29 outubro 2011 às 05:00
Coluna de DVD – Lançamentos
A Ronda **** La Ronde
Áudio: Inglês, Port. Leg: Port, Ingl. Drama.Standard. 112 min. PB. 1950. França. Continental. 12 anos.
Diretor: Max Ophuls. Elenco: Simone Signoret, Anton Walbrook, Serge Reggiani, Simone Simon, Daniel Gélin, Danielle Darrieux, Fernand Gravey, Jean Louis Barrault, Isa Miranda, Odette Joyeux e Gérard Phillipe.
Sinopse: Um narrador mostra a ronda do amor entre diversas personagens na Viena da virada para o século 20.
Comentários: Agora que a Versátil já lançou os filmes que o diretor Max Ophuls fez nos EUA e também sua obra-prima Lola Montés, esta é uma boa chance de conhecer dois outros grandes filmes dele, que rodou na França logo depois de seu exílio na Califórnia. Ophuls (1902-1957) era um estilista, dono de um estilo rebuscado, que apreciava longos movimentos de câmera, enquadramentos refinados. Era um esteta e por isso tinha conflitos frequentes com os produtores aborrecidos com seu perfeccionismo.
Este foi indicado aos Oscars de direção de arte e roteiro, além de ter ganhado o Bafta de melhor filme do ano. Aqui ele adaptou a famosa peça de Arthur Schnitzler (autor de De Olhos Bem Abertos), que por sinal foi muitas vezes refeito (em 64 por Roger Vadim, como Reigen, em 73, Ringlkek, em 82, Chain of Desire, 92, Karrusel, 98, Davereh, 2000, Nine Lives, 04, La Ronda, 08 e ao que parece por Fernando Meirelles em 360 Graus (ainda inédito).
Ophuls utiliza propositalmente um cenário bem artificial para apresentar um narrador que será o fio de ligação das histórias numa espécie de carrossel (o maior astro da época na França, Gérard Philippe, que morreria em 1959 aos 36 anos). Ele conta dez episódios de amor em 1900, em Viena, numa sucessão de encontros de amor, sempre com a mesma solução. Casal se encontra, se ama e depois um deles partirá um novo encontro amoroso e assim por diante, até se fechar o círculo.
Assim uma prostituta chamada Leocadie (Signoret) oferece uma transa de graça. Depois Franz encontra a empregada Marie (Simone Simon), que mais tarde irá fazer amor com Alfred (Gélin), que por sua vez seduz uma mulher rica e casada (Joyeux), que já tem ligação com um poeta (Barrault), que ama uma atriz (Isa), que por sua vez ama um conde oficial (Gérard). E claro que, ao final, o conde encontra a prostituta ao final.
Essa história era na época considerada cínica e reveladora, sempre ao som de uma valsa, com as situações sempre escondidas por cortinas e sedas, para acentuar um lado romântico. Mesmo assim ficou quatro anos proibido pela censura do Estado de Nova York.
Lançado nos EUA em versão da cuidadosa Criterion, sai aqui em versão não oficial (para sermos gentis) junto com outro filme de Ophuls, O Prazer (que comentaremos noutro momento). Filmografias.
O Mensageiro do Diabo Edição Oficial ***** The Night of the Hunter
Áudio: Inglês. Leg: Port. Drama. Suspense. 93 min. PB. 1955. EUA. Versátil (originalmente United, MGM). 14 anos.
Diretor: Charles Laughton. Elenco: Robert Mitchum, Shelley Winters, Lillian Gish, Billy Chapin, Peter Graves, James Gleason, Don Beddoe, Evelyn Varden.
Sinopse: Um ladrão quando está na cadeia conta que escondeu com sua família o dinheiro que roubou. O colega de prisão, um psicopata disfarçado de pregador, se casa com a mulher dele e procura ficar amigo dos filhos, que escondem o segredo. Mas o pequeno casal de irmãos tem que fugir.
Comentários: Só agora sai em versão oficial no Brasil em Home Vídeo este clássico a que já dediquei toda uma coluna. Este é outro exemplo de um filme cult, que passou desapercebido em sua estreia, mas depois foi criando um grupo de admiradores e até acabou reconhecido.
Foi o único filme dirigido pelo consagrado astro inglês Charles Laughton (1899-1962). É um longa único que não se parece com nada, mas quem o assiste nunca mais vai esquecê-lo. É sem dúvida o grande momento da carreira de Robert Mitchum, nunca tão enigmático.
Todo o filme é concebido como uma parábola sobre a luta entre o bem e o mal, as forças da luz e das trevas. O jovem Peter Graves, futuro astro da série de TV Missão Impossível fica amigo na prisão de uma figura sinistra que vem atrás dos filhos deles, que escondem uma fortuna roubada.
