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23 novembro 2011 às 06:00

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Estreia – Eu Eu Eu José Lewgoy

Documentário de Claudio Kahns.

Este não é um mero making of ou uma simples hagiografia para endeusar um biografado. Embora tenha sido feito por amigos e colegas, este documentário sobre o ator José Lewgoy (1920-2003) é uma tentativa bem sucedida de se pintar um retrato bastante próximo da figura que era esse grande ator brasileiro.

Eu o conheci bem e posso atestar algumas idiossincrasias que ele tinha, começando com um ego exacerbado, que o fazia sempre se sentir injustiçado. Mas era também uma figura bem humorada, muito culto, bem informado, um homem inteligente. Desde que você tivesse paciência com seus defeitos. Eu gostava muito dele e por diversas vezes sentamos juntos em festivais, inclusive em Cannes, em aeroportos, ele sempre se queixando de alguma coisa.

L311 Estreia   <i>Eu Eu Eu José Lewgoy</i>

É um pouco isso o que o filme demonstra através de depoimentos recolhidos entre os mais próximos. Entre eles,Tônia Carrero, Millôr Fernandes, Chico Caruso, Gilberto Braga, Luis Fernando Veríssimo, o já falecido Anselmo Duarte, Glória Pires, Guilherme de Almeida Prado (que o colocava em todos seus trabalhos), Sérgio Augusto (querido crítico que escreveu livro sobre a chanchada da Atlântida onde Lewgoy brilhou).

Os depoimentos foram captados em Veranópolis, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, também em Yale e em Nova York com alguns amigos do ator, como Elliot Stein, crítico de cinema do Villlage Voice e o programador  Fabiano Canosa. Também na Áustria, com Werner Herzog, diretor de Fitzcarraldo onde Lewgoy aparece em uma entrevista feita por seu filho Rudolph.

lewlew Estreia   <i>Eu Eu Eu José Lewgoy</i>

Nem por isso, o documentário esquece de sua incrível trajetória na carreira que o torna o maior vilão nas fitas da Atlântida (estreladas por Eliana, Anselmo e principalmente Oscarito e Grande Otelo), depois no cinema francês (S.O.S. Noronha) e também em todos os filmes estrangeiros rodados no Brasil, já que era poliglota.

Sem esquecer, é lógico, Terra em Transe, de Glauber, onde ele fazia um político populista. O diretor Claudio Kahns era mais conhecido como produtor e fez filmes como: Janete (1982), de Chico Botelho; A Marvada Carne (1984), de André Klotzel, Vera (1986), de Sérgio Toledo, Feliz Ano Velho e O Judeu, de Jom Tob Azulay. Antes  dirigiu e produziu o ótimo documentário Mamonas Pra Sempre

Assisti com prazer e acho super importante existir filmes como este.

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