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9 novembro 2011 às 06:00

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Filmes inéditos e importantes: Vidas Cruzadas e Jane Eyre

Embora tenha melhorado muito, ainda certos filmes chegam com certo atraso, o que facilita muito a pirataria e o download. Alguns o caso é planejado porque acham que eles vão se dar melhor durante a época de premiação como é o caso do sucesso Vidas Cruzadas que, sem duvida, irá pegar o Oscar (o problema é quando guardam o filme e ele não consegue as esperadas indicações).

Outros chegam tarde porque ficam esperando pelo sucesso ou fracasso nos EUA para determinar sua sorte, cinemas ou direto para Home Video.

E tem ainda os que ficam esperando espaço nas salas (e este é o momento de limpar o estoque porque de agora para o fim do ano vão lançar filmes de menos chance de êxito, até porque agora as pessoas vão entrar na loucura do fim de ano e compras). Eis  dois bons filmes que merecem ser descobertos:

Vidas Cruzadas (The Help)

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Embora tenha sido enorme sucesso nos Estados Unidos de repercussão e bilheteria (chegou a 166 milhões de dólares de renda, uma enormidade para um filme de médio orçamento, 25 milhões e que tem uma história difícil e polêmica e nenhum super astro), o longa foi ajudado sem dúvida pelo fato do livro original e autobiográfico de Katryn Stockett  ter sido um best-seller ao revelar uma faceta da segregação racial no sul dos EUA  que sempre foi pouco mostrada e discutida: o relacionamento entre patroas (em geral, jovens e de classe média alta, que reproduziam ainda os hábitos de suas avós) e empregadas afro-americanas, nos anos 60 quando o governo federal começou a implantar a força a igualdade racial em todo o país.

O único que eu lembro que abordou o assunto foi também com Sissy Spacek (aqui tem papel pequeno como uma avó que é posta em asilo) que foi Uma História Americana (90) com Whoopi Goldberg. Mas não é um filme de discursos, mas um retrato de costumes, um painel social longo (146 minutos) que ainda hoje é considerado certo de estar entre os mais indicados para o Oscar e outros prêmios, principalmente de interpretações.

O sucesso, sem dúvida, se deve ao fato de que a autora impôs como diretor um velho amigo dela, o ator Tate Taylor, que antes tinha no curriculum, apenas um curta e uma comedinha inédita aqui (Pretty Ugly People, já com duas atrizes que brilham no elenco atual, Allison Janney e Olivia Spencer).

Como ator, fez 18 trabalho entre eles a serie Queer as People e Inverno D'Alma. Mas ao fazer o roteiro também, Tate garantiu que a proposta não fosse traída. Para o papel principal chamou uma das atrizes mais promissoras do momento, Emma Stone (o novo Homem Aranha, Amor a  Toda Prova) que fisicamente inclusive parece Kathryn.

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Passado então nos anos 60, o filme não tem uma estrutura dramática perfeita, mas se fixa nos problemas de uma jovem branca aspirante a jornalista (Emma) e suas colegas jovens esposas de classe média alta que são esnobes, sem qualquer consciência social e repetem o comportamento de suas avós.
A presença mais forte é de Viola Davis, já indicada ao Oscar por Dúvida e que ganhou também o Tony de 2009, uma atriz excelente que faz a primeira das empregadas que concorda em falar para a jornalista mostrando o lado das serviçais, a outra face da moeda. Certamente vai ser indicada ao Oscar até com chances de ganhar apesar deste parecer um ano muito forte para mulheres.

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Outra que deve ser indicada como coadjuvante é a gordinha e simpática Octavia Spencer. Mas o elenco de brancas também se sai bem,  inclusive além das citadas, Bryce Dallas Howard, como a principal vilã, Jessica Chastain (A Árvore da Vida).

Mas será que o filme fará o mesmo sucesso por aqui? Não acredito.

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Certamente muitas mulheres se identificarão com algumas situações, mas não vão vestir a carapuça, apesar do disfarçado preconceito racial do brasileiro, não chegamos aos extremos dos americanos. Hávárias situações que são muito específicas dos Estados Unidos. Ainda assim, eu mesmo já vi casos parecidos, talvez piores, porque acabam sendo carregados de hipocrisia e falsidade. As premiações certamente irão ajudar muito.

Jane Eyre

Já houve 25 adaptações anteriores do famoso livro de Charlotte Bronté (irmão de Emily que escreveu O Morro dos ventos Uivantes) publicado em 1847 e sem dúvida um clássico romântico/gótico.

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Basicamente é a história de uma órfã, maltratada por uma tia chata que é mandada por orfanato e treinada como preceptora. Não é uma moça bonita, mas mesmo assim conquista o amor do dono da mansão/castelo (perdida no interior da Inglaterra) que, por sua vez,  esconde um segredo.

Esta versão mais recente foi feita por um oriental nascido nos EUA, também fotógrafo que faz um belo trabalho Gary Fukunaga (fez antes um bom filme sobre emigrantes mexicanos sem sorte, Sin Nombre) e estrelado pela australiana Mia Wasiskawa (Alice no País das Maravilhas).

Claro que o grande truque do cinema é colocar como uma mulher sem graça e até feia, uma atriz que na verdade é bonita (aquele velho truque da secretária que é considerada feia até tirar os óculos e soltar os cabelos). Assim que deu certo em versões anteriores com Joan Fontaine (a melhor delas com Orson Welles) e Susannah York (mas não a anterior de Zefirelli, em que Charlotte Gainsbourg era irremediavelmente feia).

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E novamente sucede aqui, numa versão com poucas novidades (acentua um outro pretendente a ela, Jamie Bell,o Billy Elliot como jovem pastor), prejudicado pela caricatural Sally Hawkins como a tia e ajudado pela presença ilustre de Judi  Dench como a governanta.

Mas é bem feita e sensível, com uma produção adequada. E muito ajudada pela presença como Rochester do ator do momento, o alemão Michael Fassbender (que deve ir para o Oscar por seu escandaloso Shame).

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