27 outubro 2011 às 05:59
Estreias: O Palhaço
O Palhaço. Brasil, 2011. Direção de Selton Mello.
Com Selton Mello, Paulo José, Moacyr Franco, Teuda Bara, Ferrugem, Fabiana Karla, Jorge Loredo, Danton Mello.

O primeiro longa como diretor de Selton Mello foi um filme soturno, difícil, trágico, chamado Feliz Natal, que mesmo assim impressionou. Mas é completamente diferente deste novo trabalho, que é mais poético, nostálgico, encantador e muito divertido. É um acerto total este retorno do astro/diretor/corroteirista (com Marcelo Vindicato) à sua terra natal, o interior de Minas Gerais (ele é de Passos, onde parte da filmagem foi realizada).
Ele pinta um retrato atemporal do que seria um cirquinho de interior à moda antiga. Os donos do circo são pai e filho, Benjamin e Valdemar, que formam também a principal dupla de palhaços. Benjamin (Selton), principalmente, não tem identidade, e vive pelas estradas com sua trupe do circo Esperança, mas conhece uma moça e resolve ir atrás dela para viver um sonho.
Não se pode com esse assunto fugir da influência de Fellini, mas o que deve ser louvado é a brasilidade do resultado (até no uso, ao final, de canções bregas) e a generosidade do diretor em chamar para o elenco figuras (algumas até esquecidas) como Ferrugem e Jorge Loredo, ou apresentadas de forma inusitada, como é o que acontece com o próprio irmão de Selton, Dalton. E principalmente por uma pequena pérola, uma participação em torno de três minutos de Moacyr Franco, que se torna uma obra-prima de como se contar uma historinha dentro de um filme. Por que custaram tanto a reconhecer este grande ator?
Ovacionado no Festival de Paulínia, votado como melhor coadjuvante, Moacyr é, na sua idade, uma revelação para muitos.
Não dá para esquecer também do grande Paulo José que, para mim, sempre foi o mais cinematográfico de nossos atores, que não se deixa abalar pela doença e continua maravilhoso em papel que fora inicialmente destinado a Francisco Cuoco.
O que dizer mais de O Palhaço? Poderia encher páginas só elogiando e procurando reproduzir o encanto que o filme conjura. Mas é melhor simplesmente recomendá-lo com entusiasmo.
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