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5 novembro 2011 às 06:00

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Coluna de DVD – Lançamentos

Pedro, o Negro *** Cerny Ptr

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Áudio: Tcheco . Leg: Port, Ingl. Drama. Standard. 85 min. PB. 1964. Tchecoslováquia. Cult Classic. 14 anos.

Diretor: Milos Forman. Elenco:Ladislav Jakim,  Pavla Martinkova, Jan Vostrcil, Vladimir Pucholt, Pavel Sedlacek.

Sinopse: Peter, um adolescente de 16 anos vai trabalhar de vigia numa mercearia onde deve vigiar os clientes sem que eles percebam. Enquanto isso houve os sermões do pai.

Comentários: Este foi o primeiro longa do hoje famoso diretor tcheco Milos Forman, de Um Estranho no Ninho e Amadeus. Foi graças ao sucesso de seus filmes como este e Os amores de uma Loura que ele conseguiu emigrar para os EUA quando acontece a invasão soviética daquele país em 68,  onde foi muito bem sucedido mas mudou de estilo.

Este é bem típico do que fazia, comédias dramáticas de costume, mostrando com uma câmera muito livre, quase documental, o comportamento das pessoas comuns, no cotidiano do país comunista. Sendo político sem tocar diretamente no assunto. Premiado no Festival de Locarno, tendo o future diretor Ivan Passer como assistente, o filme parece ser autobiográfico e muita gente acha que lembra os de Truffaut com o personagem de Antoine Doinel.

É o retrato de uma geração confusa e perdida, sem perspectivas (grande parte do filme se passa com o herói e seus colegas. Primeiro num lago, depois numa baile popular, onde dançam o twist e bebem muito. Enquanto os mais velhos se fixam em dogmas sem sentido e falam lugares comuns. Também tem gente que o classifica de cinema verdade, mas na verdade parece mais um crônica afetuosa e ao mesmo tempo crítica (o final abrupt é curioso e significativo) de uma certa juventude  e época.

Um de nós morrerá *** The Left Handed Gun

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Áudio: Ing, Esp. Leg: Port, Ingl,Esp. Faroeste. Standard. 19 min. PB. 1958. EUA. Vintage. Livre.

Diretor: Arthur Penn. Elenco: Paul Newman, Lita Milan, Hurd Hatfield, John Dehner, James Best, James Congdon, Denver Pyle.

Sinopse: Colagem de cenas que surgem a partir de uma viagem de navio, que vai do Egito até a Palestina.

Comentários: Estreia na direção de cinema de Penn (1922-2010), famoso depois pelo violento e revolucionário Bonnie e Clyde. É muito curioso que o filme preserva e divulga um mito que só foi desmentido em 1986, o que o famoso bandido Billy The Kid era canhoto.

Acontece que a foto foi reproduzida ao inverso e por isso a concepção errada (isso só foi provada em 1986 e explica o erro de muitos filmes anteriores). Este era um roteiro original do famoso escritor Gore Vidal, adaptado aqui por Leslie Stevens (também diretor), originalmente produzido por Fred Coe (mais um que virou realizador para a  Warner, com quem Paul Newman [1925-2008] tinha um contrato de muitos anos).

Embora todo mundo fale em ser este um western psicológico, na verdade se baseia na interpretação de Newman, que ainda é muito influenciada por Marlon Brando e o chamado método de interpretação do Actor's Studio, cheio de maneirismos (se encostam na parede, fazem cara de sofrimento, falam com dificuldade, dão longos olhares, e sempre parecem demorar para dizer as falas).

Ele tinha indiscutível charisma e fotogenia que por esta época já o transformava em astro (embora tenha sido fracasso). Reclamaram muito dizendo que era velho para o papel aos 33 anos! Mas o filme tem coisas interessantes (como a figura do admirador tiete de Billy, feito por Hurd Hatfield aquele de O Retrato de Dorian Gray, que se sente traido quando este não assume o mito). Mas é prejudicado por orçamento muito modesto (os sets são os que sobraram do filme Juarez de 15 anos antes) e elenco de apoio fraco (em particular  Dehner, mero vilão que teria que dar mais profundidade ao personagem do Xerife Pat Garrett, primeiro amigo depois algoz e vingativo sem tanta razão).

O final tem certo charme, mas também falha o interesse romântico (a moça Lita Milan tem cara de ave de rapina e não fez carreira). Este foi o segundo papel que Paul herdou de James Dean (o outro foi Marcado pela Sarjeta que o transformou em astro). Mas o filme teve considerável influência ao dar corpo a figura do pistoleiro perturbado e complexado, imaturo e analfabeto, incapaz de ser fiel aos amigos ou manter relacionamento maduro.

Muita gente faz uma interpretação psicosexual do roteiro de Gore Vidal, chamado originalmente de The Death of Billy The Kid, achando que ele procura uma figura paterna, esta dormindo com sua mãe quando fica com Lita. Foram feito sobre o personagem mais de 46 filmes!

