31 outubro 2011 às 16:29
O Retorno de Johnny English
O Retorno de Johnny English (Johnny English Reborn) Ingl, 011. 111 min.
Direção de Oliver Parker. Com Rowan Atkinson, Rosamund Pike, Dominic West, Gillian Anderson, Stephen Campbell Moore, Richard Schiff. Comédia.
É um pena que Rowan Atkinson tenha decidido aposentar seu personagem de Mr. Bean (por achar que está velho demais para interpretá-lo e assim perder sua ingenuidade). Mas ao menos ainda temos a volta de um personagem sem a mesma empatia, mas ainda divertido. Dá para o gasto.
Sou fã de Rowan, a quem já entrevistei na Grécia e tive boa impressão. Claro que como muitos comediantes, não é engraçado pessoalmente, embora como poucos seu humor esteja nas caras, caretas e trejeitos únicos e marcantes. Lamento também a ausência de outros como ele, que fazem um humor limpo, sem precisar cair em apelações de qualquer tipo.
O primeiro filme não foi um mega êxito, rendeu US$ 160 milhões no mundo, mas funcionou muito em Home Video e televisão fechada. Desta vez ele convocou como diretor o já veterano Oliver Parker (que fez aquele Othelo com Laurence Fishburne), que faz um trabalho limpo no que é básica e tardiamente a enésima sátira a James Bond.
Nem ao menos ao novo, com Daniel Craig, mas a fórmula antiga com carro (agora um Rolls Royce) e engenhocas (não tem tantas English/Bond Girls). E como sempre o humor é visual, sem pressa, o que talvez seja a razão porque admiro Atkinson.
E embora o filme seja irregular e não tenha um ritmo intenso, tem ao menos uma gag que eu achei sensacional, que me fez morrer de rir. E que deve funcionar vendo e não contando: quando ao lado do Primeiro Ministro Britânico, ele se sente numa cadeira ajustável, que naturalmente ele quebra, fazendo-o subir e descer (sem ninguém comentar palavra, continuam discutindo).
Outro ponto alto quando ele toma uma droga que o deixa completamente descontrolado fisicamente! Na verdade, o primeiro filme do personagem não era nenhuma maravilha (Johnny English, 03, de Peter Howitt
com John Malkovich, Natalie Imbruglia).
Ele entrava em ação quando todos os outros agentes são mortos lutando contra vilões como Pascal Sauvage, que controla prisões particulares e sonha em se tornar Rei da Inglaterra (apesar de francês). O personagem do espião desastrado mantém aqui algumas características de sua persona (a petulância, a cara de pau, o levantar de sobrancelhas).
Pena que o roteiro não era mais inspirado porém, sem cair na grossura das paródias de Austin Powers. Agora ele foi demitido por justa causa, por causa de um vexame no Moçambique, ao deixarem matar o Presidente local e por isso ele se recolheu para meditar num mosteiro tibetano (meio Kung Fu Panda).

É reabilitado, mas desprezado por uma nova chefe (Gillian Anderson de Arquivo X está tão discreta que parece ausente, em compensação o interesse romântico é fornecido pela cada vez mais charmosa e bonita Rosamund Pike (que por sinal teve um papel em 007 Um Novo Dia para Morrer). A menina que aparece numa moto e de quem ele roubou uma bolsa é Lily, filha de Rowan.
Desta vez ele tem que procurar por três chaves que estão em diferentes mãos, inclusive tem que identificar um traidor dentro do Serviço Secreto Britânico e impedir plano para matar o Premier Chinês. Desta vez English ganha também um assistente (sidekick) que é Daniel Kaluya, um negro emigrante que funciona de escada para as trapalhadas do herói.
O australiano está ficando cada vez mais com cara de vilão e por isso adequado. Também as locações nos Alpes e Hong Kong são fotogênicas assim como são eficientes as cenas de perseguição. Ou seja, me diverti com o filme, que pelo jeito não parece ir bem de bilheteria nem lá fora, nem aqui.
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