder da revolta do povo! Não teria televisão para ele se expor. Como, tampouco, não fica muito clara aquela situação dos chineses sequestrarem uma funcionária da ONU para conseguirem vacinas.

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Tudo isso, porém são detalhes, porque é evidente que o espectador que cada vez mais gosta de se assustar no cinema (vide as bilheterias de Atividade Paranormal 3) vá embarcar no filme e ficar um pouco paranóico. Num making of, o próprio diretor já avisa que qualquer proteção com gel ou água com sabão só dura alguns minutos. Ou seja, mais uma vez o ser humano tem que ficar com medo da morte (de tudo, é apenas outro apocalipse com nome diferente).

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É apenas uma hipótese, como tantas levantadas em nome de profecias de 2012, sem apresentar solução ou grande denúncia (embora tudo surja pela destruição da mata, das plantas, ao menos tem esse lado ecológico). Embarque nela quem achar melhor.

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