Bonecas que Matam   ** Deadlier than the Male

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Áudio: Ing . Leg: Port. Aventura. Wide. 93 min. Cor. 1967. Ingl. Ocean. 16 anos.

Diretor: Ralph Thomas. Elenco: Sylva Koscina, Elke Sommer, Richard Johnson, Suzanne Leigh, Nigel Green, Virginia North, Sidney Carlson, Laurence Naishmith.

Sinopse: Duas mulheres belas e letais são usadas por um super criminoso que as utiliza como assassinas profissionais quando ele precisa eliminar obstáculos e rivais em negócios milionários.

Comentários: Foi a famosa Organização Rank quem produziu diante da incrível popularidade na época da série James Bond uma história parecida agora com um agente chamada Bulldog Drummond (no que é torpedeado pela incrível fragilidade e incompetência do ator Richard Johnson (apesar deste ter sido casado com Kim Novak!) que não tem tipo de atleta nem de galã (ele hoje em dia faz papéis de coadjuvante muito gordo).

Uma pena que os roteiristas de 007 não tenham aproveitado a ideia desta aventura B (o orçamento é modesto e tudo resulta hoje  muito ingênuo e desajeitado, com certeza eles teriam mais recursos. A ideia de certa forma depois foi utilizada em Octopussy).

Há uma razão porque eu acho o filme ainda divertido que é a presença de duas estrelas europeias como as esculturais vilãs, a alemã Elke Sommer (ainda viva) e a belíssima iugoslava da Croácia Sylva Koscina (1933- 1994), aqui no auge da beleza (não faz a menor diferença estar dublada).

Claro que não é para levar a sério a brincadeira rodada em Londres e Liguria, na Itália. A história original é de um especialista em terror e aventura, Jimmy Sangster (1927- agosto de 2011- que fez scripts para filmes como O Vampiro da Noite, de Christopher Lee, A Maldição de Frankenstein o Primeiro Terror da Hammer e muitos outros filmes do estúdio e séries de TV ).

O personagem de Hugh Bulldog Drummond foi criado em  1922, em peça de Herman C. McNeile e esteve em 24 filmes, vivido por Ronald Colman, Ralph Richardson, Ray Milland, Walter Pidgeon, John Howard, e pela última vez novamente por Johnson em 69, na continuação Some Girls Do/Algumas Garotas Fazem.

De Volta à Caldeira do Diabo  ** Return to Peyton Place

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Áudio: Ing. Leg: Port. Drama romance. Wide 2.35. 123 min. Cor. 1961. EUA.Vintage. 12 anos.

Diretor: José Ferrer. Elenco: Carol Lynley, Jeff Chandler, Tuesday Weld, Eleanor Parker, Mary Astor, Robert Sterling, Luciana Paluzzi, Brett Halsey,Bob Crane, Gunnar Hellstrom.

Sinopse: Alison McKenzie retorna a cidade (fictícia) de New Hampshire quando seu livro sobre o lugar está sendo banido da biblioteca local.

Comentários: O Primeiro A Caldeira do Diabo (Peyton Place, 57) de Mark Robson, havia sido um enorme sucesso (aliás, como também foi êxito a série de TV em preto e branco ainda inspirada nele com Mia Farrow e Dorothy Malone) graças a história escandalosa que denunciava as fofocas e escândalos de cidades pequenas, inspirando-se em best-seller autobiográfico de Grace Metalious (que morreu de cirrose do fígado em 1964, aos 39 anos).

Mas era tarde demais para fazer uma continuação, porque o tipo de história já havia sido imitado demais e não foi possível reunir novamente o mesmo elenco (Lana Turner aqui substituída por Eleanor Parker, a heróina Diane Varsi pela bela, mas inexpressiva Carol Lynley, Tuesday Weld em vez Hope Lange).

Grace realmente chegou a escrever esta continuação, mas o produtor Jerry Wald mudou muita coisa (cortou por exemplo, o incêndio que destruia a casa da velha moralista que chegava mesmo a ter planos de assassinato!).  O fato é que a direção do ator Ferrer é sem inspiração (embora por causa dele que sua mulher na época a cantor Rosemary Clooney canta a música tema The Wonderful Season of love) e mesmo quando os atores são bons o resultado é medíocre e dispensável.

A história mais forte acaba nem sendo a do julgamento do livro, mas a de outra mãe egoista brigando pelo  filho com a nora italiana (no caso a venerável  Mary Astor lutando contra Halsey e Paluzzi, que por acaso eram casados na época). Jeff Chandler (1918-61) está desperdiçado como o interesse romântico e editor (casado) da heróina (este foi seu penúltimo filme, morreu em consequência de erro médico em operação).

Com bela fotografia, mas alongado, o filme foi uma decepção.

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