Faz-se passar por pastor e conquista a infeliz mãe deles interpretada pela ótima e patética Shelley Winters. Mas o casal tem que fugir num barco perseguido pelo pregador e se refugiam numa casa de uma velha, interpretada pela notável Lilian Gish, estrela dos filmes de D.W. Griffith. É que ela que vai enfrentar esse mensageiro do mal, que traz em suas maõs o símbolo do pecado.
O filme tem uma narrativa inusitada, com ângulos exóticos e imagens estilizadas, como se fosse mesmo um conto para aterrorizar crianças. Segundo o diretor ele tentou homenagear Griffith com sua maneira de narrar. Uma obra-prima.
Três dias de Glória *** Uncertain Glory
Áudio: Inglês, Franc. Leg: Port, Ingl, Frances, Espanhol. Aventura de Guerra. Standard. 102 min. PB. 1944. EUA. Continental. 12 anos.
Diretor: Raoul Walsh. Elenco: Errol Flynn, Paul Lukas,Faye Emerson, Lucille Watson, James Flavin, Douglas Dumbrille.

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, na França, Jean Picard é um criminoso que está para ser morto na guilhotina quando por causa de um ataque aéreo, consegue escapar. É capturado por um inspetor, mas se envolvem no ataque a um ponte de trem que foi bombardeada. Os nazistas ameaçam matar 100 franceses caso os sabotadores não se entregarem.
Comentários: Este é meio difícil de acreditar. Flynn faz o cínico ladrão que aceita se entregar aos nazistas para ser fuzilado de forma a salvar a vida de 100 reféns (tudo por causa de um atentado da resistência). Paul Lukas serve de apoio para o herói que tem ainda um romance com uma mocinha ingênua, feita por Jean Sullivan, que era uma famosa bailarina clássica).
Já sabem que tudo é muito bem contado e realizado, mas é preciso estomago para suportar tanto heroísmo! O milagre é que o diretor Walsh (que fazia boa dupla com Flynn) consegue! Porque sofria de malaria, tuberculose, problemas na costa, problemas no coração e doenças venéreas, Flynn foi recusado para Servir nas Forças Armadas americanas durante a Guerra, mas deu sua contribuição estrelando filmes heróicos sobre a resistência dos aliados. Ainda assim ele depois de morto chegou a ser acusado de ser simpatizantes dos nazistas e mesmo espião! A música mais conhecida do filme é a célebre Plaisir d´Amour!. Filmografias.
Poucas Cinzas Salvador Dalí *** Little Ashes
Áudio: Inglês, Port. Leg:Port, Ingl. Drama.Wide. 112 min. Cor. 2009. Ingl/Esp Warner. 16 anos.
Diretor: Paul Morrison. Elenco: Robert Pattinson, Javier Beltran, Matthew McNulty, Marina Gatell, Bruno Oro, Esther Gubiolla.
Sinopse: Em 1922, em Madrid, o jovem de 18 anos, Salvador Dalí chega a universidade determinado a se tornar um grande artista. Mas é tímido e ao mesmo tempo exibicionista. Atrai a atenção de dois colegas, o poeta Federico Garcia Lorca e Luis Buñuel. Por um determinado tempo ele se sente atraído por Lorca, que está se descobrindo homossexual.
Comentários: É curioso que a turma do Crepúsculo só atrai público quando está num filme da série. Quando fazem filmes em outro tipo de personagem, o fracasso tem sido completo. Mesmo quando deveriam provocar escândalo como deveria ter sucedido com este filme, que não aconteceu nos EUA e aqui sai direto em Home Vídeo.
É co-produção da Espanha e Inglaterra, curiosa por tratar de personagens famosos da literatura, pintura e cinema (alguns deles mostrados também em Meia-Noite em Paris, de WoodyAllen), mas endereçado mais diretamente ao público gay. Até porque traz Pattison em cenas de nudez e relacionamento homossexual. Está, por sinal, mais expressivo do que de costume no papel de Salvador Dalí (1904-89), o famoso artista co-diretor de Um Cão Andaluz, com Buñuel, e depois famoso artista plástico surrealista e campeão da autopromoção com seus famosos bigodes curvos!
São personagens potencialmente interessantes, que são tratados com superficialidade, num roteiro mal desenvolvido mais preocupado em retratar a moda da época (apesar do orçamento modesto), o que prejudica Pattinson, que pouco faz mais do servir de escada para Lorca desenvolver sua poética. Um triângulo curioso (embora Dali sinta atração e curiosidade pelo amigo tem horror de contato físico) numa época conturbada politicamente de grandes mudanças e polêmicas. No mínimo, vale uma conferida.
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